Carros rejeitados: 10 modelos que se deram mal no mercado

Por diferentes motivos, os consumidores do país correram desses veículos, que acabaram fracassando comercialmente

Por Alexandre Carneiro 19/05/19 às 10h00
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O mercado de carros é impiedoso: enquanto alguns modelos tornam-se sucessos estrondosos, outros são sumariamente rejeitados. Embora seja difícil estabelecer padrões para esse fenômeno, geralmente veículos que vendem mal quando novos tendem a ser preteridos também depois de usados. O listão do AutoPapo deste domingo é exatamente sobre isso: enumeramos 10 modelos que fracassaram comercialmente no país.

Vale lembrar que vender mal não indica, necessariamente, falta de qualidade ao produto. Há diferentes razões para o insucesso, que podem passar por falhas de marketing e até turbulências econômicas no mercado. Seja como  for, relacionamos apenas veículos lançados para obter grandes números de vendas. Modelos de nicho, cujo lançamento não visa, principalmente, o volume de emplacamentos, ficaram de fora. Confira os 10 carros rejeitados pelo consumidor brasileiro:

1. Fiat Marea

fiat marea é um dos carros rejeitados pelo mercado

O Marea causou impacto quando foi lançado, no ano de 1998. Moderno para a época, tinha como destaque um motor 2.0 de cinco cilindros e 20 válvulas. Dois anos depois, o modelo adotou um propulsor 2.4 com as mesmas características técnicas. Mas a mecânica passou de atrativo a pesadelo: complexa, exigia muito conhecimento técnico e ferramentas específicas. Ademais, o conjunto motriz vinha importado da Itália, o que aumentava os preços de determinadas peças.

Para piorar, a própria Fiat recomendava intervalos muito longos, de 20 mil quilômetros, entre as trocas de óleo. Graças ao contato com combustível ruim e a outros fatores, logo surgiram casos de contaminação por borra. O fabricante chegou a reduzir esse prazo pela metade, mas era tarde: o sedã e a perua Weekend já eram carros rejeitados.

Há, porém, outro fator relacionado ao insucesso comercial do Marea. Nos anos seguintes ao lançamento, o mercado recebeu uma enxurrada de novos sedãs. Entre os quais, as (então) novas gerações de Honda Civic e Toyota Corolla. A competitividade crescente do segmento, associada à má fama mecânica, selaram o destino do modelo da Fiat.

2. Volkswagen Gol 1.0 16V

vw gol turbo é um dos carros rejeitados pelo mercado

O Gol é um sucesso incontestável de mercado. Foi simplesmente o automóvel mais vendido do país por 26 anos, entre 1987 e 2013. Porém, duas versões, em especial, são abominadas pelos consumidores: a 1.0 16V e a 1.0 16V turbo. Em parte, pelo forte preconceito com motores multiválvulas e turboalimentados que dominava os consumidores da época. Mas a má fama não era totalmente injusta.

Esses motores, tanto o de aspiração natural quanto o turbo, apresentavam falha na polia do comando de válvulas com variador de fase. O resultado, muitas vezes, era a necessidade de retificar o cabeçote. A repercussão negativa foi grande, a ponto de a Volkswagen tirar tais propulsores de linha, em vez de aperfeiçoá-los.  E o Gol e a Parati equipados com eles entraram para o rol de carros rejeitados.

3. Renault Symbol

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O Symbol não tem falhas graves de projeto. Pelo contrário: seus motores 1.6 de 8 ou 16 válvulas equiparam vários modelos da Renault sem histórico de problemas. A culpada por seu insucesso comercial, provavelmente, é a concepção. Afinal, o modelo nada mais era senão um sedã baseado no Clio nacional, já ultrapassado. A arquitetura antiga trazia heranças indesejáveis, como falta de espaço no banco traseiro e visual controvertido.

Para piorar, o sedã sofreu concorrência interna da primeira geração do Logan, que era mais espaçoso e barato. Não deu outra: o modelo teve vida  curta, sendo produzido apenas de 2009 a 2013. Assim, o Symbol passou a figurar na lista de carros franceses rejeitados pelo consumidor.

