“Precisa fechar? Feche!”

Fábricas de automóveis são tradicionais 'pidonas' de favores governamentais. Mas, dessa vez, só a GM está chorando as pitangas…

Por Boris Feldman27/01/19 às 11h06

A contabilidade das fábricas de automóveis é um indecifrável mistério pois elas estão sempre em Brasilia, de chapéu na mão, pedindo (mais) favores, isenções e incentivos. E obtiveram, no final de 2018, o que pediam ao governo federal: um plano de incentivos – Rota 2030 – para balizar pelo menos seus próximos 15 anos.

Mas, na semana passada, uma novidade: só a General Motors, alegando prejuízos nos últimos três anos, foi de chapéu na mão pedir ao governo estadual uma antecipação do retorno de ICMS. E, enquanto isso, sua presidente em Detroit (EUA) ameaça sair da América do Sul e condiciona sua permanência aqui à realização de lucros.

Num erro grosseiro de comunicação, a GM Brasil enviou comunicado a seus funcionários pedindo compreensão e apoio neste momento difícil. Que vazou e tornou público seus problemas internos. Ou, talvez, tenha sido este mesmo seu propósito…

Por quê só a GM desta vez?

Quem acompanha o setor vê  outras empresas investindo, atualizando ou lançando novos modelos, modernizando ou construindo novas fábricas. As asiáticas, por exemplo: Honda manteve uma nova fábrica fechada por três anos, mas acaba de iniciar suas operações.

Toyota e Hyundai não param de investir, vender e lucrar. A Ford, sem maiores chorumelas, está resolvendo suas aflições operacionais: vai fechar suas gigantescas e ociosas instalações de São Bernardo do Campo (SP), encerrar a deficitária produção de caminhões e do Fiesta e concentrar suas operações industriais em Camaçari e Taubaté.

A Volkswagen coloca neste ano, um ponto final numa longa série de balanços deficitários graças a uma renovação de modelos e enxugamento de operações.

Até dois grupos nacionais acreditam e investem: o Caoa assumiu as operações da Chery e o BTG Pactual (associado a Eduardo Souza Ramos) mantem a produção de Mitsubishi e Suzuki sob franquia.

A GM cometeu erros de gestão nos últimos anos. A começar de sua linha de modelos. Ela se diz líder de mercado (mas é a FCA, somadas as marcas Fiat e Jeep) e o Onix é o disparado o carro mais vendido do mercado, porém de baixa rentabilidade. E concentra quase metade de suas vendas no chamado mercado de atacado (frotistas), principalmente locadoras, onde a margem de lucro é irrisória. Não é a-tôa que outras marcas desistiram (ou nem entraram) no segmento.

Não investiu em picapes compactas: mantem sua velha Montana enquanto Fiat, Volkswagen e Renault produzem e lançam novos modelos. E os SUVs, outra grande paixão do brasileiro? Os modelos de maior volume, Tracker e Equinox são importados do México. E fabrica aqui a Trailblazer.

Cometeu vários enganos ao ampliar sua gama: alguém se lembra do Sonic e do Agile de curta e mal explicada permanência no mercado?  Esqueceu-se também da tecnologia: enquanto outras marcas já oferecem há tempos os eficientes motores tricilindrícos em seus compactos, o que faziam seus engenheiros? Por que só chegam agora, com anos de atraso?

Enquanto outras marcas procuram concentrar geograficamente suas atividades, a GM diversifica as suas. Tem fábricas em São Caetano, Gravataí, Joinville e São José dos Campos. E centros de distribuição de peças em Mogi das Cruzes e Sorocaba. Qual o custo logístico de cada uma?

Novas unidades industriais no Brasil podem ser extremamente rentáveis, Ford e Fiat que o digam, com suas fábricas de Camaçari (BA) e Goiana (PE) financiadas pelo governo federal e que acabaram de prorrogar por mais cinco anos (até 2025) os generosos incentivos que resultam em operações extremamente lucrativas. O caminho pode ser meio tortuoso e pouco ortodoxo, mas os resultados estão abarrotando seus cofres. Onde estavam os diretores da GM que não perceberam essa oportunidade?

Mercado peculiar

Apesar de quase centenária no Brasil (iniciou suas operações aqui em 1925) e de ter produzido modelos icônicos como Chevette, Corsa, Monza e Opala, a GM dá mostras de ter perdido a bússola que sinaliza seu comportamento num mercado tão peculiar como o brasileiro.

Mas a GM precisa entender que o Brasil mudou. Mal acostumada com as dezenas de anos em que o governo era chantageado por empresas com problemas financeiros e que ameaçavam demitir milhares de funcionários, seus executivos levaram o seu tradicional chapéu a Brasilia. E voltaram de lá com a resposta que sempre deveriam ter recebido do Ministério da Fazenda: “Se precisar fechar a fabrica, feche!”

