Carros chineses enfrentam desvalorização em mercado tradicional

Principal preocupação demonstrada em pesquisa é a possibilidade de montadoras da China saírem do mercado local e dificultar a manutenção

carros chines portal
Desvalorização dos chineses é alta no maior mercado europeu (Foto: Fernando Calmon | Divulgação)
Por Fernando Calmon
Publicado em 13/06/2026 às 13h00

Apesar do avanço dos carros chineses em termos de estilo, modelos elétricos, híbridos ou só com motores a combustão de especificações surpreendentes e, em especial, a preços bem baixos, a situação atual na Alemanha, maior mercado do continente europeu, apresenta números decepcionantes quanto à desvalorização de usados. O estudo publicado pela alemã DAT (equivalente à tabela FIPE, no Brasil) foi repercutido pelo site Automotive News Europe (ANE), agora no final de maio.

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Quase metade dos entrevistados teme o desaparecimento de várias marcas chinesas, nos próximos cinco anos, com reflexo na disponibilidade de peças de reposição e consequente problemas de manutenção e reparação a longo prazo.

Segundo Martin Weiss, que comanda o departamento de precificação da DAT, “o mercado carece de experiência com modelos chineses mais antigos. Muitas marcas entraram recentemente no mercado alemão, o que deixa dúvidas sobre durabilidade e qualidade com o passar do tempo”.

Companhias de leasing têm grande participação na Alemanha em veículos de passageiros novos. É bastante comum as empresas em geral oferecerem carros alugados subsidiados aos seus empregados como parte do salário (fringe benefits, em inglês, benefícios adicionais, em português).

Weiss declarou à ANE que empresas ofertantes de aluguéis de longo prazo tornaram-se mais cautelosas para aceitar produtos chineses. “Algumas até exigem pagamento antecipado, antes de concordar em incluir os carros em seus portfólios”, ressaltou.

Queda no mercado chinês

Por outro lado, o correspondente na China do site matriz americano Automotive News, também no final de maio, apontou problemas que já existiam e se agravaram. “As gigantes chinesas de veículos elétricos estão sofrendo em seu próprio país, com a queda nas vendas de elétricos em todo o território nacional e a consequente redução dos lucros de empresas líderes como BYD e Geely.”

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4 Comentários
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Tony Pacheco 15 de junho de 2026

É um fetiche. Tem pessoas que são guiadas por modas. Tudo depende do nível intelectual que em se tratando de brasileiros, a média é baixíssima. O cidadão quer parecer “descolado”, “moderno” e “rico”. E aí compra um carro chinês sem a menor análise das consequências financeiras que isso vai lhe trazer. As outras pessoas que responderam já disseram tudo: desvalorização galopante, reparo difícil e custoso e a sensação eterna de que se está usando um veículo defasado, pois os chineses inventaram o carro descartável: todo ano eles mudam tudo nos carros que vendem. Além de ser um prejuízo certo é também altamente estressante. E carro elétrico, chinês ou não, é uma roubada em países como o Brasil, onde, um século depois, o abastecimento de gasolina é difícil em muitas rodovias, imagine postos de abastecimento para carros elétricos!?

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Polvo 15 de junho de 2026

Ciclo de vida curtíssimo, modelos que ficam defasados rapidamente dentro da própria gama, pós venda deficiente, grandes políticas de desconto das montadoras chinesas nos modelos 0Km vai fazer o carro chinês de segunda mão desvalorizar rapidamente.

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GSciarra 15 de junho de 2026

Carros chineses ? Vamos aos fatos: tenho amigo que tirou um BYD Song Plus e um Cherry Arrizo 6, ambos novos. Não sei porque ele escolheu essas marcas chinesas, pois ele poderia com aproximadamente o mesmo $$ ter comprado outros carros equivalentes mais consagrados, tipo um Jeep Compass ou VW Taos como SUV e um VW Virtus ou Toyota Corolla como Sedan. Mas enfim vivemos na era da “hype” e do TikTok e alguns se atiram na emoção em busca de novidades, seja lá o que isso significa.

Isso dito, com dois anos de uso e baixa quilometragem o Song estourou os pivôs da suspensão dianteira (já ouvi isso de vários) e o acabamento do volante literalmente desmanchou na mão do cara. E o Arrizo, com apenas 1 ano de uso quebrou o acabamento da lanterna traseira e queimou uma placa eletrônica da multimídia (por erro de manutenção de um terceiro, não por defeito), mas que custaram a bagatela de 4 mil e 11 mil reais cada (custo da peça de reposição na concessionária). Já vendeu o Arrizo e pegou uma Fiat Toro, provavelmente tomando um baita prejuízo, e já me disse que planeja passar para a frente o tal do Song (deve conseguir 50% do valor que ele pagou…).

Moral da história: “nem tudo que reluz é ouro” e “não existe almoço grátis” e “o barato sai caro”. São esses três ditados que me veem a cabeça quando ouço sobre essa febre sobre carros chineses. Tecnologia é boa para algumas coisas mas o excesso de tecnologia também pode ser ruim, ainda mais num país de renda baixa, com dificuldades de acesso a peças importadas, e com falta de mão de obra especializada. Carros chineses melhoraram e são bonitos, mas ainda tem um longo caminho para se provarem na realidade brasileira.

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Reynaldo 15 de junho de 2026

Aqui no Brasil já temos falta de peças dos nacionais, imagina desses chineses que mudam a cada ano. Só o tempo dirá, mas não aparenta ser muito bom para o mercado de usados e reparação.

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