Coxinha não pega nem carona

A Revolução Russa, que deu origem à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) completa 100 anos; lembramos alguns modelos que fizeram sucesso — ou não — na Era da foice e do martelo

Por Marcus Celestino03/05/17 às 14h19
Coxinha - União Soviética - Rússia

Camaradas, como vão? Companheiros e companheiras, antes do boom chinês, a antiga União Soviética era a campeã das adoráveis bizarrices automotivas. Na Mãe Rússia circulavam automóveis de toda sorte, produzidos e aprovados pelo regime que acabou sucumbindo em 1991. Com um olho na nostalgia e outro nas escrituras de Marx e Engels, preparamos uma pequena lista que faria Vladimir Ilitch Lenin sorrir de seu mausoléu. Não seja um coxinha radical, abrace a causa e embarque nessa. Se preferir, podemos fazer uma parada em Cuba. 🙂

O CARRO DOS ESPIÕES

Se todos os vilões dos filmes do James Bond durante a Guerra Fria o perseguissem com um GAZ-21, bem, não teríamos sequer vilões nos filmes do James Bond. Primeiro a carregar a marca Volga em seu nome, nos idos de 1956, o carango era luxuoso (para os padrões soviéticos, claro). Em seus 24 anos de existência o GAZ-21 carregou debaixo do capô um motor de quatro cilindros que gerava 71cv de potência. No entanto, o modelo tinha opção de motorização específica para atender a KGB, temida agência de espionagem e inteligência da União Soviética. Para os agentes, o rapagão vinha com um V8 de 165 cv, insuficientes para lidar com os 285 cv do clássico Aston Martin DB5 de James Bond. No entanto, vale frisar que o “primeiro Volga” é uma instituição da Mãe Rússia, um modelo atemporal. O atual presidente russo Vladimir Putin é um feliz proprietário de um GAZ-21 1956, e já chegou a dar uma “carona” no veículo para George W. Bush, ex-presidente dos Estados Unidos.

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O apresentador Jay Leno é dono de um Volga; o presidente russo Vladimir Putin é um feliz proprietário de um modelo 1956 (Jay Leno’s Garage/ DIvulgação)

MOSCOVITA

Uma melhoria com relação ao 402, esse modelo representa o que há de melhor na Mãe Rússia. Fabricado pela Moskvitch (do russo, moscovita; natural de Moscou), o 407 foi um dos primeiros carros produzidos na União Soviética que acabaram por fazer sucesso em outras áreas do continente. A versão “europeia” do modelo, de 1961, tinha quatro portas e era equipada com motor de respeitáveis 45 cv de potência e 8,8 kgfm de torque. A transmissão era manual de quatro velocidades. De acordo com a fabricante, a velocidade máxima do 407 era de 115km/h.

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Evolução do 402, Moskvitch 407 foi produzido de 1958 a 1963 e é dos mais populares automóveis clássicos soviéticos (Reprodução)

ENGENHARIA ALEMÃ

Tente imaginar um carango com design superesportivo, portas do tipo asa de gaivota “estilosas” e alemão. Pensou no Mercedes SL300? Errado! Fabricado na Alemanha Oriental pela Melkus, o RS 1000 tinha tudo de visual, mas nada de substância. Seu motor era o mesmo três cilindros que equipava a perua Wartburg 353 e o nosso DKW. O câmbio era manual de cinco velocidades. 101 modelos foram fabricados em Dresden, entre 1969 e 1979. As últimas unidades ganharam mais potência e alguns RS 1000 chegaram até a encarar as pistas. Em 2009, Sepp Melkus, neto do fundador da companhia, tirou a marca do limbo para lançar o RS 2000. Muito mais invocado, a versão “século XXI” atingia máxima de 250km/h e ia da inércia aos 100km/h em 4.9 segundos. Infelizmente, a produção do modelo foi encerrada em 2012. Ah! Quer mais uma curiosidade sobre o RS 1000? O veículo é a grande estrela do clipe de Around the World (La La La La La), do grupo ATC. A música é uma adaptação do hit russo Pesenka.


Melkus RS 1000 estrela o videoclipe de Around The World (La La La La La), sucesso do início da década de 2000 do grupo de Europop ATC

PESADÃO

Se o Imperial Crown era a grande mostra do poderio econômico dos “porcos capitalistas” durante a década de 1960, o ZiL-117 era a resposta soviética para combater a “luxúria ocidental”. Derivação pouco “menor” da série 114, reza a lenda que foi fabricado a pedidos do estadista Leonid Brejnev. O luxuoso modelo tinha 5,72 m de comprimento e distância entre-eixos de 3,31m. O peso do garoto? Mais de 2,7 toneladas! Para empurrar toda essa “gordura”, era necessário um motor 7.0 V8 de 300 cv de potência a 4.400 rpm. Ah, uma dica aos colecionadores de miniaturas: o ZiL-117 fez figuração em 007: Cassino Royale e versões na escala 1:43 do modelo podem ser encontradas à venda nos confins da internet. Vale dar uma checada no eBay.

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Luxuoso ZiL-117 foi criado a pedidos de Leonid Brejnev, líder da União Soviética de 1964 a 1982, dos responsáveis pela Era da Estagnação (Reprodução)

CLÁSSICO DOS CLÁSSICOS

É provável que o Lada 2105 seja o maior expoente do mercado automotivo soviético. Mais conhecido no Brasil como Laika, o veículo é baseado na plataforma Fiat 124 e sofreu pequeninas modificações ao longo de suas mais de três décadas de produção. O Laikinha, em conjunto com seu irmão station wagon, vendeu mais de 16 milhões de unidades em todo o mundo. Por causa do precinho “camarada”, o mesmo de um Golzinho, o modelo também teve algum sucesso no Brasil e ainda encontramos muitos aficionados pelo modelo por aí. O êxito do Lada era sinal de que a Mãe Rússia havia conquistado nossos corações de vez. No entanto, os Laikinha – assim como outros modelos da marca soviética – não se adaptaram à nossa gasolina, que destruíam carburadores a torto e a direito. Uma pena.

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Saudades dele? Laika foi dos primeiros importados a chegar ao mercado brasileiro, logo após a abertura de mercado realizada pelo governo Collor, em 1990 (Reprodução)

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