O golpe da Ferrari: como um relógio falso comprou um superesportivo de R$ 4 milhões

Carro de luxo foi parar em loja no litoral de SC e expôs uma trama policial de estelionato e lavagem de dinheiro

Ferrari de R 4 milhões vira caso de polícia após golpe do relógio falso ReproduçãoRecord (1)
O relógio de luxo apresentado como parte do pagamento foi reprovado em perícia técnica que atestou a falsificação da peça (Foto: Record | Reprodução)
Por Tom Schuenk
sob supervisão de Eduardo Passos
Publicado em 01/06/2026 às 10h00

Uma Ferrari avaliada em R$ 4 milhões, apontada como exemplar único no Brasil, tornou-se o pivô de uma complexa disputa jurídica e policial, revelou o portal BNews. O empresário Leonardo Vasconcelos Rodrigues, proprietário original do superesportivo, denuncia ter sido vítima de um golpe na venda do veículo, que acabou nas mãos de um alvo da Operação Integration — a mesma que investigou a influenciadora digital Deolane Bezerra em 2024.

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Negociação suspeita e laudo pericial

A transação ocorreu com Carlos Eduardo Nascimento Barbosa, operador do mercado de relógios de luxo. Para fechar o negócio, ele ofereceu como pagamento um relógio de grife, supostamente avaliado em R$ 2,5 milhões, e três cheques de R$ 600 mil. A farsa ruiu quando Rodrigues submeteu o acessório a uma perícia técnica, cujo laudo oficial atestou a falsificação.

Em depoimento à Polícia Civil, o comprador confessou o estelionato. Ele admitiu que os cheques repassados não tinham provisão de fundos e que tinha plena ciência da falsidade da peça, justificando o crime por enfrentar severa crise financeira.

Conexão com lavagem de dinheiro

O aprofundamento da investigação revelou que a Ferrari foi repassada rapidamente a Boris Maciel Padilha. O carro foi rastreado e apreendido pelas autoridades no interior de uma loja em Itapema, no litoral de Santa Catarina. Com os desdobramentos, Barbosa foi indiciado por estelionato, enquanto Padilha passou a ser investigado por suspeita de participação na fraude.

O caso ganha relevância pelo histórico do novo detentor do veículo. Padilha já responde por lavagem de dinheiro no escopo da Operação Integration. Apesar de o Ministério Público ter emitido parecer favorável à devolução imediata do carro a Rodrigues, a Justiça determinou que o bem permaneça provisoriamente com Padilha. A defesa sustenta que ele é inocente e que adquiriu o veículo em uma permuta legal por relógios autênticos. Sem desfecho nos tribunais, o proprietário original segue no aguardo de uma reparação enquanto tenta reverter o prejuízo milionário.

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