Troca de óleo a vácuo ou convencional? Qual é a melhor?

Conheça os prós e contras dos dois métodos de troca do lubrificante do seu carro, segundo apontam especialistas

Por Bárbara Angelo 19/07/18 às 07h10

Na hora da troca periódica do lubrificante, existem duas formas de retirar o líquido velho do motor. Uma delas, a mais tradicional, é pela tampa do cárter, no fundo do veículo. A outra é a troca de óleo a vácuo, ou por sucção, que retira o lubrificante pela parte de cima do propulsor. Especialistas indicam prós e contras sobre os dois métodos.

Para começar, fazer uso do sistema a vácuo é mais rápido, como comenta Henrique Pereira, da comissão técnica de motores da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade (SAE) do Brasil. Dessa forma, não é preciso aguardar para que o óleo escorra, e a solução também dispensa a necessidade de se levantar o veículo em um elevador automotivo, explica Pereira.

troca de oleo carter
Na troca de óleo pelo cárter, o lubrificante escorre naturalmente, induzido pela força da gravidade

Quando o acesso é feito pelo cárter, é preciso mexer na parte de baixo do carro, onde se encontra o componente, parte do sistema de lubrificação. O motor de um carro é desenhado para que o óleo escorra em direção ao cárter, e quando ele é aberto, o líquido escoa de forma natural, impulsionado pela gravidade.

Entretanto, o projeto dos motores que torna possível a troca pelo cárter também pode causar problemas quando é feita a troca por sucção, explica José Guilherme Baeta, professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O professor aponta que o sistema a vácuo pode não se adaptar a alguns veículos, a depender do projeto de seus motores.

A troca de óleo a vácuo depende do uso de uma bomba de sucção e de uma sonda que será inserida no sistema de lubrificação para sugar o óleo. A sonda tem que ser inserida por um profissional treinado, que saiba encaixá-la da maneira correta dentro do motor, descendo até o cárter, explica Pereira, da SAE.

troca de oleo a vacuo sucção troca de óleo a vácuo
Já na troca de óleo a vácuo, uma mangueira é inserida no sistema e suga o óleo como um aspirador

A máquina costuma ser introduzida através da entrada da vareta de checagem do óleo, pela parte de cima do motor. Assim, o profissional precisa de habilidade para saber que chegou ao ponto mais baixo do sistema, onde será possível retirar todo o lubrificante. O risco é de que óleo velho permaneça no sistema e contamine o óleo novo que será colocado, detalha o engenheiro.

Mas há um perigo ainda mais grave na utilização do sistema a sucção, conta o professor Baeta. Se o óleo do carro estiver velho, com formação de borra, e houver resíduos sólidos acumulados no cárter, eles podem ser puxados para o motor pela força da sucção. Assim, a sujeira que antes desceria com o óleo pelo cárter ou ficaria no reservatório, irá para o motor.

Isso pode causar entupimentos no sistema de lubrificação, explica o professor da UFMG. O problema, contudo, é raro, comenta ele. Segundo Baeta, a troca de óleo a vácuo costuma funcionar com a maioria dos veículos. É apenas importante que o proprietário tenha consciência dos riscos envolvidos – o que não quer dizer que a remoção pelo cárter seja sempre segura.

Com esse método de troca de óleo, mais antigo e tradicional, é possível ter mais tranquilidade por sabermos que é para o qual o motor foi projetado. Mesmo assim, problemas podem surgir, como aponta Henrique Pereira, engenheiro da SAE. Além do mesmo risco de não se remover todo o óleo velho, também há problemas com a abertura do cárter.

Pereira conta que cada marca usa um modelo de parafuso diferente. Muitas vezes, é para dificultar que o proprietário faça a troca de óleo oficinas sem especialistas. Os parafusos exigem ferramentas específicas, e abrir o cárter com a ferramenta errada pode estragar o parafuso, dificultando a troca seguinte ou obrigando o dono do carro a ter que trocá-lo.

Assim, independentemente do método escolhido pelo proprietário do caro, ele deve escolher um estabelecimento em que confia e observar se os funcionários têm treinamento. No caso da troca pelo cárter, ele deve garantir que todo o óleo velho foi retirado do motor, e parou de pingar ou escorrer do veículo. Já quando for troca de óleo a vácuo, deve se certificar de que a bomba a sucção não está entupida, e está com pressão suficiente para fazer a remoção de forma correta.

Mas, antes, também deve consultar o manual do carro e ler as indicações sobre troca de óleo, lembrando, ainda, que se o veículo estiver na garantia, problemas originados em oficinas fora da rede credenciada não serão reparados e poderão levar à perda da cobertura.

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12 Comentários
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    SIEGFRIED 2 de agosto de 2019

    Nos carros modernos, onde o cárter vem com um ressalto no qual a caneta ou espia deve encostar, o melhor é fazer a retirada de óleo via sucção. Nos carros mais velhos isso nem sempre é possível.

