Futuro dos carros elétricos: dúvidas eletrizantes

Entre as dúvidas eletrizantes, com perdão do trocadilho, estão o real desejo do consumidor em migrar do veículo convencional para um alternativo

Por Fernando Calmon15/02/19 às 12h41

Otimismo é a palavra de ordem quando se fala em futuro elétrico para os automóveis. Praticamente todas as fabricantes despejam agora bilhões de dólares em desenvolvimento, apresentam planos de uma linha completa de carros elétricos – dos pequenos, de entrada até SUVs de vários portes –, alguns países estabelecem prazos para “banir” veículos com motores a combustão, redes de abastecimento de recarga rápida e ultrarrápida vem sendo instaladas.

No entanto, existem muitos pontos, pouco esclarecidos, que precisam ser considerados. Não se trata aqui de torcer contra ou a favor, defender posições pessimistas, mas apenas uma boa dose de realidade. Deixemos de lado aspectos técnicos negativos e conhecidos dos carros elétricos como autonomia, peso, volume e tempo de recarga das baterias, rede de reciclagem após oito anos e valor de revenda.

Custos de manutenção são baixos, um carro elétrico é fácil de projetar e construir, resolve o problema de emissões locais, mas não totalmente do CO2 e do efeito estufa, pois depende da fonte de geração de energia elétrica.

Entre as dúvidas eletrizantes, com perdão do trocadilho, estão o real desejo do consumidor em migrar do veículo convencional para um alternativo. Autonomia mínima “garantida” entre 400 e 500 km é uma das exigências. Recarga também. SUVs pesados recém-lançados, com baterias poderosas de 100 kWh, se não tiverem pontos de abastecimento ultrarrápidos por todos os lados, exigem três dias e meio em tomadas comuns de 110 V ou metade deste tempo com 220 V.

Consumidores não querem pagar mais caro

Preço é outro problema dos carros elétricos e talvez o mais sensível. Em recente pesquisa da McKinsey com consumidores da China, Alemanha e EUA, 60% responderam que não pagariam um valor extra por um automóvel elétrico. Neste grupo mais exigente, metade afirmou interesse apenas se os elétricos fossem mais baratos que os convencionais.

No site inglês Confused.com, de seguros automobilísticos, 59% dos pesquisados apontaram alto preço como fator mais desencorajador para opção elétrica. Mais de uma resposta era possível: 61% reclamaram da demora para recarregar e 72%, da rede pequena de estações.

A pesquisa mais recente da J.D. Power com compradores de veículos na Alemanha, mostrou certa apatia em relação ao interesse por elétricos. De um modo geral, 74% dizem considerar no futuro a compra de um elétrico a bateria ou por pilha a hidrogênio, híbrido ou híbrido plugável. 26% dos alemães, 60% dos americanos e apenas 4% dos chineses (incluídos na pesquisa) descartam essa possibilidade à frente.

Entretanto, impressionou a empresa pesquisadora o fato de o número de interessados ter parado de crescer na Alemanha, país com forte viés ambientalista e apesar de enorme publicidade espontânea em torno do assunto, que não sai de evidência na mídia e na cabeça dos políticos.

No final do relatório, destacou: “Consumidores céticos não compram tanto quanto aqueles que acreditam em um produto ou em sua proposta. Fabricantes têm um desafio ainda maior do que simplesmente construir os melhores veículos elétricos.”

Conclusão é que não basta ter oferta abundante, se a procura permanece discreta ou hesitante.

Carros elétricos: consumidores ainda não estão interessados
Carros elétricos: consumidores ainda não estão interessados

Alta Roda

ANTONIO FILOSA, presidente da FCA para América Latina, confirmou que a picape média Ram 1500, produzida nos EUA, chegará ao Brasil no fim do terceiro trimestre deste ano. Empresa ainda não decidiu se será fabricada, mais adiante, aqui ou no México (de onde viria sem imposto de importação). Já o SUV italiano 500X depende da cotação do euro para definição de volumes.

GRANDE aposta da marca Fiat é o novo SUV na fábrica de Betim (MG) em 2021, enquanto a Jeep terá versão de sete lugares do Compass, em Goiana (PE). Fisola confia na virada econômica nos próximos anos. “Acredito que o Governo Federal deverá tirar a “bola de ferro” dos pés dos empresários para aumentar a competividade. Nunca sairemos do Brasil”, acrescentou Filosa.

