Marcas chinesas de caminhões vendem 20 vezes, por ano, que o varejo brasileiro
Algumas dessas marcas, sozinhas, produzem em apenas um ano mais caminhões do que o Brasil em três ou quatro anos consecutivos.
Publicado em 28/06/2026 às 13h00
Para nós, brasileiros, o mercado chinês de carros de passeio é um assunto cada vez mais comum. Afinal, ainda estamos vivendo a forte onda de chegada dessas marcas, algumas que nós, mesmo em um mundo totalmente conectado, nem sabíamos que existiam. Mas basta olhar os números de vendas para ficarmos impressionados.
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E saiba que isso não é diferente quando olhamos para o mercado de pesados da China. Para se ter uma ideia, apenas em 2025, o mercado chinês registrou a venda de 1,145 milhão de caminhões pesados. Isso sem contar os outros segmentos, como semileves, leves e semipesados.
Só para ilustrar, em 2025, de acordo com a Fenabrave, foram licenciados 49,5 mil caminhões pesados no Brasil. Ou seja, menos de 5% do que movimentou o mercado interno chinês. Mas quase ninguém conhece as marca de caminhões, diferentemente das empresas de automóveis. Para ajudar, listamos as 5 gigantes que dominam esse universo.
1. Foton é uma das maiores marcas chinesas de caminhões

A Foton (do grupo BAIC) já atua no Brasil e tem registrado aumento nos emplacamentos de caminhões leves e médios. Porém, no mercado chinês, ela é simplesmente uma das maiores forças da indústria, com cerca de 650 mil unidades vendidas em 2025. Suas vendas são mais consolidadas nos segmentos de pesados e extrapesados com a linha Auman, fruto de uma parceria global com a Daimler (dona da Mercedes-Benz).
Na Argentina, a montadora comercializa toda a sua linha, com modelos diesel e elétricos, com destaque para o pesado Auman R, equipado com motor Cummins de 460 cv. Já no Brasil, durante a Agrishow de 2026, a empresa trouxe o eGalaxus totalmente elétrico, que promete ser uma das grandes atrações da marca para a Fenatran 2026, que acontece em São Paulo entre os dias 9 e 13 de novembro.
2. CNHTC (Sinotruk)

Se no Brasil a Sinotruk virou um pesadelo para os transportadores que investiram na marca no passado, e vale lembrar que ela está ensaiando um retorno, como já mostrei lá no Portal Mídia Truck Brasil, na China os negócios vão muito bem, obrigado.
Além do mercado local, a CNHTC se destaca por fazer alianças estratégicas com outras montadoras, criando nichos para oferecer produtos mais acessíveis, mas com tecnologia de base já consagrada. Um exemplo claro é a marca Sitrak, uma união com a alemã MAN (do Grupo Traton). Os caminhões dessa linha utilizam a cabine do MAN TGX da geração passada (que é a mesma estrutura usada no nosso Volkswagen Meteor).
3. FAW Jiefang

A FAW é considerada a primeira montadora de caminhões da China, e nós já falamos dela aqui no AutoPapo quando a marca tentou a ousadia de usar um motor rotativo. Dentro das fronteiras chinesas, ela lidera com força o segmento de pesados através das linhas J7 e JH, modelos que também têm ganhado bastante espaço nos mercados africano e australiano.
O nome FAW pode soar familiar por outro motivo: em 2020, a gigante chinesa demonstrou forte interesse em comprar a italiana IVECO (que na época estava sob o guarda-chuva da CNH Industrial). O negócio acabou não prosperando, e a desistência oficial foi comunicada em 2021. Pouco mais de quatro anos depois, em 2025, a Iveco acabou sendo vendida para a indiana Tata Motors.
4. Dongfeng

A mais nova montadora de automóveis que planeja desembarcar no Brasil (e já com planos bem sólidos) também é um verdadeiro monstro na fabricação de caminhões na China. Para o setor de transporte, o portfólio deles conta com os modelos pesados GX, KX, KL e VL.
Em 2013, o Grupo Volvo assinou um acordo de peso com a fabricante, adquirindo 45% de uma nova subsidiária da empresa, dando origem à Dongfeng Commercial Vehicles (DFCV). Essa união foi um divisor de águas, resultando em um enorme salto de qualidade nos produtos chineses. O primeiro grande fruto veio cinco anos depois, com o lançamento da nova linha de caminhões KL, elevando o padrão técnico e disparando as vendas da montadora no mercado asiático.
5. Shacman e as maiores marcas chinesas de caminhões

Outra velha conhecida de quem acompanha o setor de transportes por aqui é a Shacman. A marca fez um belo ensaio para se instalar no Brasil, mas na hora do show, pulou fora, uma história que eu também já detalhei aqui na minha coluna.
Apesar de a aventura em solo brasileiro ter naufragado, na China os números são avassaladores: de 1988 até 2024, a montadora entregou mais de 360 mil caminhões, um volume expressivo para o segmento.
Recentemente, a Shacman atraiu todos os holofotes do mundo com o lançamento do Shacman X6000. O bruto vem equipado com um motor Weichai de 17 litros, gerando impressionantes 840 cv de potência e 382 kgfm de torque. Com essa jóia mecânica, a tradicional disputa pela coroa de caminhão rodoviário mais potente do mundo, que ficava restrita às suecas Scania e Volvo, acabou migrando para a China.
Para fins de comparação, o modelo mais forte da Scania hoje é o 770S ou R, dependendo da cabine (V8 de 770 cv e 377 kgfm), enquanto o topo de linha da Volvo é o FH16 (com 780 cv e 387,5 kgfm).
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