Ponto final no capitalismo de araque: o lucro é da empresa, o prejuízo é socializado…

GM não está em compasso com o mercado

Foto Shutterstock

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18 Comentários
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    sil. 15 de março de 2019

    vai pra ver… se a china não emboca lá no lugar dela, cuidado com a china GM , Ford ,outras e E U A os caras nao estao para brincadeira vacilou na beira da lagoa jacare pega heimmm rssssss

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    Marisa 1 de fevereiro de 2019

    Que choradeira, que papelão!
    Quanta injustiça com os trabalhadores… ameaças, demissões, cortes de direitos.
    Detém 20% do mercado brasileiro e ainda não é suficiente???
    Tem coragem?
    Então, “Tchau querida!”

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    Marisa 1 de fevereiro de 2019

    Que choradeira, que papelão!
    Quanta injustiça com os trabalhadores… ameaças, demissões, cortes de direitos”.
    Detém 20% do mercado brasileiro e ainda não é suficiente???
    Tem coragem?
    Então, “Tchau querida!”

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    Sysop 28 de janeiro de 2019

    As empresas tem razão… governo brasileiro só surrupiam as mesmas e mais …os consumidores !!

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    Clovis Padilha 28 de janeiro de 2019

    Faltaram. Gordini , DKW , Gurgel e o Presidente

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    Junior 27 de janeiro de 2019

    Brasileiro é difícil mesmo. Vá embora GM?.?? Alguém pensou por um segundo quantos empregos diretos e indiretos a GM fornece. Dezenas de milhares!! Vá embora vale do Rio Doce!

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      Celio* 28 de janeiro de 2019

      Junior,
      Se fechar, outra irá substituí-la…
      É como aquela música do Raul… “Se você mata uma, vem outra em meu lugar”.

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    Celio* 27 de janeiro de 2019

    Como comprador de quatro carros novos dessa marca, mas sem querer adquirir outro, eu quero mesmo que fechem e desapareçam daqui.
    GM go home!

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    Francisco Roberto Santangelo 27 de janeiro de 2019

    As fábricas em geral se acostumaram a se beneficiar dos incentivos fiscais para manter suas fábricas aqui é com isso produzem seus produtos com salários defasados e vendendo a preços exorbitantes

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    François Ruprecht 27 de janeiro de 2019

    Já faz tempo demais que a GM Brasil engana seus clientes com veículos sem graça, sem tecnologia, sem qualidade, sem nada. Acha que ainda pode capitalizar sobre o sucesso do Opala. Hoje ela paga pela imagem de antiquada e desatualizada que construiu mantendo o famigerado Opala em linha por vários anos depois de sua “morte” conceitual: um carro com tecnologia dos anos 1950 que a GM Brasil insistiu em produzir até os anos 1990. Perdeu o bonde. O management recennte da GM USA errou muito: nunca compreendeu o mercado brasileiro, nunca respeitou os executivos locais e sufocou iniciativas da GM Brasil. Agora vai ter que pagar, se quiser se manter no mercado.

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    José A J Vital 27 de janeiro de 2019

    Lembrando também que a GM de SBC é o berço e um dos principais redutos do LuloPetralhismo……O que deixa a vontade do governo federal ajudar mais frágil ainda.

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      Celio* 27 de janeiro de 2019

      Governo decente não deve, ou pelo menos não deveria, se ater a diferenças políticas para resolver assuntos de interesse da nação.

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      Claudinei Ambrosino arantes 28 de janeiro de 2019

      Nunca existiu Gm em São Bernardo do Campo tu sonhou né

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      Paulo Albuquerque 28 de janeiro de 2019

      Hahahaha. A GM nunca teve fábrica em São Bernardo do Campo.
      Cada figura que aparece para dar sua valoroza opinião por aqui….

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    Levy Fernando Hilgenberg Júnior 27 de janeiro de 2019

    Quem acredita na GM? Esse golpe vem funcionando há décadas, e nós brasileiros pagando pelo carro mais caro do mundo. Certa vez o presidente da Mercedes Benz indagado porque os carros no Brasil eram tão caros, cinicamente respondeu: porque o brasileiro paga!

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    Fernando 27 de janeiro de 2019

    Enquanto as montadoras e grandes empresas deixam de pagar 270 BILHOES em impatos (2017) os aposentados e servidores publicos vao pagar a conta.
    Detalhe: deputados, juizes, MP, senadores, vereadores e militares continuarao com as mamatas e privilegios.

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    Elizeu Souza 27 de janeiro de 2019

    Ja era hora do governo acordar e parar de aceitar tudo que as montadoras pedem. Carros com preços absurdos e com minimo de acessórios, mas sempre com a mesma conversa que estão no prejuízo. O governo precisa rever esses preços altíssimos praticados pelas as montadoras.

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    Flavio 27 de janeiro de 2019

    A rota 2030 incentiva as empresas que tem pesquisa e desenvolvimento no pais, a GM foi pelo caminho inverso e fechou sua área de P&D no Brasil a 2ou 3 anos atrás demitindo cerca de 500 engenheiros ou mais, agora fica chorando para o governo por novos incentivos.
    Lamentável!!!!

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