Nissan Kicks SL 1.6

Apostando na leveza

Por Sérgio Melo26/10/16 às 13h02

O Nissan Kicks chegou para disputar o disputado mercado dos utilitários esportivos compactos — os SUVs, na sigla em inglês — e no mês de outubro foi o quinto mais vendido da categoria atrás do Honda HR-V, Jeep Renegade, Ford Ecosport e Renault Duster. A Nissan, presente no Brasil há 15 anos tem origem na Datsun, fundada em 1914, e é líder de vendas na Ásia, além de crescer muito no mercado norte-americano. A receita adotada pela montadora de origem japonesa é parecida com os líderes do segmento. Aliás, as medidas do Kicks são quase as mesmas do HR-V e um pouquinho maiores que o Renegade, os campeões da categoria.

As medidas do Kicks são quase as mesmas do HR-V e um pouquinho maiores que o Renegade (Foto: AutoPapo)

O que destaca o modelo da Nissan é a leveza. O volante é super leve, os pedais suaves, os comandos fáceis de serem acionados e as manobras descomplicadas. Mérito também para o sistema de câmeras que mostram tudo ao redor do veículo. Só arranha o carro em alguma coluna da garagem, no veículo da frente ou no de trás quem deliberadamente tiver esse propósito.

O espaço interno é um ponto positivo, mesmo sendo um veículo compacto, quatro adultos e uma criança vão muito bem acomodados com sobra de espaço para os joelhos. O porta-malas, por exemplo, é cerca de 50% maior que o de um de seus concorrentes. O visual interno é moderno e interessante e o acabamento bem feito. Porém, a maior parte do revestimento é de plástico duro, com exceção de uma região do painel em couro e com uma bonita costura, além de parte do forro das portas. Outra falha é a falta de saídas de ar condicionado e tomadas USB para os passageiros traseiros.

Sem sobra de potência ou pretensão esportiva o desempenho é honesto. Embora sejam muito divertidos os potentes e beberrões motores com alta cilindrada a consciência ecológica atual pede por opções mais racionais entre a real necessidade dos consumidores e o consumo de combustível.

O design é um dos pontos fortes do Kicks, que tem coluna traseira ascendente e teto flutuante (Foto: AutoPapo)

Aliás, o Kicks apresenta elogiável equilíbrio entre potência, agilidade, estabilidade e tamanho. Embora o motor 1.6 ofereça apenas 114 cv de potência, como o veículo é mais leve que os concorrentes o desempenho, ou seja a relação peso/potência, está na média de seus concorrentes.

A transmissão automática do tipo CVT — que até pouco tempo atrás significava respostas preguiçosas e pesadonas — com o bom acerto adotado no Kicks proporciona reações bastante ágeis tanto na estrada, quanto na cidade, com respostas rápidas e suaves.

Faltam borboletas no volante para simulação de marchas conforme a vontade do motorista. A possibilidade de manutenção da rotação do motor elevada por meio da posição L (Low) da alavanca não resolve o problema. O modo esporte que pode ser acionado por meio de um tímido botão na alavanca, quase passa despercebido de tão escondido. Após pisar fundo e retirar o pé ele costuma acelerar ainda mais por alguns instantes, o que assusta muito.

Cabine tem painel acolchoado e coberto parcialmente em couro; interior transmite requinte (Foto: AutoPapo)

A suspensão tem ótimo acerto entre suavidade e estabilidade, mas falta “stop hidráulico” nos amortecedores para evitar a violenta pancada que acontece quando as rodas descem completamente em oscilações maiores, como quebra molas ou buracos mais graúdos. Como a tração é 4X2, esqueça qualquer ideia de enfrentar terrenos mais difíceis ou a prática de “off road”. Atualmente só há uma versão disponível, a “SL” importada do México, mas a marca informa que a fabricação nacional começará em 2017.

No conteúdo merecem destaque: painel de instrumentos com tela LCD onde é possível escolher as informações preferidas, chave presencial, auxiliar de partida em rampas, assentos em couro e multimídia com tela touch de 7 polegadas.

Mas são pontos negativos a ausência de controlador de velocidade de cruzeiro automático, de descanso de braço central e das modernas tecnologias de conexão ou espelhamento do celular no painel multimídia do veículo. Também não há frenagem autônoma, supervisão de faixas e monitoramento de pontos cegos.

Há controles eletrônicos de tração e estabilidade, com uma novidade que chamada pela Nissan de Controle Dinâmico de Chassi, capaz de minimizar a oscilação da carroceria por meio de redução da transmissão e frenagem independente em determinadas rodas. Há ainda air bags frontais dianteiros, laterais dianteiros e de cortina para todos os ocupantes.

Destaque do Kicks na comparação com os rivais é o porta-malas generoso, com 432 litros (Foto: AutoPapo)

O que é? SUV compacto com 04 portas.

Onde é feita? México, Águas Calientes.

Quanto custa? O Kicks na versão topo de linha SL parte de R$ 89.990. Com pintura em duas cores cinza/dourado custa R$ 93.840. A versão SV parte de R$ 84.900.

Com quem concorre? Uma nova legião de SUVs liderada por Honda HR-V, Jeep Renegade e Ford Ecosport Titanium.

Como anda? Motor 1.6 flex com 114 cv e 15,5 kgfm de torque. Velocidade máxima de 175 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 12 segundos.

Como bebe? O modelo é bastante econômico. Com nota “A” na categoria e “B” em relação a todos os modelos é o melhor classificado no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular do Inmetro entre os concorrentes diretos. Seus números são: Com etanol cidade/estrada — 8,1/9,6 km/l e com gasolina cidade/estrada — 11,4/13,7.

Pontos positivos: Conforto, estilo, preço.

Pontos Negativos: Falta ar-condicionado traseiro, amortecedores, transmissão sem acionamento manual.

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