Olho vivo na marca do estepe

O estepe deve ser igual aos outros pneus do veículo, pois caso contrário terá um comportamento totalmente diferente em freadas ou curvas

Por BORIS FELDMAN29/06/18 às 08h40

Leitor da coluna comprou um Honda Fit zero quilômetro e, meses depois, descobriu que a marca do estepe era diferente da dos outros quatro pneus. O sobressalente era Firestone. Os outros eram Michelin. Ele estranhou, pois existe a recomendação de não se colocar num mesmo eixo pneu de uma marca de um lado, de outra marca no outro. Pois o comportamento de cada um no momento de uma freada ou curva pode ser completamente diferente. Um perigo, pois o motorista pode até perder o controle do carro, rodar na pista ou sair da estrada.

marca do estepe deve ser igual a dos outros pneus

Por que a marca do estepe diferente? Provavelmente, a fábrica ficou com o estoque baixo de pneus e resolveu destiná-los exclusivamente para as quatro rodas, sem colocar o estepe. Evita, assim, paralisar a linha de montagem. Os carros sem sobressalente são levados ao pátio e aguardam chegar uma nova remessa de pneus. Pode entretanto ocorrer de o próximo lote a chegar na fábrica ser de um outro fornecedor. Mesmo assim, são colocados como estepe, embora a própria empresa não recomende o uso de pneus de marcas distintas pelos problemas de segurança que esta medida pode gerar.

O leitor pergunta o que fazer. E a resposta é ir à concessionária e exigir a imediata substituição do estepe, por outro de mesma marca que os outros quatro pneus. Esta recomendação não vale no caso de o carro ter pneu emergencial como estepe. Aqueles pequenos para serem usados apenas até chegar no borracheiro para reparar o que furou. Neste caso, tanto faz a marca ser igual ou não.

Vale a pena lembrar que esta não é única “estripulia” da fábrica em relação aos pneus. Ao receber um carro zero km na concessionária, o dono tem que ficar atento aos pneus. Pois, por motivo de custo, a fábrica pode ter instalado pneus de muito boa qualidade, porém de marca relativamente desconhecida no nosso mercado. Como algumas asiáticas: japonesa, coreana ou chinesa, ainda sem uma razoável rede de lojas no Brasil. Se um dia um pneu se estraga ao passar num buraco, por exemplo, e precisa ser substituído, o dono do carro vai ficar em apuros para encontrar outro igual. E, se encontra (às vezes a concessionária o tem em estoque), vai pagar uma “nota preta”.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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