4. Peugeot Hoggar

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Atualmente, muitos incluiriam o 206 em uma lista de carros rejeitados. Porém, deve-se considerar que o modelo vendeu bem na década passada, quando era novo. A situação começou a mudar quando a Peugeot lançou o 207, que nada mais era que um 206 reestilizado. Foi então que a linha passou a contar com uma picape: a Hoggar. Nenhum integrante da “nova” gama teve êxito comercial, mas coube à caminhonete o maior fracasso.

O design, com grandes faróis e lanternas, além da dianteira pontuda, é geralmente apontado como o grande vilão. Entretanto, a Hoggar herdou a fama de ter suspensão frágil que acomete toda a linha 207. Em um veículo de carga, essa reputação é ainda mais temida. Por fim, pesou também a falta de tradição da Peugeot no segmento de picapes.

5. Citroën AirCross

citroen aircross é um dos carros rejeitados pelo mercado
Fotos Citroën | Divulgação

Há quem pense que o AirCross saiu de linha, substituído pelo recém-lançado Citroën C4 Cactus. Ledo engano, pois ele continua sendo fabricado em Porto Real (RJ). Tal desconhecimento reflete a pouca penetração que o modelo teve no mercado, uma vez que suas vendas nunca decolaram.

É difícil apontar um único fator responsável por colocar o AirCross entre os carros rejeitados. Talvez o projeto que mescla características de diferentes segmentos, justamente seu maior diferencial,  tenha sido um tiro pela culatra. Afinal, não encanta quem quer um SUV propriamente dito, tampouco ao público dos monovolumes. O Citroën AirDream então, que é o mesmo veículo, mas sem decoração aventureira, é um verdadeiro mico.

6. Nissan Tiida Sedan

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Se o Tiida hatch já não foi nenhuma maravilha de vendas, o sedã é ainda pior de mercado. Ambos foram importados no México, quando a Nissan ainda não havia inaugurado sua fábrica em Resende (RJ). Eles têm qualidades, entre as quais bom espaço interno e desempenho correto, graças ao motor 1.8 16V. Todavia, nada disso foi capaz de atrair os compradores e ambos são, atualmente, carros rejeitados.

No caso do sedã, o fator mais determinantes parece ter sido o desenho da traseira. Por mais que gosto seja algo pessoal, é difícil encontrar alguém que considere o modelo bonito. A Nissan acabou interrompendo as importações das duas opções de carroceria. O hatch chegou a ter uma nova geração no exterior, que nunca chegou ao mercado brasileiro.

7. Hyundai Elantra

hyundai elantra é um dos carros rejeitados pelo mercado

Diferentes gerações do Elantra foram importadas para o Brasil, mas nenhuma fez sucesso. A última talvez tenha protagonizado o maior fracasso. Afinal, quando chegou, em 2011, a Hyundai vivia um momento de franca expansão no país. Aliás, o mercado nacional como um todo ia de vento em popa, e o segmento de sedãs médios estava bastante aquecido.

Por todos esses motivos, a Hyundai esperava que o Elantra fizesse sucesso. Tanto que veiculou uma massiva campanha publicitária durante o lançamento. Apesar disso, o modelo nunca chegou a ter números expressivos de vendas. Ao contrário de outros carros da marca, o sedã está entre os rejeitados.

8. Chery Celer

chery celer é um dos carros rejeitados pelo mercado

Vários carros chineses foram rejeitados pelos consumidores brasileiros. Por que, então, só o Celer está na lista? Simples: ele é que teve maior expectativa de vendas. As demais empresas do país asiático vieram como importadoras e estabeleceram operações menores por aqui. Já Chery construiu uma fábrica em Jacareí para produzir o compacto. Foi uma medida para crescer antes das compatriotas, o que não aconteceu.

Na verdade, tudo deu errado para a Chery. Logo após a inauguração da fábrica, o país entrou em crise e as vendas de veículos despencaram. Ademais, a empresa apostou em um hatch e em um sedã, quando o segmento em evidência era o dos SUVs. No olho do furacão, o Celer acabou fracassando.

