Saiba como funciona o “drogômetro” que está em testes no Brasil

Aparelho é capaz de detectar, em dez minutos, 15 substâncias psicoativas; análise é feita com base no recolhimento da digital do motorista

Por Laurie Andrade 10/06/19 às 08h30

Em abril deste ano foi instituído, por meio da publicação de uma portaria no Diário Oficial da União (DOU), um grupo de trabalho responsável pela realização de estudos e pela elaboração de documentos técnicos para a implementação de “drogômetros”.

A utilização dos “drogômetros” – que na verdade são aparelhos com tecnologias de screening para detecção de substâncias psicoativas em condutores do trânsito brasileiro – é uma das promessas de campanha do presidente Jair Bolsonaro e está sendo desenvolvida por meio de uma parceria do Ministério da Justiça e Segurança Pública com a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad).

A Senad, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Secretaria Nacional de Segurança Pública já estão mobilizadas para testar, em cinco regiões do país, o “bafômetro de maconha” e outras drogas.

O AutoPapo entrevistou a Orbitae, uma das empresas responsáveis por fornecer equipamentos para as instituições, e detalha o processo para o teste de detecção.

Confira, abaixo, como funciona o “drogômetro”

O “drogômetro” IFP, exibido no vídeo, precisa apenas de uma pequena amostra de suor – presente na impressão digital – para reconhecer as 15 substâncias psicoativas listadas abaixo:

Opiáceos 

1. 6-Acetilmorfina

2. Codeína

3. Morfina

Anfepramona

4. Anfepramona/Dietilpropiona

Anfetaminas

5. Anfetamina

6. MDA

Cocaína

7. Benzoilecgonina

8. Cocaína

9. Crack (Aeme)

Canabinoides

10. Carboxy THC (TCH-COOH)

11. THC

Femproporex

12. Femproporex

Mazindol

13. Mazindol

Metanfetaminas

14. MDMA (Ecstasy)

15. Metanfetamina

A análise feita pelo “drogômetro” dura aproximadamente 10 minutos e tem mais de 97% de índice de acerto.

O “drogômetro” IFP apresenta alguns diferenciais. Em primeiro lugar, seu teste não é invasivo e pode ser feito em frente aos policiais. O aparelho, portátil, também pode ser levado para qualquer lugar.

As amostras recolhidas ficam lacradas, o que possibilita uma análise posterior feita em laboratório. Por fim, o equipamento é o único capaz de analisar o uso de drogas nas últimas oito horas.

Os testes de cabelo e urina, por exemplo, reconhecem o uso de substâncias tóxicas nos últimos meses, mas não detectam se o motorista ainda está sob o efeito de substâncias psicoativas no momento em que foi parado na blitz.

O “drogômetro” IFP  está em fase de registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e já é utilizado em diversos países.

“A experiência de países como Austrália, Inglaterra, Noruega, Alemanha, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos demonstra que, aliada às políticas de fiscalização, a implementação das técnicas de triagem para detecção de substâncias psicoativas por condutores de veículos é efetiva para reduzir os índices de colisões e mortes no trânsito”, defende Luiz Beggiora, chefe da Senad.

O "drogômetro" é capaz de detectar 15 substâncias pscicoativas em 10 minutos. Saiba como funciona o equipamento que pode desmascarar motoristas brasileiros.
“Drogômetro” IFP | AutoPapo

Questionada pelo AutoPapo, a Secretaria afirmou que não há uma data estipulada para adoção dos “drogômetros”. Ainda é necessária a validação dos equipamentos analisados na pesquisa junto ao Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio de uma resolução.

O Diretor da Orbitae, Rodrigo Silveira, afirma que não há razão para que a adoção dos “drogômetros” não seja aprovada: “Trabalho há cinco anos no projeto, que nasceu em parceria com a PRF do Rio Grande do Sul, e acredito nele. A expectativa é de que os testes autorizados pelo governo federal comecem neste mês de junho e sejam finalizados em agosto”.

Ainda segundo Silveira, nos testes realizados desde 2014 – inicialmente feitos com o recolhimento da saliva – 20,1% dos motoristas que passaram pelos drogômetros estavam sob o efeito de alguma substância psicoativa.

Há respaldo legal para punição do motorista flagrado?

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB),

Art. 165.  Dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer outra substância psicoativa que determine dependência é:

Infração – gravíssima;

Penalidade – multa (dez vezes) e suspensão do direito de dirigir por 12 (doze) meses.

Medida administrativa – recolhimento do documento de habilitação e retenção do veículo, observado o disposto no § 4o do art. 270 da Lei no 9.503, de 23 de setembro de 1997 – do Código de Trânsito Brasileiro.

Parágrafo único. Aplica-se em dobro a multa prevista no caput em caso de reincidência no período de até 12 (doze) meses.

Vale ressaltar, ainda, que o Art. 306 do CTB prevê pena de seis meses a três anos de prisão, por “conduzir o veículo com capacidade psicomotora alterada em razão da influência de álcool ou de outra substância psicoativa que determine dependência”.

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7 Comentários
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    Jehad Guerra 28 de setembro de 2019

    Isso e mais uma forma inunda desse governo podre, arrecadar dinheiro do povo bando de porcos imundos .Não ha beneficio , para a população nem e para educar sim para subtrair de forma descarada o dinheiro do povo trabalhador controle maldito hora de todos vocês esta chegando ninguem vai escapar.

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    Vanderlei Borges solla 10 de setembro de 2019

    Respeito a vida em primeiro lugar parabéns aos responsáveis…Espero que saia do papel quem não deve não teme…pois o desrespeito à vida do próximo e grande tem que mudar apoiado…

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    Juliana 4 de setembro de 2019

    Legal, aí pra ficar melhor os PMs e agente tbm fazem aí sim fica justo. Mas vejo mais uma forma de sugar dinheiro, pq não manda pra uma reabilitação educativa ao invés de multas de alto valores

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    Juliana 4 de setembro de 2019

    Legal, aí pra ficar melhor os PMs e agente tbm fazem aí sim fica justo.

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    Barbara 17 de julho de 2019

    Perfeito sugestão realize na região central de sp onde na saída do trabalho muitos fazem parada obrigatória em alguns becos
    E no interior Socorro SP pois mais da metade utiliza e a polícia finge q não sabe pq muitos são conhecidos

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    Antonio Donizeti Martins 14 de junho de 2019

    O Brasil trocou há muito o certo pelo errado. A punição é que é eficaz. Mas no lugar dela o que temos são milhares de infratores e milhares de faculdades de esquina que formam outros milhares de A”DE”VOGADOS para defenderem a sua indústria. Como dizia João Cabral de Melo Neto em sua poesia “Morte e vida Severina”: —ver a fábrica que ela mesma teimosamente se fabrica.

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    Ronaldo Luiz Rissetto 11 de junho de 2019

    Acredito piamente na importancia em nao dirigir alcoolizado, ou drogado, mas é constitucional exigir que qualquer pessoas assopre para gerar provas contra si mesmo?

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