Subaru XV Crosstrek

Japonês que joga nas onze

Por Marcus Celestino16/08/16 às 17h13

A reação dos outros motoristas, e até dos pedestres, quando se deparam com o Subaru XV Crosstrek (cujo preço sugerido é de R$ 112.900) nas ruas é curiosa. Apesar do visual relativamente sóbrio, poucos têm conhecimento acerca de qual fabricante aquela insígnia disposta ao centro da grade representa. Além disso, na traseira, as duas letras que formam o nome do modelo também são alvos constantes de olhares curiosos. Fora o magnetismo, o hatch médio com carinha de utilitário aventureiro é dono de características interessantes e tem como público-alvo famílias que têm apreço por veículos confiáveis; e que não ligam para a maior desvalorização dos importados ante os nacionais.

Derivação do Impreza, o XV traz muitas similaridades com o hatch. O crossover (vamos nos ater a alcunha de crossover, tudo bem?) conta com as já tradicionais alterações para versões aventureiras de modelos urbanoides que fabricantes emplacam no país há tempos. O carro tem 22 cm de altura em relação ao solo, o que, de fato, proporciona maior facilidade na hora de enfrentar as nossas fustigadas vias – ao contrário de outros modelos com a mesma proposta, que não aguentam o tranco e recebem apenas uma nova indumentária para pagar de cowboy.

O visual do Subaru, como mencionado anteriormente, não é nada descolado, mas até que a grade dianteira e as rodas de liga leve de 17’’ tentam dar uma pegada mais cool ao design; o que não acontece. O interior conta com acabamento esmerado e pedais cromados que tentam dar ao modelo um quê de esportividade, porém a sobriedade também impera no habitáculo. Não, não é uma crítica, de forma alguma. Abdicar do estilo em detrimento da substância, nesse caso, não seria interessante.

Em termos de espaço, o interior do XV acomoda cinco ocupantes sem maiores problemas. O porta-malas de capacidade de 310 litros, porém, deixa um pouco a desejar – especialmente para famílias que gostam de cair na estrada. No entanto, ponto positivo para a segurança. Além de airbag duplo dianteiro, airbag lateral na dianteira e laterais de cortina, todos os passageiros contam com cinto de três pontos e apoio de cabeça. Para facilitar a vida do condutor, fazem as vezes controles de estabilidade e tração e distribuição eletrônica de frenagem.

Guiando

A Subaru se orgulha dos seus motores boxer, que otimizam equilíbrio e estabilidade graças ao menor centro de gravidade do veículo. Não à toa, é claro que o XV é equipado com um: 2.0 aspirado, que entrega 150cv de potência a 6.200 rpm e 20 kgfm de torque a 4.200. O propulsor casa com transmissão automática do tipo CVT que simula seis velocidades e proporciona trocas manuais ao condutor por meio de aletas. A suspensão é independente nas quatro rodas, do tipo MacPherson na dianteira e com braços sobrepostos com barra estabilizadora na traseira.

Em ambiente urbano o conjunto trabalha muito bem, se portando de maneira eficaz. Contudo, o consumo é um tanto alarmante. Nas aferições, que pode ser verificado em tela ao centro do console. Em Belo Horizonte, cidade de topografia acidentada, o crossover fez 7,6 km/l. Já em Macaé, município do interior do Rio de Janeiro de vias mais planas, o beberrão consumiu 8,0 km/l.

Na estrada o crossover teve um rendimento pouco melhor em termos de consumo. Foram 11,1 km/l na BR-040, entre Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Na rodovia foi possível desfrutar de outra das principais características dos modelos da fabricante: o “Symmetrical All-Wheel Drive” (Tração Integral Simétrica, em tradução literal). Tudo é organizado em linha, fazendo com que a distribuição de peso seja perfeita, otimizando, e muito, a estabilidade do veículo.

Tal tecnologia, vale frisar, pôs a Subaru em evidência no mundo dos ralis – e também no mundo dos games (quem aí se lembra da vasta e maravilhosa lista de versões do Impreza em Gran Turismo?). Por isso, guiar o XV se assemelha muito a conduzir um carrinho de autorama, diretamente ligado a um fio que conduz seu traçado. Mesmo pesadão, do alto de suas 1.415 toneladas, o comportamento do nipônico inspira muita confiança nas curvas. O condutor tem de, inclusive, tomar cuidado para não abusar.

O grande problema do crossover na estrada, porém, é sua “preguiça”. O trem de força é incapaz de empurrar o modelo. A potência máxima do motor só é alcançada na casa das 6.200 rpm, enquanto o torque máximo nas 4.200 rpm, e a transmissão CVT dá cabo de anestesiar o XV e também de causar uma barulheira – dada a falta de sintonia com o propulsor. No entanto, é bom destacar que o excelente trabalho de isolamento acústico do habitáculo evita que nossos ouvidos sejam fustigados por isso.

Equipamentos

O XV Crosstrek conta com uma boa gama de itens de série. Comercializado em versão única no Brasil – considerada intermediária nos Estados Unidos -, o veículo oferece ar-condicionado automático com duas zonas de temperatura, computador de bordo com função ECO, teto solar elétrico, sistema de abertura, volante com comandos para som, Bluetooth e controle de velocidade de cruzeiro, travamento das portas e partida do motor sem uso de chave e faróis de xênon com nivelador automático. A nível de segurança, o veículo conta com, além dos itens já citados no início do texto, assistência de partida em aclives e fixação para cadeirinha Isofix.

Veredito

O XV não é apenas mais um urbano travestido de aventureiro e é capaz de encarar desafios moderados. Apesar do desempenho mediano em estradas e porta-malas aquém do necessário para quem gosta de viajar bastante, o crossover é dotado do clássico e confiável acerto mecânico da Subaru, conta com acabamento esmerado e é perfeito para quem anseia por comprar e permanecer com o mesmo veículo por muitos anos.

Subaru XV Crosstrek
(Subaru/Divulgação)
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