O Chevrolet Onix Eco retoma os motores movidos apenas pelo combustível vegetal, algo que era comum nos anos 80
Desde a chegada dos motores flex, que começou em 2003 com o Gol Total Flex, que os carros a álcool viraram coisa de museu. Porém os incentivos recentes do Governo Federal para reduzir os impostos em carros sustentáveis pode provocar a volta desses motores que queimam apenas o etanol.
O primeiro deles foi o Chevrolet Onix Eco, adiantado pelos colegas do Webmotors. Essa versão a álcool do compacto foi criada para ele se enquadrar em um desconto maior de IPI quando equipado com motor turbo e câmbio automático. Antes o modelo turbinado só tinha tal benefício com com o câmbio manual.

VEJA TAMBÉM:
O motor a álcool foi lançado no final dos anos 70 como uma resposta a crise do petróleo. O primeiro a chegar ao mercado foi o Fiat 147 em 1979, que ganhou o apelido de “Cahcacinha”.
O etanol trazia algumas vantagens para os motoristas, como poder abastecer durante os finais de semana, um custo menor para encher o tanque e desempenho melhor. Isso compensava o consumo maior e as dificuldades de pegar no frio.
O carro a álcool foi um sucesso nos anos 80, representando por 70,7% dos carros novos vendidos no país. A situação mudou na década seguinte, pois os usineiros passaram a favorecer a produção de açúcar.
Na virada do milênio os carros a álcool remanescentes no mercado eram focados em taxistas e frotistas. Veja quais foram os últimos de cada marca:




A Chevrolet empatou com a Volkswagen na oferta de carros a álcool no Brasil, ambas marcas aposentaram os seus em fevereiro de 2006. No caso da marca da gravatinha dourada o derradeiro foi o Classic 1.0.
O sedã de entrada usava o Família 1 1.0 de 64 cv e 8,4 kgfm. Ele tinha a mesma taxa de compressão do VHC a gasolina, 12,6:1, que era 6 cv mais potente. Em março de 2006 o Classic ganhou um 1.0 flex que rendia 72 cv no álcool e 70 cv na gasolina.
O Classic foi acompanhado na gama da Chevrolet pelo Astra Sedan Comfort 1.8 a álcool até março de 2005. Esse modelo foi o último a usar o 1.8 Família 2, que estreou no Monza e ficou marcado pelo funcionamento suave.
O Astra Comfort 1.8 a álcool rendia 110 cv e 16,8 kgfm e tinha foco nos taxistas, ele saiu de cena com a chegada do 2.0 flex. Para atender aos motoristas profissionais a Chevrolet fez também a versão Multipower, que vinha pronto de fábrica para rodar com gasolina, etanol ou GNV.




A Fiat lançou o motor Fire em 2000 rodando apenas com gasolina. Quem desejava rodar com o álcool tinha que comprar os carros com o antigo 1.5 Fiasa, evolução do 1.3 que equipou o 147 “Cachacinha”.
Foi assim até meados de 2004, a Fiat vendeu Palio Weekend, Siena, Strada, Fiorino e Uno Furgão 1.5 a álcool até a chegada do 1.3 Fire flex nesses modelos. O Fiasa em sua fase final rendia 77 cv e 12,4 kgfm a baixos 2.750 rpm.
Esse 1.5 a álcool foi a última versão do Fiasa oferecida no Brasil e também foi a única forma de ter o motor antigo na família Palio após o face-lift. Seu sucessor direto foi o 1.3 Fire flex, que durou pouco até dar lugar ao 1.4 da mesma família em 2005.

A Ford foi a primeira marca a abandonar o motor a álcool no Brasil. O Ka e o Fiesta não tiveram versões a álcool e no final dos anos 90 ela vendia apenas modelos a gasolina ou as picapes diesel.
Em 2000 o recém lançado 1.6 Zetec RoCam ganhou uma versão a álcool oferecida apenas na perua Escort GL SW. Ele foi o motor de projeto mais recente a ser feito para rodar apenas com o combustível vegetal até a chegada do novo Chevrolet Onix Eco.
O 1.6 rendia 109 cv e 15,7 kgfm, um ganho de 14 cv e 1,4 kgfm. O motor a álcool recebeu motor de arranque mais forte, bateria com mais capacidade e o tanquinho de gasolina no cofre para lidar com as partidas a frio. Essa opção de motor durou até 2002, a perua saiu de linha no ano seguinte.






A Volkswagen foi a pioneira em colocar um motor flex no mercado, mas não abandonou os carros a álcool de cara. O Gol Special, aquele de entrada com carroceria do Bolinha, seguiu com o 1.0 bebedor de cana até 2005.
A Kombi também seguiu com opção de motor movido a combustível vegetal até o final de 2005, com o veterano 1.6 refrigerado a ar. No início de 2006 ele saiu de linha para entrar o 1.4 flex refrigerado a água.
Mas o último Volkswagen com motor a álcool foi outro “dinossauro” do mercado: o Santana 1.8. Ele saiu de cena em fevereiro de 2006 junto do Chevrolet Classic. Ele seguiu em produção por mais alguns meses apenas com o 1.8 a gasolina, nunca chegou a ter o AP 1.8 flex da linha Gol.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
Sempre gostei dos carros a álcool, nunca tive qualquer problema com eles. Resta saber se este novo carro será bem aceito pelo mercado, pois parece algo meio improvisado, não pela fábrica, mas sim, pelo governo de plantão, que muda de idéia tal qual o vento muda de direção.
De todo modo, será um carro durável, até que se prove o contrário !
Gol Special 1.0 álcool meu sogro teve um, tirado zero. Andava melhor que o seu sucessor, o 1.0 Totalflex.
Legal essa Escort SW 1.6 a álcool, andava muito bem e gastava pouco. O curioso é que o carro era produzido pelos hermanos.