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    Roque 9 de junho de 2019

    Boa noite tô mutando uma troca de óleo e plesisso de ferramenta
    ,
    E preciso fazer um curso

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    Paulo Rogério Gaeta 13 de março de 2019

    O estudo que você fez foi insatisfatório e insuficiente para tirar conclusões com segura. :
    Sou também engenheiro mecânico e especialista em filtração industrial, com experiência de 20 anos específica.

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      Danilo Prado 15 de outubro de 2019

      Concordo contigo Paulo. E penso que a força da sucção da máquina é maior que a força da gravidade na retirada do óleo.

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    Rômulo coelho 14 de janeiro de 2019

    Um detalhe na fala do baeta,,se o carro estiver com borra em estado sólido,, a sucção irá levar para dentro do motor??a borra já está lá,,,e nem abrindo o o beijão irá sair,,e quando já tá com borra,,só mecânico pra abrir e limpar,,,sucção é pra óleo,,,grato..

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    Aluísio 25 de julho de 2018

    Eu só troco o óleo pela forma convencional, com o motor quente, solto o bujão a noite e deixo a noite inteira escorrendo, aí pela manhã fecho o bujão e coloco o óleo novo.

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    Rodolfo 19 de julho de 2018

    Prezados boa tarde!
    …. Eu troco óleo a vácuo apenas desde 2011, o funcionário após succionar o óleo com a máquina de vácuo eu vi que parou de sair óleo pelo visor da máquina. Eu como era Tomé fiz questão dele tirar o bujao de óleo do cárter (Gol 1.8 AP ano 1990) e não saiu uma gota de óleo.
    …. Outra coisa a se pensar é que para se saber se chegou ao fundo a caneta de sucção da máquina a vácuo não bastaria sentir que a referida caneta encontrou no fundo do cárter?
    …. Eu estou fazendo análise de óleo do meu carro conforme vídeo abaixo dos 5.600 km de uso do óleo:
    https://youtu.be/uDkRuhE7lds
    …. Minha meta é chegar aos 7000 km com o óleo semissintetico 20W-50. Nessas análises dos 2.000 km, 4.500 km e 5.600 km não foi apontado nada que tinha ferro em excesso ou outro metal de desgaste do motor, logo a troca a vácuo foi muito eficiente, salvo melhor juízo.
    …. Por fim, a pergunta que não se cala:
    “O filtro de óleo retém as partículas metálicas de desgaste do motor como ferro e alumínio por exemplo, assim o filtro de óleo só deixa passar as referidas partículas que são mais finas que a sua “peneira”, logo as partículas que eventualmente a troca a vácuo que o engenheiro citado neste artigo diz que podem restar no fundo do cárter as que seriam prejudiciais o filtro de óleo de qualidade irá reter, só passando as que não sejam tão prejudiciais ao motor, salvo melhor juízo.
    …. Assim sugiro um estudo científico da troca de óleo a vácuo vs troca por gravidade (drenagem pelo bujao) através da análise de óleo em laboratório como eu fiz no vídeo acima e assim seria plausível dizer que se faz mal ou não ao motor.
    …. Mas já adianto que na minha opinião a troca a vácuo é eficiente sim e o filtro de óleo irá reter as partículas maiores caso o funcionário seja inesperiente.
    Por fim, o laboratorista que fez as análises de óleo do meu carro ficou espantado como ele desgastou muito abaixo da média esperada para um motor 1.8AP a gasolina, logo a troca de óleo a vácuo que eu fiz foi um sucesso total.
    Um forte abraço,
    Rodolfo
    Engenheiro Mecânico

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      Rodolfo 19 de julho de 2018

      Onde se lê:
      “… a referida caneta encontrou no fundo do cárter?”;
      Leia-se:
      “… a referida caneta encostou no fundo do cárter?”.

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      Paulo Rogério Gaeta 13 de março de 2019

      O estudo que você fez foi insatisfatório e insuficiente para tirar conclusões com segura. :
      Sou também engenheiro mecânico e especialista em filtração industrial, com experiência de 20 anos específica.

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    Francisco 19 de julho de 2018

    Para mecanicos inresposave e desqualificadol e melhor trocar a vacuo.

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    Julio cezar 19 de julho de 2018

    Gosto da troca convencional, o problema é que não acho mais quem faça. Por ser um citroen todos dizem que só fazem por sucção pelo Carter ser de alumínio e correr o risco de trincar.

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      luiz 19 de julho de 2018

      Sr Julio, o problema é que certos veiculos são providos de carter de antimonio que é um material mais fraco que os outros convencionais, de maneira que ao tirar e colocar o bujão(não parafuso como diz a reportagem) repetidas vezes pode espanar a rosca e aí torna-se um problema para o trocador e para o dono do veículo, Se trincar o carter é porque levou alguma pancada, nada a ver com a mão de obra. Espero ter ajudado, bom dia!

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