Volkswagen se declara culpada por dieselgate

Pela primeira vez desde o início da fraude global dos níveis de emissões, a Volkswagen se declarou culpada em um tribunal de justiça

Por AutoPapo 14/03/17 às 12h15

Pela primeira vez desde que o escândalo do Dieselgate (fraude na medição de emissões de poluentes) veio à luz, em 2015, a VW se declarou culpada em um tribunal. A audiência ocorreu em Detroit, na última sexta-feira, onde um acordo com a justiça foi proposto. A montadora assumiu a culpa pelos crimes de fraude, obstrução da justiça e declarações falsas.

volkswagen logotipo montadora assumiu a culpa pelo escandalo do dieselgate
(Reprodução)

O esquema envolvia o nível executivo da empresa e falsificava níveis de emissões em veículos a diesel por meio de um software desenvolvido pela Bosch, que também está em julgamento. Foram vendidos quase 600 mil veículos desregulamentados apenas nos Estados Unidos, sendo que a VW concordou em comprar até 500 mil de volta. O preço a ser pago pelo erro pode chegar a US$ 25 bilhões.

Entenda o Dieselgate

O grupo Volkswagen é protagonista do Dieselgate – um dos maiores escândalos da história da indústria automobilística – por ter fraudado as emissões de produtos tóxicos na atmosfera em 11 milhões de veículos. Em 18 de setembro de 2015, a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) emitiu uma notificação de violação para o Grupo Volkswagen. O órgão havia descoberto, através de análises feitas pela Universidade de West Virginia, que a montadora vinha forjando os resultados de testes de emissão de veículos, para mascarar os verdadeiros números. O caso passou a ser conhecido como Dieselgate, um termo cunhado pela imprensa norte-americana.

Segundo a EPA, veículos da Volkswagen movidos a diesel eram fabricados com um software que detectava se os automóveis estavam sendo testados. Quando isso ocorria, o dispositivo intervia no funcionamento do motor de forma a diminuir a quantidade de poluentes emitidos. Durante o uso comum, no entanto, os modelos liberavam químicos no ar em quantidades proibidas pela legislação norte-americana.

Entre as substâncias emitidas, os óxidos de nitrogênio (NOx) eram os maiores excedentes. Em alguns modelos, o químico ultrapassava o limite legal em até 40 vezes.

As investigações da EPA, em conjunto com informações fornecidas pelo Grupo Volkswagen, revelaram que o software estava presente em todos os veículos 2.0 e 3.0 movidos a diesel fabricados entre 2009 e 2015. A irregularidade envolvia modelos das marcas Volkswagen, Porsche, Audi, SEAT e Škoda controladas pelo grupo. Calcula-se que até 11 milhões de veículos tenham sido afetados no mundo.

Avalie o conteúdo:
Clique na estrela para avaliar.
0 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Deixe um comentário