Uso de aditivos no motor, como o Militec, anula a garantia?

Conversamos com especialistas para saber se há risco em utilizar aditivos misturados ao óleo do motor, e como fica a garantia nessa hora

Por Bárbara Angelo 18/10/19 às 15h47

Existem, no mercado, diversas opções de aditivos para lubrificantes automotivos. Eles são compostos químicos que prometem ampliar as funções que o óleo exerce no motor, como diminuir o acúmulo de resíduos e reduzir o desgaste. Dentre eles, o mais famoso é o Militec.

Contudo, assim como outros produtos da categoria, as funções que exerce já são efetuadas pelos lubrificantes recomendados pelas fabricantes de carros. Isso é designado pelo índice API, um indicador do nível de sofisticação do óleo, que é mais alto quanto mais moderno for o veículo. Assim, o óleo utilizado no motor já exerce as funções propostas por esses produtos.

troca oleo carter Conversamos com especialistas para saber os riscos de misturar aditivos ao óleo do motor, como Militec, e como fica a garantia nessa hora.

Por isso, é preciso cuidado na hora de misturar os aditivos com os lubrificantes, tanto no caso do Militec quanto em outros. Existe o risco de surgir uma reação química inesperada, a depender do produto escolhido, que acarretem problemas no motor. Nesse caso, ao procurar a concessionária para reparar o defeito, ele pode perder a garantia.

Para entender como isso ocorre, tomamos o produto mais famoso da categoria como exemplo, e conversamos com especialistas e com as fábricas para saber o que pode acontecer.

O que é Militec?

O Militec é um aditivo para óleos lubrificantes indicado para carros, motos e outros veículos. De acordo com o site oficial do fabricante do produto, ele é um “condicionador de metais”. O fornecedor diz, ainda, que o composto enrijece as superfícies metálicas do motor, tornando-as “17 vezes mais resistentes”.

Conversamos com especialistas para saber os riscos de misturar aditivos ao óleo do motor, como Militec, e como fica a garantia nessa hora.
(Militec | Reprodução)

Além disso, o Militec promete “melhorar a acomodação entre os anéis de pistão e as paredes do cilindro”, no motor. Outras funções seriam reduzir o calor de partes móveis, manter a lubrificação de parte móveis por 20 mil quilômetros, diminuir a oxidação, e reduzir o consumo de combustível, entre outros.

Em seu site oficial, o fabricante do Militec sugere que o produto seja adicionado ao óleo do veículo, sendo que se adapta a qualquer lubrificante, independente de viscosidade, tipo ou índice API. A empresa também recomenda o uso da substância pura, em locais como o ar-condicionado.

Por que a garantia é perdida?

Segundo informa a Fiat, a marca oferece garantia para lubrificantes, fluidos e aditivos homologados por ela mesma. Assim, caso o proprietário do carro faça uso de produtos que não possuam essa aprovação, como o Militec, e isso levar a problemas, a concessionária pode perceber quando analisar o carro. E, se isso ocorrer, a garantia será perdida e o consumidor terá que arcar com os custos do conserto, assim como de qualquer outro defeito posterior no mesmo componente.

oficina mecanica shutterstock

Da mesma forma, a Nissan também informa que problemas consequentes do uso de fluidos não recomendados anulam a garantia.

“De acordo com o manual do proprietário, a Nissan orienta que o óleo seja trocado em uma concessionária Nissan. O veículo Nissan utiliza vários tipos de óleos e fluidos, que têm um papel importante, como lubrificar, refrigerar o veículo e evitar ferrugem nos sistemas em que atuam. O uso e aplicação deve ser somente de óleos recomendados e fluidos genuínos Nissan, que são desenvolvidos após testes e validados para uso nos veículos da marca. O uso de fluídos, que não os recomendados pela montadora, podem causar danos e saem do escopo da garantia”, informa a fabricante.

É o mesmo caso da instalação de equipamentos não homologados, outro comportamento que pode levar à anulação da garantia. Essa é a política praticada pela maioria das marcas de carro, que também irão cancelar a garantia se um defeito for causado pelo uso de uma substância não recomendada, como o Militec.

Militec e aditivos podem “brigar” com lubrificante

A diretora de lubrificantes, aditivos e fluidos da Associação Brasileira de Engenheiros Automotivos (AEA), Simone Hashizume, dá mais detalhes sobre os riscos no uso de Militec, outros aditivos ou o lubrificante errado. Ela explica que, atualmente, os óleos são fruto de um grande investimento em tecnologia e devem atender a uma série de requerimentos.

