Fiat Tempra: quando Betim provou que podia fazer carro grande

Sedã chegou ao Brasil em 1991, com um projeto moderno e design irretocável para encarar os “grandões” VW Santana e Chevrolet Monza

fiat tempra turbo divulgacao
Depois de 15 anos se dedicando a modelos compactos, o Tempra foi a aposta da Fiat no segmento de médios grandes (Foto: Fiat | Divulgação)
Por Douglas Mendonça
Publicado em 07/11/2026 às 13h00

O Fiat Tempra, lançado na Europa em 1990, chegou ao mercado nacional em novembro de 1991. O pomposo sedã marcava a entrada da Fiat no segmento dos modelos maiores e mais luxuosos, até então disputado principalmente pelo Chevrolet Monza e pelo Volkswagen Santana. Frente aos concorrentes, a marca italiana trazia um design aerodinâmico, moderno, atraente e funcional.

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As linhas altas e robustas de sua traseira escondiam um porta-malas bastante generoso, que batia a concorrência: eram 552 litros, com uma tampa que facilitava o acesso às bagagens. As portas, como novidade construtiva, faziam uma curva na parte superior, encaixando-se ao teto como se fossem sua continuação. Na prática, a solução ajudava na aerodinâmica da carroceria, que na época apresentava um surpreendente Cx de 0,32.

Motores do Fiat Tempra

Fiat Tempra Stile
Tempra foi equipado com motores 2.0 de 8V e 16V, assim como a versão Turbo de 165 cv (Foto: Fiat | Divulgação)

Na mecânica, o conjunto motor e câmbio era disposto transversalmente na dianteira, enquanto o motor 2.0 possuía duplo comando de válvulas no cabeçote, câmaras de combustão hemisféricas e velas de ignição colocadas ao centro. Apesar dessa construção refinada, o motor da Fiat rendia apenas 99 cv de potência máxima.

Não por coincidência, esse era o limite para o pagamento de impostos de uma determinada faixa. Se o motor rendesse um cv a mais, o carro seria tributado em uma categoria que obrigaria o pagamento de mais impostos. Coincidência interessante, não é mesmo? O câmbio, sempre manual, possuía cinco marchas, com engates precisos e rápidos.

O sistema de suspensão era bastante sofisticado. Independente nas quatro rodas, utilizava na traseira uma solução diferente da adotada pelo modelo europeu. A justificativa era que o conjunto escolhido para o Tempra brasileiro oferecia maior robustez para enfrentar nossas ruas e estradas. O fato é que a suspensão traseira do modelo nacional também tornava sua dirigibilidade mais sensível. Perto do limite de aderência, os movimentos do volante tinham de ser suaves e cuidadosos para que a traseira do carro não escapasse.

Tempra cupê

fiat tempra turbo vermelho traseira parado
A versão cupê era charmosa e ainda podia vir equipada com motor turbo (Foto: Fiat | Divulgação)

Lançado aqui no Brasil inicialmente apenas na versão sedã de quatro portas, o Tempra nacional ganhou o privilégio de ter uma configuração de duas portas, chamada carinhosamente de “cupê” por causa da inclinação de suas colunas traseiras. Essa versão mais esportiva chegou ao mercado brasileiro em 1992, já como modelo 1993.

Em 1994, aportou por aqui a versão perua do Tempra, com motor 2.0 e injeção multiponto. Vale ressaltar que essa configuração, chamada Tempra SW, era importada da Itália, pois previa-se que suas vendas seriam pequenas e não justificariam sua produção nacional.

O Tempra, desde seu lançamento, sempre trouxe novidades para o consumidor brasileiro. Em 1994, tínhamos o sedã de quatro portas, o cupê de duas portas e a versão familiar SW. Na mecânica, o Tempra foi o primeiro carro produzido no Brasil a utilizar um cabeçote de 16 válvulas.

Tempra Turbo foi o nacional mais rápido mercado

Novamente, coincidência ou não, o novo motor de 16 válvulas gerava 127 cv, próximo de um limite tributário importante da época. No primeiro semestre de 1994, chegava também a versão Turbo do Tempra, com motor ainda de oito válvulas, que produzia 165 cv e oferecia um desempenho surpreendente para o sedã da Fiat. Na época, era o carro nacional mais rápido do mercado brasileiro.

O Fiat Tempra foi fabricado no Brasil até o final de 1998, quando deu lugar ao Fiat Marea, oferecido ao consumidor nas versões sedã e perua, ambas com quatro portas. Nesses sete anos de fabricação, foram produzidas pouco mais de 204 mil unidades do Tempra nacional, considerando as versões de quatro e duas portas.

A perua importada da Itália não entrou nessa conta, devido ao baixo número de unidades vendidas por aqui. De maneira geral, foram cerca de 30 mil Tempra por ano ao longo de sete anos de produção nacional. Um resultado modesto diante dos modelos de maior volume do mercado, mas significativo para um segmento no qual a Fiat havia acabado de entrar.

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