5 carros que saíram de linha sem deixar sucessores

O público ficou órfão em alguns segmentos do mercado brasileiro devido a mudanças de prioridades das montadoras ou vendas baixas

Adeildo Silva
Já são 6 anos sem peruas nacionais (Foto: Fiat | Divulgação)
Por Eduardo Rodrigues
Publicado em 25/06/2026 às 06h00

Existem nichos do mercado que seguem existindo graças a fidelidade do público, mesmo com oferta limitada. Um exemplo disso é o de minivans compactas, que possui apenas o Chevrolet Spin como opção e sua produção é justificada pela demanda constante vinda de taxistas, famílias numerosas e frotas públicas. Mas os fabricantes podem achar viável tirar um carro de linha sem deixar um sucessor.

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Isso é uma aposta que muitas vezes é justificada em unificar a oferta de plataformas e apostar em segmentos com apelo maior. Quanto ao consumidor que ficou “órfão”, ele precisa aprender a gostar de outro tipo de carro ou manter o atual. Veja cinco casos de modelos que saíram de linha sem ter um sucessor, seja direto ou indireto.

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1. Volkswagen Kombi

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Não existem mais vans com as capacidades da Kombi por preços similares aos cobrados por ela (Foto: Volkswagen | Divulgação)

Por muitas décadas era impossível imaginar o mercado brasileiro sem a Kombi. O furgão derivado do Fusca foi o primeiro Volkswagen produzido em solo nacional em 1957 e saiu de linha em dezembro de 2013 por não ter freios com ABS e airbags dianteiros.

Uma Kombi nova custava R$ 50.930 quando saiu de linha em 2013, equivalente a R$ 117.045 em valores atuais quando corrigido pelo índice IGP-M. Usando o mercado de referência, o preço era o mesmo de um Renault Duster de entrada, que hoje parte de R$ 131.990.

Independente do valor usado, não existe mais van para até 12 passageiros ou furgão capaz de levar 1 tonelada de carga nessa faixa de preço em nosso mercado. Mesmo extremamente defasada, a Kombi tinha um papel importante em nosso mercado.

Hoje quem procura uma van precisa partir dos modelos médios da Stellantis, Fiat Scudo, Peugeot Expert e Citroën Jumpy, que partem de R$ 229.990. Ou se contentar com o Fiat Fiorino, que leva menos carga porém é tabelado em R$ 132.990.

2. Fiat Palio Weekend

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São raros os SUVs com porta-malas grandes como os das peruas (Foto: Fiat | Divulgação)

As peruas compactas eram a escolha mais racional de carro familiar para quem estava com orçamento curto. Elas tinham manutenção de popular e um porta-malas grande e prático.

A moda das minivans e depois a dos SUVs ceifaram esse segmento. A última perua nacional foi a Fiat Palio Weekend, que saiu de linha em 2020 sem deixar sucessor.

Quem procura por um carro compacto com porta-malas grande hoje possui poucas opções: a minivan Chevrolet Spin e os SUVs Citroën Aircross, Renault Duster, Honda WR-V e Fiat Fastback.

3. Honda Fit

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O Fit possui características que não existem no mercado hoje, como a boa visibilidade, o interior bem aproveitado e o interior bem acabado para um compacto (Foto: Honda | Divulgação)

O Honda Fit era um hatch compacto que trazia elementos de minivans, assim como o atual Citroën C3 é inspirado nos SUVs. O maior trunfo do japonês era ter um interior espaçoso e prático mesmo com as medidas externas pequenas.

Ele também cativou o público por ser bem acabado, ter boa visibilidade, ser econômico e ofertar câmbio automático. A Honda encerrou a produção do Fit no Brasil em 2021, colocando o City Hatch como sucessor indireto.

O público fiel do Fit não gostou da alternativa, o porta-malas é acanhado, o acesso ao compartimento é pequeno e a visibilidade não é tão boa quanto a do Fit. Além disso, o hatch atual é maior.

Alguns apontam o BYD Dolphin como sucessor indireto por causa do formato da carroceria, mas ele não é prático como o Fit e nem oferece banco traseiro bipartido. O Honda WR-V também é chamado de sucessor do Fit, mas ele é grande, não traz os bancos modulares e tem visibilidade ruim. Por enquanto os fãs do compacto seguem órfãos.

4. Suzuki Jimny

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Com tantos SUVs no mercados não existe um que seja valente como o jipinho da Suzuki (Foto: Suzuki | Divulgação)

Nunca tivemos tantos SUVs no Brasil, mas ao mesmo tempo estamos com pouquíssimas opções de jipes. O Suzuki Jimny era um jipinho que parecia fofo, mas trazia capacidade de enfrentar trilhas melhor que muitos utilitários grandes.

Ele trazia chassi separado da carroceria, suspensão com eixo rígido na dianteira e na traseira, tração 4×4 com reduzida e bloqueio no diferencial traseiro. O peso baixo permitia usar um motor 1.5 aspirado e também ajudava nas trilhas.

O Jimny também era figurinha carimbada nas cidades, muitos clientes compravam o modelo por ser pequeno e estiloso. Modelos como o Jeep Renegade Willys e o Ford Bronco Sport possuem tração integral, mas estão longe de serem valentes como o pequeno Suzuki.

5. Chevrolet Cruze Sport6

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Os hatches médios eram procurados por entusiastas que queriam carros bons de dirigir e bem equipados (Foto: Chevrolet | Divulgação)

Enquanto o segmento dos sedãs médios sobrevive graças aos taxistas, transporte executivo e o público mais maduro, os hatchbacks do mesmo porte saíram de cena. Ainda existem algumas opções importadas, mas são todos esportivos com preços altos.

O último hatch médio convencional que foi vendido no Brasil foi o Chevrolet Cruze Sport6, que durou até 2023. Quando foi lançado ele competia em um mercado vasto, que contava com Fiat Bravo, Volkswagen Golf, Peugeot 308, Hyundai i30, Ford Focus e Subaru Impreza hatch.

O Cruze saiu de linha para liberar espaço na linha de montagem para o SUV Tracker. O mesmo ocorreu com o Volkswagen Golf anos antes, que deu lugar na linha de montagem ao T-Cross.

Os SUVs compactos chegaram na faixa de preço que era dos hatches médios, mas trazendo acabamento mais simples, construção menos refinada e menos equipamentos. O segmento pode retornar em breve com o Kia K4 hatch, que foi prometido pela marca durante o Salão do Automóvel de 2025.

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