Na emergência, vale tudo…

Por BORIS FELDMAN17/07/16 às 17h26

Comentei recentemente nesta coluna a respeito dos vários cuidados ao se comprar um carro novo. Inclusive na marca de pneus: podem ser de boa qualidade, mas de marca sem uma rede de lojas no Brasil. Caso de alguns asiáticos: só se encontra para reposição na concessionária e por preços bem elevados.

Outro item a se verificar é se o estepe (pneu sobressalente) é da mesma marca que os outros quatro. Porque a fábrica, mesmo sabendo não ser recomendável, costuma colocar como estepe pneu de outra marca. Diretor de uma concessionária me ligou reclamando da minha observação, pois um cliente estava recebendo um carro zero e alegou que o sobressalente era de outra marca. E disse que tinha lido aqui na coluna que isto não é correto.

Só que nesse caso, observou o diretor, o estepe era do tipo emergencial, aquela roda pequena com limitação de velocidade, só para quebrar o galho até chegar ao borracheiro. É claro que, neste caso, tanto faz a marca ser igual ou não, já que o pneu é completamente diferente e vai rodar apenas um pequeno trecho e em baixa velocidade. Aí, perdido por um, perdido por mil…

Por falar em pneu e em estepe, é difícil de explicar essa verdadeira preguiça do motorista para calibrá-los. Uma operação simples, rápida e em geral sem custo nenhum. Apesar disso, as estatísticas mostram que 25% (em média) dos automóveis rodam com os pneus abaixo da calibragem recomendada. Talvez os motoristas não saibam que, basta uma pressão 20 a 25% inferior à recomendada para aumentar em 6% o consumo de combustível. E reduzir a durabilidade em 50%. Além do prejuízo no bolso tem a ameaça à segurança. Com pressão baixa, fica em jogo também a estabilidade do automóvel. Entrar numa curva com os pneus murchos aumenta a possibilidade de ele escorregar lateralmente e até sair da pista. Curioso que, em relação especificamente ao sobressalente, a maioria de quem calibra os outros quatro acaba deixando de lado o estepe.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

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