FORTE queda das exportações para a Argentina (em geral responde por 70%) derrubou a produção no Brasil em 10%, quando comparados janeiro de 2019 e 2018. VW, por exemplo, não enviou nenhum veículo para lá, por mais de três meses. Anfavea admite que sua previsão negativa, para o mercado externo este ano, poderá ser revista para números ainda menores.

MERCEDES-AMG A35 4M (306 cv; tração integral) chega em breve: apresentado em evento social em São Paulo (SP). Britta Seeger, diretora mundial de vendas e marketing, confirmou que toda a linha da marca, inclusive híbridos plugáveis, estará disponível aqui se houver demanda sustentável. Estão previstos 20 lançamentos no Brasil, este ano, entre novos e versões.

LISTA das marcas automobilísticas centenárias cresce este ano com Bentley e Citroën. As demais: Alfa Romeo, Aston Martin, Audi, BMW, Buick, Cadillac, Chevrolet, Daihatsu, Dodge, Fiat, Ford, Lancia, Morgan, Mercedes-Benz, Mitsubishi, Opel, Peugeot, Renault, Rolls-Royce, Skoda e Vauxhall. Maserati tem 100 anos, mas produz autos há 80. Algumas pararam por períodos (Aston Martin, Audi, Bentley e Morgan).

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5 Comentários
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    Claudio Bike 16 de fevereiro de 2019

    Não há sentido em ter um carro no Brasil: paga-se 47% de impostos no carro zero, o custo total de propriedade gira em torno de R$ 15 mil reais ao ano. Com o surgimento de soluções múltiplas de transporte, acionáveis por smartfone, quando precisarmos, a realidade mudou para sempre. A industria e os especialistas em automóveis estão sentindo a mina de ouro se esgotar e tentam criar “novidades” como o carro elétrico. Que entrem no novo mercado de serviços…

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      Gabriel 18 de fevereiro de 2019

      Claudio,
      Bem pensado… e sem contar a indútria da multa, então seria uma boa opção andar de Uber ou Taxi.

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      Carlos Alberto 25 de abril de 2019

      Claudio Bike, eu também sou ciclista, quando morava em São Paulo SP ia trabalhar de bike, 12 Km, ida e idem na volta … na volta era mais fácil pois tinha uma boa parte em descida. Mas também tenho carro, afinal, tenho família … não dá para ir a família toda de bicicleta para qualquer lugar. De Uber também não dá para ir visitar parentes que moram em um sítio, estrada 15km não pavimentada … poderia alugar um carro mas toda vez alugar um carro …

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    Paulo Roberto 15 de fevereiro de 2019

    Gostaria de saber a resposta de 3 coisas:
    1) Quantos anos dura uma bateria de um carro 100% elétrico;
    2) Qual é a vida útil de uma bateria de um carro 100% elétrico;
    3) Se eu tiver que carregar a bateria de um carro 100% elétrico na minha casa quanto vai vir a conta da energia elétrica.
    Pois se a bateria durar uns 4 anos e custar uns 30% do valor de um carro 0 km seria desvantajoso, então após 4 anos seria decretada a perda total do carro. Isso não seria nada ecologicamente correto, gastar mais energia para produzir um carro novo e ter que reciclar o carro usado que chegou ao fim a vida útil da bateria. Mas no Brasil reciclar não sei se cola… iria talvez amontoar no ferro velho um mar de carros elétricos.
    E carregar celular em casa já está difícil com o preço da conta de energia elétrica, ter ar condicionado é luxo devido ao alto consumo de energia, chuveiro tem que ser breve senão a conta de energia te pega na curva, então uma super bateria de um carro elétrico na tomada da minha casa seria uma facada?

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      Glauco 21 de março de 2019

      A durabilidade das baterias de lítio está em cerca de 2000 ciclos. Pra um carro com 200km de autonomia você teria bateria durando cerca de 400.000km.

      Carregando o carro em casa, com o custo da concessionária local, você vai gastar no máximo 30% do seu equivalente em gasolina / etanol, com a possibilidade de utilizar energia solar fotovoltáica, pra amenizar a conta.

      Os ciclos de troca das baterias de lítio ainda não estão bem definidos, porque a durabilidade é alta, e as marcas devem chegar com garantias “generosas”.

      Não dá pra comparar a sustentabilidade da mecânica elétrica com a combustão, a eficiência de um é cerca de 30% o outro 90%, o mesmo acontece com a quantidade de componentes, a mecânica elétrica é muito mais simples…pena, que ainda cara.

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