Dia dos pais: conheça designers e criadores de carros brasileiros

Listamos 7 profissionais que desenvolveram alguns dos modelos mais marcantes da indústria automobilística nacional

Por Alexandre Carneiro12/08/18 às 14h00

Assim como as pessoas, os automóveis têm pais, e de carne e osso: são designers, engenheiros e outros profissionais responsáveis pela concepção do projeto. No dia de celebrar os genitores, o AutoPapo listou 7 pessoas que “deram vida” a célebres carros brasileiros. Conheça-os e relembre algumas de suas crias:

Márcio Piancastelli

Um dos pioneiros no design de carros brasileiros começou a carreira projetando móveis para a fábrica do pai. Porém, não demoraria para que Márcio Piancastelli ingressasse na indústria automobilística: após ficar em segundo lugar em um concurso, o ainda jovem designer foi convidado para estagiar no estúdio Ghia, na Itália. No regresso ao Brasil, ingressou a Willys, onde participou do projeto do Corcel, lançado após a marca ser comprada pela Ford.

Em seguida, mudou-se para a Volkswagen, onde idealizou alguns dos modelos mais marcantes da década de 70, como Brasília e SP2. Anos depois, vieram o primeiro Gol e seus derivados, além da reformulação da linha Santana. Piancastelli continuou na ativa até 1992 e morreu em 2016, aos 79 anos.

Luiz Alberto Veiga

A partir da década de 80, praticamente todos os produtos que a filial brasileira da Volkswagen desenvolveu (dos quais alguns chegaram a ser vendidos no exterior) tiveram a participação de Luiz Alberto Veiga. Desde a primeira geração da Saveiro até a linha Fox, ele idealizou diversos produtos, como os irmãos Logus e Pointer e a segunda geração do Gol, chamada popularmente de “bolinha”.

Aposentou-se em 2016, quando ocupava o cargo de chefe de design e somava 40 anos de carreira. Antes de trabalhar na empresa alemã, Veiga teve passagens pela Chrysler e pela GM.

João do Amaral Gurgel

Um idealista: talvez essa seja a palavra mais adequada para descrever João do Amaral Gurgel. Engenheiro, fez carros brasileiros no sentido mais literal possível, após fundar a Gurgel Motores, por pura determinação, após ouvir de um professor que “automóvel não se fabrica, compra-se”. Especializou-se nos Estados Unidos , onde acumulou algumas experiências na sede da GM, nos EUA.

Ao longo de sua trajetória, a empresa fabricou aproximadamente 40 mil veículos, entre os quais jipes e veículos utilitários, como os modelos X12 e X15, e subcompactos, entre os quais XEF, BR-800 e Supermini. Todos os modelos foram concebidos por Gurgel, que morreu em 2009, aos 82 anos.

Rino Malzoni

Um dos primeiros designers de que se tem notícia no Brasil, Rino Malzoni era advogado por formação. Começou a se dedicar aos automóveis pela parte mecânica, na oficina de um tio. Logo começou a transformar carros e criou um negócio próprio, onde nasceu seu primeiro “filho”, nos aos 60: o GT Malzoni, um esportivo com mecânica DKW desenvolvido para as pistas, que não tardou a ser fabricado comercialmente e acabou dando origem à marca Puma. Mas o modelo que impulsionou de vez a marca nacional foi o cupê 1.500, com mecânica Volkswagen.

Malzoni idealizou ainda outros carros brasileiros, como o GTB, também da Puma, e os protótipos FNM Onça e Carcará, esse último recordista de velocidade no país na década de 60. Morreu em 1979, aos 62 anos.

Carlos Barba

Quase todos os veículos nacionais da atual gama da Chevrolet são obra de Carlos Barba, que trabalhou na GM por cerca de 30 anos, até se aposentar em 2016. Nem todas as suas criações são unanimidade: modelos como Cobalt e Spin muitas vezes são criticados justamente por causa do estilo da carroceria, ao menos antes de ambos passarem por reestilizações.

Por outro lado, o designer tem em seu currículo a dupla Onix e Prisma: é possível dizer que o visual dos dois modelos caiu em cheio nas graças do público, uma vez que o hatch ocupa o posto de carro mais vendido do país desde 2015, enquanto o sedã é líder de emplacamentos em sua categoria. Além de comandar equipes de desenvolvimento de produtos no Brasil, Barba também atuou na Alemanha.

Peter Fassbender

Há mais de uma década, os carros brasileiros da Fiat nascem das mãos de Peter Fassbender. Em 2002, ele deixou o Centro de Estilo da multinacional italiana, em Turim, para integrar a equipe de criação local. Quase todos os produtos que o fabricante comercializa hoje no país, entre os quais Uno, Mobi, Toro, Argo e Cronos, são obra do time de designers liderado por ele.

Fassbender segue na ativa, criando automóveis para o Grupo Fiat-Chrysler Automobiles. Atualmente, ele ocupa o cargo de diretor do FCA Design Center Latam, responsável por desenvolver produtos para a América do Sul.

Toni Bianco

As criações de Toni Bianco não foram fabricadas em volumes industriais, mas é exatamente isso que as tornam representativas. Sua habilidade para modelar chapas e soldar metais, somada ao seu interesse por automóveis, fizeram com que o serralheiro se tornasse o maior construtor artesanal do ramo no país.

Seus carros de competição, nos anos 50 e 60, foram decisivos para o desenvolvimento de categorias e pilotos no Brasil. Criou protótipos, como o Alfa Romeo Fúria GT, e chegou a fundar uma empresa com o próprio nome nos anos 70, que fabricava esportivos com mecânica Volkswagen. Posteriormente, desenvolveu modelos os fora de série Dardo F-1.3 e Grancar Futura. Nos dia de hoje, Bianco ainda cria veículos artesanalmente.

2 Comentários

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  • Altair 16 de agosto de 2018

    Parabéns pela reportagem. Retrata nossa história e qual é o DNA que vemos nas ruas e seus criadores

  • Gustavo 13 de agosto de 2018

    Ótima matéria! Senti falta do nome do Celso Lammas…
    Abraço!

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