Troca de óleo do motor do carro – Passo a passo

Nesse tutorial você encontra informações sobre periodicidade, condição de uso e viscosidade. Além de um guia para checar o nível do óleo e os erros que levam ao surgimento da borra

Por Bárbara Angelo25/08/17 às 07h58

A troca de óleo do motor é essencial para o carro e, apesar de ser um procedimento simples, pode pegar muitos motoristas desprevenidos e acarretar em um prejuízo imenso. O gerente técnico de lubrificantes da Shell, César Cerbam, explica que o óleo protege o motor, reduzindo o atrito entre as partes metálicas, evita a formação de ferrugem, o acúmulo de sujeira e ajuda no resfriamento. Se você é um lambão e não se atenta para a lubrificação do propulsor, terá que lidar com as consequências do desleixo. E são muitas: formação de borra, perda de potência e até a fundir o motor.

Se o seu carro ainda estiver dentro da garantia, não deixe de seguir o plano de revisões da sua montadora. Porém, se a sua garantia já acabou, é hora de saber se virar sozinho, então siga essas dicas e certifique-se de que o seu motor tenha vida longa.

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Mechanic pouring oil into car at the repair garage

Quando trocar?

A primeira coisa é saber quando você precisa trocar o óleo do motor, informação que está no manual do seu carro. Vamos usar o Chevrolet Onix (mais vendido do país) como exemplo. Lê-se no manual do modelo:

Com o motor quente, troque o óleo a cada 5.000 km ou 6 meses, o que ocorrer primeiro, se o veículo for dirigido em “Condições de uso severo”.

Quando passarem-se 5.000 km desde a última troca, substitua o óleo. Se ainda não alcançou 5.000 km, mas já fazem 6 meses, hora de trocar também. Simultaneamente, deve-se substituir o filtro de óleo, pois ele acumula resíduos que podem contaminar o lubrificante novo.

Vale destacar: estamos usando o exemplo do Onix, que, no caso, prevê a quilometragem de 5.000 km. Mas isso não se aplica a todos os modelos. CONSULTE O MANUAL DO SEU CARRO. 

Meu uso é severo ou leve?

O uso severo é o uso corriqueiro. O diretor de Lubrificantes da Ipiranga, Miguel Lacerda, explica que essa é a condição dos veículos que circulam em cidades, com o anda-e-para do tráfego ou por distâncias curtas. “Estradas de terra também são consideradas uso severo, por propiciar maior contaminação do óleo”, acrescenta Lacerda.

Por isso, não se engane achando que o uso que você faz é leve. O membro da Comissão Técnica de Motores Otto da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade do Brasil (SAE), Henrique Pereira, destaca que uma das condições mais severas é a do veículo pouco utilizado. “Por exemplo, quem sai para levar o filho e volta; sai de novo, faz compras e volta; depois busca o filho de novo”, detalha.

O uso leve seria o caso de veículos de frotas de transporte, que rodam em estradas e por longas distâncias. Para eles, a periodicidade é maior, como no caso do Onix:

Se o veículo não for dirigido em condições severas, troque o óleo a cada 10.000 km ou 12 meses, o que ocorrer primeiro.

Escolhendo o óleo

É preciso saber três coisas para escolher o óleo de motor certo para o seu carro: o índice API, o índice SAE e, em alguns casos, o tipo de óleo. Essas informações também estão no manual, como no caso do Onix:

Óleo especificado Dexos 1 ou equivalente de qualidade API SN, ILSAC GF5 ou superior e de viscosidade SAE 5W30.

Dexos 1 é um óleo específico, recomendado pela Chevrolet. Isso quer dizer que o Onix passou por muitos testes com esse lubrificante, e eles foram feitos um para o outro. Mas não faz mal se você escolher outro óleo de mesmo API e SAE, desde que seja de uma marca confiável.

Em outros manuais ainda pode haver a denominação do tipo de óleo, que é mineral, semissintético ou sintético. Se não houver, é porque aquele lubrificante só está disponível em uma base, como no caso do Onix. O 5W30 é sempre sintético.

Por último, fica uma dica: uma vez escolhido o óleo, seja fiel a ele. Evite mudar de marca, de tipo ou de qualidade. A mistura de óleos diferentes pode levar a reações inesperadas e perigosas para o motor.

Sopa de letrinhas

As siglas utilizadas são índices que classificam o óleo de acordo com suas propriedades. Pereira, da SAE, esclarece que API (American Petroleum Institute) se refere a modernidade, e quanto maior a letra, melhores aditivos ele terá. Já o SAE (Society of Automotive Engineers) indica a viscosidade em temperaturas frias e quentes. No caso do Onix, a viscosidade a frio é 5 e quente é 30.

Com o API, é possível escolher óleos com especificações maiores, embora nunca menores. Só não precisa exagerar. “Não adianta você colocar no seu carro um óleo feito para máquinas melhores. Seria jogar dinheiro fora. Não faz diferença e poderia dar até algum problema no motor”, explica Pereira.

Quanto ao índice ILSAC, pode ser ignorado, pois representa as mesmas informações e tem menos uso no Brasil.

Fique esperto com as maldades

Não confie nos frentistas. Não é nada pessoal contra esses trabalhadores, mas a má fé de parte deles mostra que é preciso ligar a luz de alerta. Se o incauto motorista chegar desinformado ao posto e submeter a análise do óleo a um profissional picareta a chance de ser enganado é grande.

O frentista dirá, com ar de sabichão, que o “óleo está pretinho” (aliás, ele precisa ficar preto depois que passa a lubrificar o motor);  ou que “a viscosidade não está boa” (para mensurar isso só com aparelhos sofisticadíssimos). Não caia nessa. Siga à risca as dicas do manual, faça a troca no prazo correto e não fique amedrontado com a panca de falsa autoridade.

