Toyota Corolla XRS

Parece, mas não é

Por Sérgio Melo22/05/17 às 16h09

Com o mesmo motor, transmissão e suspensão que os irmãos de mesma cilindrada, a esportividade do Toyota Corolla XRS fica restrita aos elementos visuais. Na verdade, é o mesmo carro que o XEi, mas com interior preto e pequenas diferenças, que por serem tão discretas é melhor listar as mais relevantes para facilitar a percepção do leitor: desenho interno dos faróis, aplique na porção inferior do para-choques dianteiro, para-choques traseiro com aspecto mais robusto, saias laterais sob as portas e aerofólio na tampa traseira.

Embora não chegue a emocionar, o desempenho do Corolla XRS atende com ligeira sobra ao uso familiar, principalmente no modo Sport em médias rotações, quando o vigor e esperteza agradam bastante. Para mudar para a faixa ao lado onde o trânsito está mais rápido, basta “cutucar” meio acelerador que ele ganha velocidade facilmente. Outra característica positiva é a leveza do motor, que parece trabalhar sem esforço. Até quando você tira o pé, ele segue livre e solto como se não houvesse atrito. Durante as frenagens em descidas, seria até melhor que a transmissão se antecipasse em reduzir para ajudar a segurar o veículo.

Toyota Corolla XRS

A transmissão automática CVT bastante rápida e suave na variação das relações, mantém o motor sempre na rotação ideal, garantindo respostas firmes e economia de combustível. Quem quiser trabalhar por um comportamento mais esportivo como a aparência do modelo sugere, pode fazer o acionamento sequencial de marchas pela alavanca do câmbio ou botões atrás do volante. Por serem menores que as borboletas normalmente adotadas para essa finalidade, a operação se torna mais difícil, sobretudo durante a agitada pilotagem esportiva. A direção assistida eletricamente foi recalibrada e está mais agradável que nas versões anteriores.

A suspensão é um item que merece elogios especiais. Em meio à apologia pelas suspensões duras adotadas na maioria dos veículos vendidos em nosso país – maravilhosas na Europa, mas que castigam os ocupantes no “rally urbano” de buracos e quebra-molas brasileiro – o acerto adotado pela fabricante consegue excelente conforto sem abrir mão da estabilidade. Claro que suspensões mais firmes têm maior vocação para estabilidade, mas em um veículo nacional voltado para a utilização familiar não faz sentido sofrer um ano inteiro pulando como um cabrito para um aumento imperceptível de firmeza nas curvas a ser desfrutado apenas nas estradas.

Toyota Corolla XRS

Acabamento e segurança

No interior, bom acabamento com muito plástico duro e algumas superfícies revestidas por materiais agradáveis ao toque. O visual com ares de anos 1980 decepciona. O painel chapado é quase uma parede reta à frente dos ocupantes dianteiros, sem o aconchego da tridimensionalidade. Há também uma série de volumes praticamente quadrados no forro das portas e console central que poderiam ser redesenhados. Por fim, a pérola é o relógio de horas digital. O ar-condicionado com uma só zona é digital, mas não tem saída para os passageiros traseiros; e o sistema multimídia fica devendo as modernas tecnologias de espelhamento e controle do celular como em certos concorrentes. Surpresa positiva frente ao conservadorismo nipônico é a abertura das portas e partida do motor sem necessidade de uso da chave.

Toyota Corolla XRS

Quanto à segurança, o Corolla finalmente ganhou controles eletrônicos de tração e estabilidade. Além disso, o modelo conta com auxiliar de partida em rampas e sete airbags: dois frontais, dois laterais, dois de cortina e um de joelho para o motorista. O nipônico fica devendo equipamentos que vem se tornando indispensáveis ao segmento, como alerta de risco de colisão, detecção de pontos cegos e sistema de manutenção de faixa. Quanto ao comportamento em colisões, a nova versão 2018 ainda não foi submetida a crash test, mas a versão 2014 com estrutura bastante parecida recebeu nota máxima de cinco estrelas em avaliação do Latin NCAP, entidade independente que testa a segurança dos automóveis comercializados na América Latina.

O QUE É
Sedã compacto para cinco ocupantes.
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ONDE É FEITO
Brasil, Indaiatuba – SP.

QUANTO CUSTA
A versão testada, XRS, custa R$ 109.500.

COM QUEM CONCORRE
O único sedã concorrente direto disponível em versão esportiva é o Honda Civic Si, que custa R$ 132.100.

DESEMPENHO
Motor 2.0 flex de 153,6 cv de potência e 20,7 kgfm de torque máximo a 4.800 rpm. Velocidade máxima de 197 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos.

COMO BEBE
O Corolla equipado com motor 2.0 recebeu nota A/B no programa brasileiro de etiquetagem de consumo do Conpet com médias de 7,2 km/l (cidade) e 8,8 km/l (gasolina) quando abastecido com etanol e 10,6 km/l (cidade) e 12,6 km/l com gasolina.

Toyota Corolla XRS


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