VEJA ISSO: 5 dicas para comprar carro 0km

Não é só com os usados que temos que ficar de olho aberto

Por BORIS FELDMAN20/03/18 às 14h00

Ninguém ignora os cuidados a se tomar na compra de um carro usado. O que poucos imaginam é que se deve ficar de olho vivo até ao adquirir um carro 0km.

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Quase ninguém confere, por exemplo, os pneus, que podem se tornar uma fonte de problemas. É raro, mas o sobressalente pode ter marca diferente dos outros quatro pneus. Isso ocorre se o estoque de pneus estiver baixo na fábrica, e ela decidir não equipar os carros naquele dia – ou semana – com o estepe. Assim, os veículos vão desprovidos dele para o pátio até chegar uma nova remessa de pneus, que pode ser de outro fabricante.

Outro problema complicado do pneu é a marca. Pode ser de ótima qualidade, mas produzido em um país asiático e sem rede de lojas no Brasil. Quando se desgastam por igual, nenhum problema: compra-se um jogo de outra marca. Entretanto, se apenas um deles se rasga em um buraco, como substituí-lo? Questionada, a fábrica do automóvel pode alegar que eles estão disponíveis nas concessionárias. Mas e se só for encontrado em uma autorizada a 4 mil quilômetros de distância e que decide cobrar uma “nota preta”?

se você perceber um dano na pintura do carro 0km, um pequeno amassado ou risco profundo, devolva-o. Não acredite que a concessionária tenha condições de repará-lo, pois nenhuma oficina de marca nenhuma do mundo, nem uma autorizada da Rolls-Royce, é capaz de repintar um automóvel com a mesma qualidade que a fábrica. Basta imaginar que, na linha de montagem, a carroceria limpa e desprovida de qualquer revestimento é mergulhada em um tanque para aplicar uma camada de tinta básica de proteção. Depois, a estrutura é levada para a secagem da tinta em uma estufa a quase 100 graus centígrados. Como fazer o mesmo com o carro pronto?

Por falar em pintura, alguns vendedores são treinados para oferecer um série de produtos e serviços durante a entrega do carro 0km. Entre eles, a chamada polimerização (ou vitrificação, espelhamento, e outros) para “proteger e dar brilho”. A operação é realmente recomendada quando o carro já tiver dois ou três anos de fabricação e a pintura original começar a perder o brilho. Já não é, jamais, indicada para um veículo 0km pois, na fábrica, ele recebeu um verniz especial para proteção e brilho. No serviço sugerido pelo vendedor, que será comissionado se fizer a venda, a primeira operação será passar uma lixa na pintura, removendo a camada aplicada na fábrica.

Acessórios também dão “pano para manga”. Se a fábrica não instala, ela tem os produtos homologados para serem aplicados na concessionária. Existem também dezenas de outras marcas disponíveis no mercado, não reconhecidos pelo fabricante do automóvel, que podem ou não ter qualidade, mas quase sempre custam menos que os homologados.

Se o dono do carro instala um equipamento de som, por exemplo, em uma loja de acessórios, ele perde a garantia de fábrica pois houve interferência no circuito (ou chicote) elétrico. O maior problema, no entanto, é a concessionária instalar um acessório não homologado, apesar de cobrar como se o fosse. Se o carro apresentar um defeito, a revenda que o instalou se responsabiliza. Porém, imagine o carro em outra cidade levado à concessionária local por algum problema: ela simplesmente negará a garantia alegando a instalação de um equipamento não homologado. Já houve casos assim levados à Justiça e a decisão foi de que a fábrica tem que se responsabilizar pelos atos praticados por qualquer revenda autorizada. É para isso, disse o juiz, que o logotipo da marca está exposto na fachada.

Finalmente, o leitor consegue distinguir couro verdadeiro do sintético? Tem certeza de estar pagando pelo primeiro ou verá em pouco meses o segundo se esfarelando?

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

3 Comentários

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  • Carlos Minkap 20 de junho de 2018

    Verdade, esta pratica é comum nas concessionarias.

    Já não basta o lucro pelos carros entregues muitas vezes na troca e o preço do zero km também.

    Além de que nas revisões tem sempre as ¨empurrômetros¨ com serviços muitas vezes desnecessários.

  • Walfrido Rodrigues Nutti 5 de junho de 2018

    Ótimas dicas Bóris.

  • Plínio Cesar 5 de março de 2018

    Excelente artigo. A empurroterapia é uma desgraça para o bolso de nós consumidores.

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