Após acumular prejuízos, a Chery acabou entregando suas operações no Brasil, incluindo a fábrica de Jacareí, para o Grupo Caoa. Desde então, a marca vem passando por uma reformulação, que inclui o lançamento de novos produtos. Ironicamente, o Celer hatch sofreu mudanças e continua em produção. O modelo ganhou uma reestilização e adereços off-road, para ficar parecido com um SUV. E até mudou de nome: agora, ele se chama Tiggo 2.

9. Chevrolet Agile

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Perto de outros carros da lista, os integrantes da linha Agile nem são tão rejeitados assim. Mas basta compará-lo a outros hatches compactos da Chevrolet para perceber o insucesso. Corsa e Celta tiveram desempenho comercial muito melhor quando novos e mantêm maior aceitação no mercado de usados. O Onix, então, nem se fala: é o automóvel mais vendido do Brasil desde 2015.

Já o Agile teve vida muito mais curta que seus “irmãos”: durou só cinco anos, de 2009 a 2013. Os problemas começaram ainda na fase de projeto, que tinha grandes restrições orçamentárias. Vale lembrar que o hatch foi concebido durante a crise econômica mundial de 2008, que atingiu seriamente a GM, e, consequentemente, a Chevrolet. Por isso, o veículo adotou a plataforma 4.200, já bastante antiga: foi herdada da primeira geração do Corsa.

A arquitetura ultrapassada impunha uma posição de dirigir desconfortável, enquanto a altura elevada da carroceria prejudicava a estabilidade. E o design nunca foi uma unanimidade. É verdade, porém, que o Agile tinha alguns pontos fortes, como o espaço no habitáculo e no porta-malas. Porém, era pouco para evitar o fiasco. Os poucos carros equipados com o câmbio automatizado de uma embreagem Easytronic são ainda mais rejeitados: ninguém os quer.

10. Ford Focus Sedan/Fastback

ford focus fastback é um dos carros rejeitados pelo mercado
Agora, Focus Fastback também desapareceu

A configuração sedã do Focus sempre teve boas qualidades como produto, mas nunca vendeu bem. O modelo teve três gerações no país: todas são ruins de mercado. Os emplacamentos sempre representaram uma fração em relação aos do hatch, que apesar de não ser um campeão de público, conseguiu conquistar algum espaço.

Entre os atributos técnicos do Focus destaca-se a suspensão independente nas quatro rodas. O conjunto traseiro do tipo multilink tornou-o  uma das referências do país em estabilidade e suavidade ao rodar. Sob o capô, o modelo teve motores atuais e potentes. E a Ford tem tradição no segmento de modelos médios. Tinha tudo para fazer sucesso: de certo modo, é até surpreendente que o sedã tenha se tornado um dos carros rejeitados do mercado.

Durante muito tempo, o design da traseira do sedã não ajudou: a primeira geração era polêmica, e a segunda, sem criatividade. Na terceira e atual safra, é difícil reclamar do estilo do sedã. Mas ela trouxe outro problema, que se chama Powershift. O câmbio automatizado de dupla embreagem da Ford ganhou má fama após vários casos de mau-funcionamento. Em 2015, o fabricante reestilizou a gama e mudou o nome do modelo, de Sedan para Fastback. Nada disso adiantou: o Focus acabou saindo de linha neste mês.

Fotos | Divulgação

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4 Comentários
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    Rodrigo 20 de maio de 2019

    Concordo com o Erley… Quando terá fim este formato de postagem???
    Ele desestimula a leitura e acaba por afastar os seguidores direcionando-os à outros sites/fóruns automotivos (que por sinal abundam na mídia atualmente)…

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    ed 20 de maio de 2019

    Pelo amor de Deus!! Coloca tudo na mesma página!!

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    Erley Rodrigues 19 de maio de 2019

    Poderiam publicar o post como um texto, sem necessidade de botões para ler o próximo. Quando chego ao final, tenho que ficar voltando aos anteriores até chegar ao menu do site. Em razão disso, só leio o primeiro. Quando vejo o botão “próximo” desisto de continuar.

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    Antonio Donizeti Martins 19 de maio de 2019

    Mas o caso exponencial do qual eu tenho lembrança foi o CORNO-WAGEN

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