[Vídeo] Clássico do Boris: Jaguar E-Type 1971

Mesmo "cinquentão", esportivo inglês, que encantou Enzo Ferrari e virou arte moderna, tem desempenho de carro moderno e esbanja charme

Por AutoPapo10/01/18 às 15h51

O Jaguar E-Type é uma verdadeira obra de arte sobre rodas. Duvida? Pois saiba que o Museu de Arte Moderna de Nova York (o MoMA) tem um modelo desses em seu acervo.

Quem também se rendeu aos encantos do E-Type foi Enzo Ferrari. No ano em que foi lançado, em 1961, o fundador da marca italiana foi ao estande da Jaguar no Salão de Genebra, chamou Sir William Lyons, seu “concorrente” e dono da fabricante inglesa, e declarou: “Meus parabéns! Esse é o carro mais bonito que eu já vi na minha vida!”.

O modelo foi produzido entre 1961 e 1975. Nesse vídeo, o Boris apresenta um modelo ano 1971 e mostra todos os encantos deste felino inglês.

Confira!

[Transcrição]

“Que beleza de automóvel, não?! Jaguar E-Type. Esse aqui é de 1971. Mas essa linha E-Type foi lançada em 1961 no Salão de Genebra. Aliás, nesse Salão de Genebra, estava o Commendatore Enzo Ferrari, lá no estande dele, lançando as suas novidades… Saiu para dar uma volta e parou na frente do estande da Jaguar. Viu esse carro, não se conteve. Pediu para chamar Sir William Lyons, o dono da Jaguar. Sir William Lyons chega e o Commendatore fala:

‘Meus parabéns! Esse é o carro mais bonito que eu já vi na minha vida!’.

E o problema é que tinham jornalistas por perto e nós somos todos uns canalhas profissionais. No dia seguinte, a manchete dos jornais? ‘Enzo Ferrari disse que o Jaguar E-Type é o carro mais bonito que ele já viu na vida’. Para desespero de quem? Do diretor de marketing da Ferrari.

(O E-Type) É um esportivo que foi lançado em 1961. Esse é 71, mas não mudou quase nada, só o motor que ganhou uns cavalinhos… E anda! 240
cavalos. Pisa, ele reage! O motor já era avançado para a época: seis cilindros em linha com dois eixos de comando no cabeçote. Isso significa esportividade. Performance que não fica a dever para muito esportivo atual. Vocês vão querer saber o 0 a 100? Sete segundos! Pode pegar a sua lista aí de carros modernos e conferir.

Uma única observação negativa: esse automóvel mereceria um câmbio de cinco marchas. Porque de quarta, ele vai bem até cem, cento e poucos por hora. Passou disso, você fica doido para engatar uma quinta… Que não tem.

E a estabilidade? esse carro é derivado de um automóvel de competição que ganhou as 24 horas de Le Mans. Olha como faz curva, esse danado

Acredite se quiser: freio a disco nas quatro rodas. Estamos falando de um projeto do início da década de 60.

E o painel? Que me perdoem os ‘puristas eletrônicos’, mas nada como dois ‘relojões’ aqui: conta-giro e velocímetro. Nada como essa pilha de ‘reloginhos’: bateria, pressão do óleo, relógio de horas, a temperatura da água, gasolina. E essa fileiras de botões aqui… Um charme. É claro que eu não faço assim e muda o painel digital daqui para ali, mas não chega aos pés do charme desde E-Type da década de 60.

Reparem só no ‘volantinho’. Já não se fazem mais volante de madeira com centro em metal furadinho. É um charme. Claro que em termos de segurança é um desastre.

Não dá pra falar de ergonomia de um carro com mais de 50 anos, mas olha como é que fica tudo à mão: a alavanquinha, o volante, os botõezinhos. Nesse carro, eles capricharam.

Nos esportivos daquela época, os projetistas se debruçavam diante da mecânica: o motor, o câmbio, a suspensão a transmissão. E o espaço que sobrasse era pra acomodar o motorista e passageiro. Mas olha aqui, eu não consigo chegar um milímetro a menos, nem inclinar mais meu banco. Tá no máximo!

No início desta década, a Jaguar resolveu lançar o sucessor do E-Type, que que deixou de ser produzido em 75. Veio o F-Type. Claro que é moderníssimo. Tem motor de 2 litros, quatro cilindros, mas tem V6 e V8. Chega a 550 cavalos. O câmbio? Nada de manual de quatro marchas. No F-Type, é automático de oito marchas!

O F-Type é um esportivo de dois lugares que chega às beiras da perfeição, mas não tem alma. Este aqui tem lá suas imperfeições, mas é cheio de alma!”

Jaguar E-Type 1971 tem linhas clássicas

Foto: Reprodução


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1 Comentário

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  • Franco Vieira 10 de janeiro de 2018

    Além de alma tem muita história, é um marco na indústria automotiva. Sensacional, que feliz coincidência. Fiz um pedido por uma coluna desse tipo, e recebo um vídeo!! Muito obrigado. Continue Boris, por favor….DB6/ Montreal/ Giulia Veloce/ Ferrari/ Mercedes…..carros atuais e do passado se possível…
    O vídeo ficou muito caprichado, muito bonito, bom trabalho da Frame Arts que produz vídeos com sensibilidade, só penso que a trilha sonora poderia ser outra, uma mais adequada a carros clássicos, quem sabe músicas que eram sucesso na época dos próprios carros.
    Abraço, vlw.

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