[0 km x usado] Cronos Drive 1.3 GSR x Fluence Privilège AT 2016

O novato sedã da Fiat 0 km com câmbio automatizado mede forças com o modelo da Renault, fora de linha, só que com mais espaço

comparativo cronos fluence
Por Fernando Miragaya
Especial para o AutoPapo
Publicado em 24/08/2018 às 16h08

O Fiat Cronos Drive e o Renault Fluence Privilège são sedãs provenientes da mesma região argentina, Córdoba. Cada qual, tenta (ou tentou) mudar o rumo em um segmento onde seus fabricantes nunca foram muito felizes.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Incluir como fonte preferida no Google
+
Seguir AutoPapo no Google Discover

O Cronos chegou em 2019 com desenho ousado e custo-benefício agressivo para mudar a sorte da Fiat no segmento de compactos premium. Já o Fluence se despediu da linha de produção em 2017, sem empolgar nas vendas e quase como eterno quarto colocado do segmento. Porém, com espaço, conforto e equipamentos que se esperam de um modelo médio, mesmo com dois anos de uso. Ambos têm preço médio de R$ 62,5 mil.

Desempenho e prazer ao dirigir

Cronos Fluence
3 ★★★☆☆ 3 ★★★☆☆

O Firefly 1.3 do Cronos Drive faz lá sua graça. Os 109/101 cv do motor quatro cilindros se saem bem nas arrancadas, porém o modelo se destaca mesmo é nas retomadas. O bom torque na faixa das 3.000 rpm faz até você pensar que o carro é mais potente e de maior litragem. O desempenho só não é melhor por causa da caixa automatizada GSR. A marca diz que é a evolução do Dualogic, mas com embreagem simples e mal-escalonada, continua apresentando muitos trancos. Pelo menos, as aletas atrás do volante permitem mudanças sequenciais – mas não esqueça de aliviar o pé entre uma passagem e outra, como se fosse um manual convencional. A direção com assistência elétrica é um tanto anestesiada.

Fiat Cronos Drive é opção de entrada na linha
Fiat Cronos Drive 1.3 GSR (Fotos Fiat | Divulgação)

O 2.0 16V do Fluence Privilège é projeto originalmente Nissan e impressiona pelo rodar suave. A potência de 143/140 cv é suficiente para movimentar o carro com certa empolgação, mas o câmbio CVT corta as asinhas. O comportamento linear típico se faz presente, mesmo com as seis marchas (mal) simuladas. Nas retomadas, pode pisar forte que a transmissão vai segurar os giros para o sedã evoluir de forma gradual e sem trancos como convém a uma caixa continuamente variável. A direção elétrica é que fica leve demais, até em médias velocidades.

Renault Fluence Privilège nunca teve boas vendas
Renault Fluence Privilège (Fotos Renault | Divulgação)

Segurança

Cronos Fluence
3 ★★★☆☆ 3 ★★★☆☆

O comportamento dinâmico do Cronos Drive não lembra o histórico de “João Bobos” recentes da Fiat. A carroceria torce nas curvas, mas dentro da normalidade. O acerto da suspensão é macio para manter a tradição, mas na estrada, acima dos 80 km/h, o três-volumes se revela bem na mão. A direção pouco direta é que incomoda. Em itens de segurança, controles de estabilidade e tração, assistente à partida em rampas, Isofix, monitoramento da pressão dos pneus e piscas nas laterais na versão Drive. Mas só vem com os dois airbags frontais obrigatórios. Sensor ou câmera de ré, só como opcionais (R$ 1.690).

O Renault Fluence Privilége chamava a atenção pela boa quantidade de equipamentos neste aspecto. Seis airbags, controles de estabilidade e tração, faróis de xênon com regulagem de altura, câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiros e traseiros, setas laterais e luzes de condução diurna faziam parte do pacote – peca pela ausência de Isofix e do controle de subida. Nas curvas, uma leve tendência a sair de frente, mas nas retas o comportamento dinâmico interessante, enquanto a direção merecia mais precisão em altas velocidades. Em 2012, o Fluence levou quatro estrelas em um máximo de cinco nos testes do Latin NCAP na proteção a adultos, e duas na proteção a crianças.

Espaço interno e conforto

Cronos Fluence
3 ★★★☆☆ 4 ★★★★☆

O Fiat Cronos leva desvantagem, pois é um compacto. Mesmo assim, graças ao encosto bem recuado, o espaço para pernas de quem vai atrás fica interessante – apesar dos 2,52 m de entre-eixos. Na frente, motorista tem bom vão para joelhos e ombros, com destaque para a ergonomia bastante funcional. A calibragem da suspensão é eficiente para absorver as irregularidades. O isolamento acústico é falho. No acabamento interno, o plástico é disfarçado com materiais em outros tons e fechamentos corretos.

