[Impressões] Andamos no Fiat Cronos

Sedã derivado do Argo comete alguns deslizes em relação à concorrência, mas também tem bons atributos para encará-la

Por Felipe Boutros07/02/18 às 10h34

Sedã derivado do Fiat Argo, o Cronos será lançado no fim deste mês. O modelo terá vida dura: além de concorrentes já estabelecidos no mercado – como o Hyundai HB20S, o Chevrolet Prisma, o Honda City e o Chevrolet Cobalt – terá que encarar o Volkswagen Virtus. Este é considerado seu principal concorrente, já que é a versão três volumes do Polo. No segundo semestre, para piorar, a Toyota irá apresentar o Yaris sedã, modelo que ficará posicionado entre o Etios e o Corolla.

Andamos no Fiat Cronos, sedã do Argo

Ao contrário do Virtus, que ganhou mais espaço interno em relação ao Polo (8,6 cm a mais de entre-eixos, totalizando 2,65 m), o Cronos tem o mesmíssimo entre-eixos do Argo. São 2,52 m.

Durante a pré-apresentação, executivos da Fiat garantiram que, graças ao rearranjo de componentes, houve ganho de 1 cm no espaço para as pernas. A explicação é que alongar o entre-eixos traria prejuízo ao desenho do sedã, com caimento do teto e comprometimento do espaço para a cabeça dos ocupantes do banco traseiro.

Andamos no Fiat Cronos, sedã do Argo

Falando em desenho, para tentar se diferenciar um pouco mais do Argo, o para-choques, o capô e a grade têm desenhos próprios. Inclusive, dão ao sedã um ar mais esportivo em relação aos componentes utilizados no hatch.

Na prática, há espaço sim para quatro adultos. Sem sobras, mas também sem quaisquer apertos. O porta-malas tem capacidade para 525 litros.

Por dentro, destaque para o bom padrão do acabamento. A utilização de texturas diferentes dá um toque de sofisticação ao Cronos, completado com o bom encaixe das peças. Chama a atenção a tela sensível ao toque de sete polegadas no centro do painel.

Andamos no Fiat Cronos, sedã do Argo

O Cronos será vendido em duas versões de acabamento: Drive e Precision. A primeira será equipada com o motor 1.3 Firefly, que rende 109 cv de potência com etanol e 101 cv com gasolina. O torque é de 14,2 kgfm e 13,7 kgfm a 3.500 rpm, respectivamente. Nessa configuração, haverá a opção de câmbio automatizado GSR (ex-Dualogic).

Já o Cronos Precision terá o 1.8 eTorQ, que entrega 139/135 cv de potência e 18,3/18,7 kgfm de torque com etanol/gasolina. Nesse caso, a Fiat irá oferecer opção de câmbio automático de seis marchas.

Diferentemente do Argo, o Crono não terá nenhuma configuração equipada com motor 1.0.

Como o Cronos anda

Em um rápido test-drive entre Betim e Lagoa Santa, cidades da região metropolitana de Belo Horizonte, dirigimos as versões 1.3 Drive e 1.8 Precision, ambas com câmbio manual de cinco marchas.

O 1.3 Firefly surpreende e consegue empurrar o Cronos com desenvoltura, mesmo com quatro ocupantes no sedã.  O câmbio segue o padrão Fiat: engates longos e poucos precisos. Já o acerto de suspensão (dianteira McPherson e traseira com eixo de torção, ambas com calibração específica) segue a linha do Argo: garante boa dirigibilidade e conforto. A direção elétrica também está bem calibrada.

A Fiat pecou em não oferecer nesta versão os importantes controles de estabilidade e tração. Mas fez bom serviço em termos de segurança ao oferecer os dois dispositivos em todas as outras – inclusive na 1.3 GSR – que também recebem o sistema de auxílio de partida em rampa, o Hill Holder.

Ainda neste quesito, a marca italiana não irá mandar o Cronos e o Argo para testes de colisão patrocinados do Latin NCAP. Vão esperar o crash test independente, mas garantem que os dois modelos estão no mesmo patamar dos concorrentes. Polo e Virtus ganharam cinco estrelas, a nota máxima.

Como era de se esperar, o 1.8 tem um desempenho razoavelmente superior. Recentemente, a Fiat retrabalhou esse motor para aumentar a oferta de força em rotações mais baixas – 85% do torque está disponível a partir de 2.000 rpm. A dirigibilidade agrada na cidade.

O isolamento acústico é eficiente. É possível conversar sem ser necessário elevar o tom de voz.

O Cronos segue o padrão do Argo como o melhor Fiat já feito no Brasil. Comparado aos novos concorrentes, peca em não ter ganhado espaço interno significativo em relação ao hatch de origem. Agrada pelo acabamento e desenho. Provavelmente, o fiel da balança nessa briga deverá ser o preço, a ser revelado no próximo dia 21.

Versões e equipamentos

Fiat Cronos 1.3 Drive: ar-condicionado, direção elétrica, central multimídia, sistema ISOFIX, vidros dianteiros elétricos, trava elétrica, chave com telecomando, iTPMS, volante com regulagem de altura, banco do motorista com regulagem de altura, duas portas USB e rodas de aço de 15”. Ao contrário do Argo, o Cronos 1.3 Drive não vem com o sistema Start&Stop que não é ofertado nem como opcional.

Fiat Cronos 1.3 Drive GSR: Todos os itens da Drive e agrega os controles de tração e estabilidade, Hill Holder, paddle shifts, piloto automático, apoio de braço para o motorista, ambiente Lights, vidros elétricos traseiros, retrovisores externos elétricos e luz de setas nos retrovisores.

Fiat Cronos 1.8 Precision: Todos os itens da 1.3 Drive manual e agrega rodas de liga leve de 16”, faróis LED Design, sensor de estacionamento traseiro, volante com regulagem de profundidade, faróis de neblina, vidros elétricos traseiros, retrovisores externos elétricos, luz de seta nos retrovisores banco traseiro bi-partido, Hill Holder (HH) e controles de tração (TC) e estabilidade (ESC).

Fiat Cronos 1.8 Precision AT6: Todos os itens da anterior e agrega paddle shifts, maçanetas e frisos das portas cromados, piloto automático, ambiente lights, apoio de braço para o motorista e volante revestido em couro.

Fotos: Marlos Ney Vidal/Divulgação e Fiat/Divulgação


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2 Comentários

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  • Jacob 8 de Fevereiro de 2018

    Não entendo essa mania de comparar o Cronos com carros que não são seus concorrentes diretos. Ele tem tamanho e posicionamento para brigar com Chevrolet Prisma e Hyundai HB20S, a Fiat já apontou isso. Então por que sair por aí dizendo que ele tinha que ter mais tamanho? Teria se ele quisesse concorrer com VW Virtus e Chevrolet Cobalt, mas essa não é a intenção da Fiat, me parece. É claro que todos são sedãs e, em algum momento, os preços vão se engalfinhar, mas não vi ninguém comparando Virtus a Civic, por exemplo. Porque são subfaixas diferentes. Virtus, Cobalt e City são médio-compactos. Prisma, HB20S e Cronos, compactos (no máximo, compactos premium).

    • André 14 de Fevereiro de 2018

      Jacob o problema é que os preços serão próximos ao virtus e city, bem mais caros que prisma e hb20s.

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