Motor muito rodado

Quem rodou demais precisa aumentar a viscosidade? Depende. Embora haja muitas sugestões nesse sentido é fundamental acompanhar o consumo do lubrificante. Se não estiver queimando óleo em excesso não precisa aumentar.

O jeito certo de trocar o óleo do motor do carro

Checar o nível de óleo é uma prática que pode evitar problemas no motor, mas para não cair em papo furado de frentista e saber o que realmente ocorre com o motor do seu carro é essencial estar bem informado.

Estamos todos habituados a aproveitar a parada no posto e aceitar aquela “checada no nível do óleo” que o atendente sempre oferece. Mas quando a questão é óleo esse não é o momento de puxar a vareta.

O engenheiro Henrique Pereira, da Comissão Técnica de Motores Otto da Sociedade de Engenheiros da Mobilidade do Brasil (SAE), explica que com o motor quente o óleo está circulando e indica um nível baixo que não é real. A condição correta é com o motor frio e em um lugar plano. “Como na garagem de manhã”, recomenda Pereira. Você mesmo pode fazer a checagem. De maneira rápida.

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(Fabiano Azevedo/AutoPapo)


(Fabiano Azevedo/AutoPapo)

Retire a vareta de medição de dentro do cárter e limpe-a com uma flanela. NUNCA LIMPE com estopa ou qualquer outro pano que solte fiapos. Insira-a novamente para medir o nível, e então examine a faixa que a linha do óleo alcançou. Há um mínimo e um máximo indicados, e qualquer nível entre os dois é suficiente. Caso o óleo esteja abaixo ou acima desse intervalo procure uma oficina de confiança.

Os motores modernos raramente necessitam de completar o óleo – como era hábito no passado. Cuidado, que essa prática pode, inclusive, causar problemas. “Eu não gosto da ideia de completar o óleo. Aí teria que usar até a mesma marca e exatamente o mesmo óleo, pois não se deve misturar ”, adverte Pereira. A combinação de óleos diferentes pode levar à formação de borra. Por isso, o especialista acredita que o melhor é não arriscar.

Além disso, a tecnologia atual oferece motores com encaixes mais justos entre as peças, reduzindo as brechas por onde o óleo costumava passar. Caso você dirija um modelo antigo, no entanto, as regras mudam um pouco. Além da tecnologia mais antiga, os motores mais velhos são desgastados e pode ocorrer que o nível de óleo diminua e deva ser completado, ressalta o engenheiro.

E se me oferecerem a troca de óleo a vácuo?

Vamos lá: a troca de óleo por sangria (tradicional) é feita com a retirada do bujão do cárter, por onde acontece o escoamento do lubrificante velho. Já o sistema a vácuo é feito com a utilização de uma máquina específica.  Ela é acoplada à parte superior do motor (no orifício da vareta).

Alguns especialistas alegam que o sistema a vácuo pode não remover totalmente o óleo velho, já que o cárter tem desníveis em seu interior e isso contaminaria o lubrificante novo. Já a remoção por sangria é mais recomendada, pois o escoamento do óleo é completo.

Sete erros que não podem ser cometidos

A formação de borra no motor é algo que pode dar muita dor de cabeça – sem contar que também pode doer no bolso. Entre as consequências estão a perda de potência e até a fundição do motor.

Motor com borra troca de óleo motor carro

Saiba o que NÃO fazer na hora de trocar o óleo de motor do seu carro.

  • 1. Não misture óleos de bases diferentes: Tem que ser mineral, sintético ou semissintético, sem mistura.
  • 2. Não coloque óleo mineral em motores feitos para óleo sintético: O óleo mineral é mais pesado e tem mais disposição para se transformar em borra. Se o carro curte um sintético, não dê outra coisa para ele. Tem quem pense que completar com o sintético, mesmo se o recomendado for mineral, não tem problema. É um pensamento errado. É claro que se houver apenas essa opção e for impositivo completar, pode colocar outro tipo. Porém, assim que for possível (seja rápido!), faça a troca do óleo para tirar o misturado e usar o  indicado.
  • 3. Não misture óleos com índices API diferentes: O API está relacionado aos aditivos do óleo, e se você misturar aditivos diferentes, é possível haver uma reação química entre eles que leva à formação de borra. Por isso, seja fiel ao óleo. Escolha um e fique com ele.
  • 4. Não exceda o limite da troca em mais que 1.000km: Esta seria a margem de segurança final, mas é claro que o ideal é não arriscar e respeitar o limite.
  • 5. Não use óleo de baixa qualidade: Entre as marcas mais conhecidas você estará seguro, mas óleos que só têm o preço de chamariz podem ser péssimo negócio.
  • 6. Combustível adulterado: A gasosa ou o etanol podem estar adulterados, o que vai comprometer o óleo, alterando suas propriedades e sua capacidade de lubrificação.
  • 7. Motores modernos: Os motores modernos geram mais potência ao mesmo tempo em que ocupam um espaço menor. Por isso, eles atingem temperaturas mais altas. Isso facilita a formação de borra e exige óleos sintéticos também mais modernos, além de maior atenção.

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2 Comentários

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  • Silvio Bonilha 14 de novembro de 2017

    Olá… é recomendado completar o oleo a cada 1.000km, apos verificacao matinal, com o carro frio e em local plano?

  • Silvio Bonilha 14 de novembro de 2017

    Olá… é recomendado completar o oleo a cada 1.000km, apos verificacao matinal, com o carro frio e em local plano?..O meu Ford focus 2013/2013… tem baixado o nivel a cada 2.000 aproximadamente… rodo bastante na cidade com ele… e completo com o mesmo oleo da Troca, recomendado pelo fabricante Ford…

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