Com 2,70 m, o Fluence Privilège leva com mais conforto dois adultos e uma criança no banco traseiro. O que pega ali é o teto baixo e pessoas com mais de 1,75 m raspam a cabeça no forro. Motorista também se vale de bom espaço, mas a posição de dirigir peca em alguns aspectos ergonômicos e de altura, além do volante de pegada ruim. O isolamento acústico é o destaque, e a suspensão tem bom acerto para lidar com buracos, sem fazer os ocupantes de trás quicarem a cada lombada. O acabamento é que deixa a desejar para um médio. O padrão cinza claro e o plástico aparentam simplicidade demasiada.

Equipamentos

Cronos Fluence
2 ★★☆☆☆ 4 ★★★★☆

Versão intermediária da linha, o Cronos Drive faz aquele meio-termo. Oferece pouco além do trivial ar, direção elétrica e trio: banco e volante com ajustes de altura, computador de bordo, start/stop no motor, prta USB traseira, chave tipo canivete e controle de cruzeiro. A central multimídia Uconnect com tela de 7” espelha smartphones e tem entrada USB, reconhecimento de voz e Bluetooth. Rodas de liga-leve, faróis de neblina e banco traseiro bipartido são oferecidos em um pacote de opcionais por R$ 3.090. Já o alarme sai por R$ 690. Completo de tudo, chega a R$ 67.920.

Além do ar automático bizona e do volante com ajuste de profundidade, o Fluence Privilège tinha a mais chave presencial, acionamento do motor por botão, teto-solar, sensores de luminosidade e de chuva, revestimento de couro, retrovisores rebatíveis eletricamente, rodas de liga-leve e banco traseiro bipartido. O sistema multimídia tinha GPS, Bluetooth e USB.

Desvalorização

Cronos Fluence
3 ★★★☆☆ 2 ★★☆☆☆

O Cronos Drive tem desvalorização de 9,4%, segundo a tabela Fipe, um pouco acima da média, e sua liquidez ainda é uma incógnita por ser modelo recente. Já o Renault não é aquele carro fácil de vender, apesar de as linhas 2015 e 2016 já terem passado pelo face-lift. A desvalorização é um pouco alta para um seminovo: 7,4%.

Manutenção e pós-venda

Cronos Fluence
3 ★★★☆☆ 4 ★★★★☆

As cinco primeiras revisões (de 10.000 km a 50.000 km) com preço fixo do Cronos 1.3 totalizam R$ 2.788. Os componentes têm preços competitivos, como o kit com dois amortecedores traseiros (R$ 532) e o jogo das quatro pastilhas de freios dianteiras (R$ 250). Já peças externas são mais salgadas: o retrovisor esquerdo tem preço de R$ 727, o farol de R$ 1.001 e a lanterna, de R$ 858.

As cinco revisões do Fluence Privilège (de 30.000 km a 70.000 km) custam pouco mais que as do Fiat: R$ 2.792. Alguns componentes, contudo, podem assustar, como o farol (R$ 2.040). As demais estão dentro do esperado, como lanterna (R$ 795) e retrovisor (R$ 620). Já o par de amortecedores de trás sai por apenas R$ 296, enquanto o kit de pastilhas de freio tem preço de R$ 379.

Consumo

Cronos Fluence
3 ★★★☆☆ 1 ★☆☆☆☆

Pelo Inmetro, o Cronos Drive 1.3 GSR anota médias de 8,8 e 10,4 km/l com etanol, e de 12,7 e 14,8 km/l, com gasolina, nos respectivos ciclos urbano e rodoviário, com notas B no segmento e no geral. Já o Fluence Privilège 2.0 CVT obteve médias de 6,1 e 7,4 km/l com álcool, e de 8,7 e 10,7 km/l, com combustível fóssil. As notas foram D e C, respectivamente.

Porta-malas

Cronos Fluence
4 ★★★★☆ 4 ★★★★☆

Com 525 litros, o espaço no Cronos é atrapalhado pelas largas caixas de rodas, mas acomoda uma mala grande e duas pequenas. O do Fluence, com 530 litros, se equivale.

Vencedor: Cronos x Fluence

Cronos Fluence
24 25

O Fluence Privilège vence apertado graças, principalmente, ao rodar suave, ao desempenho mais convincente e ao nível de equipamentos. É um sedã médio que oferecer certo status e bastante conforto no dia dia. Já o Cronos Drive se revelou uma tentativa mais racional e eficaz de ter um sedã no segmento de compacto premium com ótimo custo-benefício e desempenho bom para um 1.3. Mas a versão peca nos itens de série e, especialmente, na incômoda caixa automatizada GSR.

Newsletter
Receba diretamente em seu e-mail notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
1 Comentário
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Adilson 20 de dezembro de 2020

O editor desse comparativo já andou em um Fluence? Acredito que não