“Carros novos têm motores mais modernos, e usam lubrificantes também mais modernos que não necessitam de aditivação adicional. O uso deles pode até desbalancear a formulação”, explica Hashizume. Além de atender às necessidades específicas de cada tipo de motor, o óleo também deve se conformar a exigência legais com relação a redução do consumo de combustível e dos níveis de emissões.

escolher oleo carro lubrificante aditivo

Sem respeitar esses limites, um veículo não poderia ser homologado e vendido. Por isso, os lubrificantes que carros novos utilizam já são quimicamente muito avançados.

“O óleo lubrificante é igual ao sangue do motor, ele circula por várias partes e tem muitas funções. É preciso escolher bem o que colocamos lá, porque os óleos não são todos iguais”, enfatiza ela.

[Veja o vídeo] Óleo do motor: na revisão recomendaram um mais moderno? Questione!

Avalie o conteúdo:
PéssimoRuimRegularBomExcelente (10 votos, média: 5,00 de 5)
loadingLoading...
Clique na estrela para avaliar.
7 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
  • Avatar
    Renato Portella 23 de outubro de 2019

    Fiz um comentário e não publicaram, ou seja, censuram sem explicação. Boris e cia. Somos livres de expressão. Vide art. 1° da nossa Constituição de 1988. Tá.
    Deixo de segui-los pela atitude inadequada para nossos dias de hoje.

  • Avatar
    Renato Portella 23 de outubro de 2019

    Falam em manual? Nacionais até pode ser completo. No manual do meu New Beetle 2008 que veio, não é do ano dele, faltando Informações sobre o fluido da transmissão automática TIPTRONIC. Só explica, em demasia, as funções principais, sem muito detalhes. O óleo do motor, só escrevem que é 502.00 ou se tem equivalente (ainda bem que ele é feito pela Gastrou), não informam. Ainda bem que tenho amigos numa Concessionária VW, que me dão dicas, como o fluido da transmissão que é da Móbil 33.09 para ESPECÍFICÃO AISIN WARNER, do contrário, ficaria, como ficam milhares de donos de carros, sem conhecimento e manual completo.

  • Avatar
    Ivan 23 de outubro de 2019

    Gostei da matéria. Tem muito especialista recomendando o remédio mágico dizendo que o carro pode até ficar sem óleo que continuará andando.
    Eu prefiro trocar o óleo do meu carro a cada 6 meses pois meus trajetos são curtos e nunca atinjo a quilometragem indicada. Mas prefiro “pecar” pelo excesso do que pela falta.

    • Avatar
      Renato Portella 23 de outubro de 2019

      Iva, o que me deixa “P” da vida, são as pessoas que vêem vídeos de Mecânicos, ditos profissionais, recomendam: coloque perfect….. na gasolina, que limpa o sistema além dos bicos, use o aditivo de radiador zxyw, que lubrifica e proteje contra a corrosão, coloque o aditivo abcd, no motor e ele terá mais vida útil, coloque o cabo de velas “trouxatak” e muitos caem nessas armadilhas, prejudicando o motor do seu carro e não estão nem, pois foi o Dr. Mechanico e o mecânico Zé das couves, que disse ser bom, pois ele usa nos carros que conserta.
      Fico pasmo, nos meus 40 anos de mecânica, ver essas e outras atrocidades no YouTube. É um festival de merchandising, que as pessoas não entendem. Parecem alienadas. Ao invés de se informar como neste blog, não. Se deixam levar pelo que vêem e óbvio, que logo logo, o carro estará de volta na oficina desses espertalhões.

  • Avatar
    Fernando B 19 de outubro de 2019

    Normal o brasileiro ser enganado ou acreditar em mágica: em geral, 8 em cada 10 motoristas JAMAIS leu o manual do veículo e, portanto, desconhecem completamente seu próprio carro.

  • Avatar
    Antonio Donizeti martins 18 de outubro de 2019

    Há algumas décadas havia um jargão: A PROPAGANDA É A ALMA DO NEGÓCIO. Hoje a coisa mudou tanto qua a propaganda é o NEGÓCIO. Em nosso país, falsifica-se até medicamentos. Use os lubrificantes indicados no manual e beleza.

  • Avatar
    Wagner 18 de outubro de 2019

    Matéria sensata. Parabéns

Avatar
Deixe um comentário