Novo cálculo do IPI está reduzindo potência nos carros 1.0 turbo
Nos últimos meses os lançamentos de modelos com esse tipo de motor contavam com 115 cv, isso não é mera coincidência
Publicado em 23/08/2026 às 09h00
Quem acompanhou as notícias dos últimos lançamentos deve ter notado que os carros com motores 1.0 turbo estão com 115 ou com 116 cv. Essa redução não veio para reduzir emissões ou consumo, a mudança faz parte dos benefícios fiscais do Governo Federal para o programa industrial Mobilidade Verde e Inovação (Mover).
O novo cálculo do IPI para carros leva em conta fatores como índice de componentes recicláveis, sistemas híbridos, motores flex ou a etanol, potência e outros. Quando mais “verde” for o modelo, menor será a alíquota cobrada.
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A alíquota base do IPI para automóveis é de 6,3%. Esse valor pode subir ou diminuir em alguns pontos percentuais conforme os seguintes fatores:
- Elétricos: -2 p.p
- Híbridos PHEV flex (ou etanol): -2 p.p
- Híbrido HEV flex (ou etanol): -1,5 p.p
- Híbrido MHEV flex (ou etanol): -1 p.p.
- Etanol: -0,5 p.p.
- Flex: 0
- Híbrido PHEV (gasolina): +2 p.p.
- Híbrido HEV (gasolina): +3 p.p.
- Híbrido MHEV (gasolina): +4,5 p.p.
- Híbrido PHEV (diesel): +3 p.p.
- Híbrido HEV (diesel): +4 p.p.
- Híbrido MHEV (diesel): +5,5 p.p.
- Gasolina: +6,5 p.p.
- Diesel: +12 p.p.
Ser 1.0 não é mais vantagem

Uma outra mudança foi parar de considerar o deslocamento do motor para calcular o imposto. Não existe mais aquele antigo desconto para carros com motores 1.0, que foi explorado pelos fabricantes nos últimos anos graças ao turbo.
Esse fator deu lugar a potência do motor, foram criadas quatro faixas para a tributação reduzida. Veja quais são:
- Até 115,6 cv: 0 p.p.
- Até 142,8 cv: + 0,75 p.p.
- Até 179,5 cv: + 1,5 p.p.
- Até 224,4 cv: + 3,0 p.p.
Como não existe aumento no IPI para motores com até 115,6 cv, as montadoras reduziram a potência de seus motores 1.0 turbo no decorrer de 2026. A primeira a fazer isso foi a Chevrolet, que foi atualizado no início de 2025 para render 121 cv com etanol e depois perdeu 6 cv para pagar menos impostos.
A Hyundai fez o mesmo com o i20, que utiliza o mesmo motor do HB20 e do Creta. Porém no novo compacto a potência máxima foi reduzida de 120 cv para 115 cv, essa mudança virá para os outros carros equipados com o 1.0 TGDI.
O caso mais recente foi o da Stellantis, que diminuiu a potência de seu 1.0 turbo de 130 cv para 116 cv (115,6 arredondados para cima). O torque foi mantido em 20,4 kgfm, a alteração apenas afetou o pico de potência máxima.
Os cortes de potência também afetaram motores maiores. Segundo a revista Auto Esporte o 1.5 turbo da Caoa Chery agora é acertado para entregar 143 cv, enquanto o 1.6 turbo da mesma marca passou de 187 cv para 180 cv.
Outro 1.6 turbo afetado foi o do Hyundai Creta, que caiu de 193 cv para 176 cv quando passou a ser produzido no Brasil e virou flex. Na Volkswagen essa mudança foi feita usando o 170 TSI de 116 cv no Polo, Tera e algumas versões do Virtus.
Na fila da perda de potência está também o 1.0 turbo do Renault Kardian, que hoje rende 125 cv e em breve perderá 10 cv sem perder o bom torque de 22,5 kgfm. Já modelos aspirados, como a linha nacional da Honda e o Toyota Yaris Cross não deverão mudar.
Híbridos leves ficarão mais populares

Para os carros flex com mais de 115,6 cv uma forma de ter descontos no IPI é adotar a eletrificação. Um sistema híbrido plug-in reduz o tributo em 2%, um híbrido pleno tem desconto de 1,5% e os híbridos leves têm 1% de redução no tributo.
A Stellantis aumentou a oferta de seus sistemas MHEV, o Jeep Avenger estreou trazendo apenas motorizações eletrificadas, por exemplo. Já a Chevrolet e a Volkswagen já anunciaram que terão carros com esse tipo de eletrificação leve, mas com 48 volts.
A Renault trabalha em um sistema híbrido leve de 48 volts mais avançado para o Boreal e a picape Niagara, que utiliza um motor elétrico para tracionar o eixo traseiro. Esse esquema já existe na Europa em carros da Dacia e permite uma economia maior de combustível.
A revista Quatro Rodas apurou que a Honda trabalha em um sistema híbrido leve para o motor 1.5 aspirado de City, HR-V e WR-V. Isso será inédito na marca, que hoje possui apenas eletrificações plenas ou plug-in.
Essa mudança na forma de calcular o IPI nos carros brasileiros irá mudar o nosso mercado nos próximos anos. Não se assuste com a profusão de modelos com 115 cv ou com os híbridos leves que serão lançados até 2030.
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