Cuidado com as “pegadinhas” das lojas e oficinas

No Primeiro Mundo não se vende sequer um parafuso que não esteja certificado. No Brasil é na base do “salve-se quem puder”.

Por BORIS FELDMAN26/02/18 às 10h28

Aqui é muito comum encontrar lojas e oficinas que tentam empurrar peças, acessórios e aditivos de baixa qualidade ou totalmente desnecessárias.

No Brasil, o governo faz de conta que se preocupa com segurança veicular, estabelece normas, exigências e obrigatoriedade de equipamentos. Em geral, pressionado pelos fabricantes interessados em faturar e focando apenas o carro zero km. Deixou o show-room, ainda é atendido nos primeiros anos pela oficina da concessionária, forçada pela fábrica a manter um padrão mínimo de qualidade. E, mesmo assim, costuma pisar no tomate…

Mas, fora da autorizada, só se o dono do carro tiver noção mínima de mecânica ou der a sorte de ser atendido por uma oficina responsável. Caso contrário, vai na base do “salve-se quem puder”. Ao contrário do Primeiro Mundo, qualquer “fundo de quintal” coloca no mercado qualquer produto sem nenhum critério de segurança, qualidade ou durabilidade. No mercado de reposição (chamado “paralelo”) encontra-se na mesma prateleira uma peça produzida pela mesma empresa que fornece para fábrica do automóvel ao lado de outra feita numa fabriqueta que desconhece padrões éticos ou de qualidade. Na Europa, ninguém coloca um parafuso à venda se não for certificado por um órgão homologado pelo governo. No Brasil, o Inmetro ainda engatinha no assunto e, por enquanto, só estabeleceu padrão de qualidade para alguns poucos itens, como rodas e amortecedores. Componentes são repostos na suspensão, freios e direção do automóvel sem nenhuma exigência de qualidade. E dane-se a segurança.

Chips e economizadores

Economizador de combustível HyperGauss é picaretagem

HyperGauss é uma das novas picaretagens do mercado

Lojas e oficinas oferecem chip para aumentar o desempenho ou transformar para flex o carro à gasolina, sem compromisso com níveis de consumo e emissões. A prateleira dos “economizadores” é um festival de maracutaias que anunciam mundos e fundos. Trapizongas elétricas, eletrônicas e mecânicas que reduzem em “até 20%” o consumo de combustível. Fosse verdade, as fábricas de automóveis não iriam se interessar pelo equipamento?

Pneus

Quase fui vítima, recentemente, de uma loja tentando me empurrar um jogo de pneus com um grande desconto: só percebi a malandragem ao perguntar pelo DOT: o vendedor recuou, disse não ter certeza se tinha o jogo completo no estoque e saiu pela tangente. Poucos motoristas sabem que os quatro dígitos que seguem as letras “DOT” (na banda lateral) revelam sua data de fabricação: no caso, pelo menos um deles ostentava “1712”, ou seja tinha sido produzido há cinco anos, na 17ª semana de 2012. Durabilidade de pneu, rodando ou na prateleira, não passa de cinco a seis anos….

Farol de xenônio

Farol de xenônio é outra “armação”: apesar de proibido, algumas lojas tentam engambelar o freguês e confiam na falta de fiscalização nas nossas ruas e estradas, pois só pode ser instalado como reposição em automóveis que deixaram com ele a linha de montagem. Parabrisa é outro “conto do vigário”: se oferecido a preço bem inferior ao de mercado, é por ser antigo, do tipo temperado. Já tem tempos que a lei exige que sejam laminados, por questão de segurança.

Aditivos

Aditivo é capitulo à parte e pode-se, em princípio, duvidar de quase todos. Apenas aditiva a conta bancária de quem o fabrica e reduz a do freguês. Oferecidos em cada esquina, os únicos realmente necessários são os que se misturam à água do radiador e à gasolina comum. Mas as opções são muitas e tem, por exemplo, outro para a gasolina, o “booster”. Diz (em inglês) que aumenta a potência do motor. Funciona? Sim, lá nos EUA, onde a mistura de álcool é de 10% no máximo. Ou na Europa, onde não passa de 5%. No Brasil, é inútil oxigenar a gasolina que já tem 27% de álcool. Tem até para o óleo do motor, que afirma recompor suas partes desgastadas. Fosse verdade, coitadas das retíficas…

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

Boris Feldman

3 Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • José Batista Filho 6 de junho de 2018

    Boa noite Boris
    Sobre a troca da Correia dentada junto com o rolamento tensor.
    Veja bem
    Se um veículo rodou 80.000 km
    Será necessário a substituição dos dois componentes
    Corrêia e rolamento tensor
    Se não substituir o rolamento tensor .ele vai rolar mais
    80.000 km.e se neste período o rolamento tensor travar ? Aí que a bomba vai estourar.
    O cliente vai vir soltando fumaça..

  • EVERTON OLIVEIRA FRANCISCO 25 de abril de 2018

    só pode ter LED veículos que deixaram a fabrica com eles, também é proibido mudar o sistema atual de iluminação incandescente para outra diferente do que foi proposto pelo fabricante. video a resolução 667 do contran > Art. 2º 5º É proibida a substituição de lâmpadas dos sistemas de iluminação ou sinalização de veículos por outras de potência ou tecnologia que não seja original do fabricante.

  • Marcos Silva 27 de fevereiro de 2018

    Boris, na reportagem fala do farol de xenônio, mas é o farol de led? É permitido? É realmente melhor?

Deixe um comentário