Devo variar os combustíveis em carros flex?

Há verdade e mentira na dica de que é bom alternar entre a gasolina e o etanol em carros flex

Por BORIS FELDMAN05/03/18 às 13h00

O brasileiro tem paixão por automóveis, mas também por dar palpites sobre sua mecânica. Depois de lançado o carro flex, foi um verdadeiro festival de dicas para os motoristas. A maioria é divulgada pela internet e não faz sentido algum. Assim, analisamos hoje uma dica “furada” e outra que, de fato, funciona. Ambas falam sobre variar os combustíveis em carros flex.

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A que não tem nenhum fundamento técnico é a de se alternar o combustível no carro flex. Se o motorista abastece sempre com gasolina, o conselho seria encher o tanque com etanol com certa periodicidade. Ou, no caso contrário, em que só se abastece com etanol, ele deveria fazer uso da gasolina de vez em quando. A explicação oferecida para esta dica não se sustenta. “É para o motor não se acostumar com um combustível só”, dizem os “experts”.

Na realidade, não existe a possibilidade do motor “se acostumar” com um combustível. Quem divulga este disparate se esquece de que os carros flex têm um sensor que determina o que está no tanque e passa essa informação para a central eletrônica, que ajusta automaticamente o motor para queimar o combustível com máxima eficiência. Este sensor é a sonda Lambda, que fica no escapamento, e detecta se o veículo está rodando com gasolina, etanol ou uma mistura entre os dois.

Entretanto, o etanol é um combustível mais limpo, e usá-lo no tanque de veículos que sempre rodam com gasolina pode promover uma limpeza do motor. Por outro lado, a gasolina tem melhor poder de lubrificação que o etanol, fazendo com que a situação contrária também possa ser proveitosa. Ou seja, não é necessário variar os combustíveis em carros flex, mas também não há problema em fazê-lo.

Há apenas um caso em que podem surgir problemas quando se trocou o combustível, como diz uma dica que funciona. Isso ocorre quando o motorista abastece seu carro com etanol, sendo que anteriormente estava com gasolina, em um posto que fica perto da sua casa. Nesse caso, ele pode ter problemas para ligar o veículo na manhã seguinte, pois a sonda Lambda não teve tempo suficiente para detectar que o veículo, agora, está abastecido com álcool. A central eletrônica, então, não vai acionar o sistema de partida a frio, que injeta gasolina no motor. Com isso, especialmente se o dia estiver frio, o carro vai demorar a ligar.

Boris Feldman

Jornalista e engenheiro com 50 anos de rodagem na imprensa automotiva. Comandou equipes de jornais, televisão e apresenta o programa AutoPapo em emissoras de rádio em todo o país.

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