Ford abandona câmbio Powershift problemático

Por BORIS FELDMAN24/10/16 às 17h05

Depois de dezenas de anos tendo apenas o câmbio automático convencional (chamado epicíclico), os engenheiros desenvolveram – graças à eletrônica – um dispositivo que suprime o pedal da embreagem e a alavanca de mudanças do câmbio manual. Ou seja, a caixa continua sendo a tradicional, com embreagem, mas o motorista não precisa cambiar as marchas: um computador percebe todas as necessidades em cada situação e atua nos comandos da embreagem e da alavanca de mudanças.

É o chamado câmbio automatizado: Dualogic na Fiat, I-Motion na VW, Easytronic na GM. Mas com uma deficiência em relação ao automático convencional: a passagem não é suave mas com uns tranquinhos, uns engasgos do motor. Mas existe um automatizado tão suave e confortável quanto o convencional: o de “dupla embreagem” Como se fossem dois câmbios: um para as marchas ímpares, outro para as pares. O sistema tem sempre duas marchas engatadas e, no momento de cambiar, uma embreagem é liberada e a da marcha seguinte é acionada, por isso a suavidade e rapidez da mudança.

No grupo Volkswagen, este câmbio é chamado DSG, iniciais em inglês (ou alemão) para caixa de marchas com duas embreagens. Nos carros da Ford, um sistema que usa o mesmo conceito é chamado de Powershift. Nos carros da VW com este câmbio, há um problema: ao rodar devagar em pisos irregulares, percebe-se nitidamente um ruído metálico proveniente da caixa. Porém, é uma deficiência do projeto sem nenhuma implicação mecânica. Ou seja, vai ter aquele barulhinho chato a vida inteira sem comprometer nenhum componente da caixa.

No caso da Ford, o problema é mais grave: o Powershift vem aborrecendo os consumidores com trancos ao arrancar e cambiar e às vezes ele até se recusa a engatar a marcha. A fábrica descobriu um problema de vazamento de óleo, está realizando no mundo inteiro uma campanha de serviço para reparar o defeito e aumentando a garantia destes carros. Mas, nem sempre o problema se resolve, e há mesmo uma deficiência no sistema, o que levou a Ford a abandonar este projeto e deixar de produzir o câmbio Powershift.


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