Design de automóveis: os feios que me perdoem!

Pessoal da BMW odiava tanto o designer Chris Bangle que ”mudou” o significado da marca para "Bangle Muss Weg"

Por Boris Feldman 12/10/19 às 09h00

Quando a Fiat lançou o Uno no Brasil, seu formato meio exótico gerou um apelido: “bota ortopédica”. Mas logo vieram as explicações dos marqueteiros de Betim: se o carro agrada à primeira vista, seu visual se esgota rapidamente. Se provoca controvérsias, é sinal de que vai emplacar, principalmente se o design foi de Giorgio Giugiaro. Design de automóveis sempre foi sujeito a chuvas e trovoadas.

Nem Ferrari escapa: quando foi apresentada a FF (quatro lugares, tração nas quatro) em 2011, muitos fãs da marca não entenderam a traseira tão desconjuntada. Mas muitos pensaram o contrário. Beira a iconoclastia discordar de um designer italiano chamado Pininfarina.

Um norte-americano que conseguiu dividir opiniões na Alemanha foi Chris Bangle, designer na Opel e Fiat antes de assumir o centro de estilo da BMW em 1992.

Foi responsável por inúmeros lançamentos da marca, a maioria despertando controvérsias. Mas o sedã série 7 de 2002 foi o campeão de críticas e incluído em matéria da revista Time entre os 50 mais feios automóveis do mundo, principalmente pelo estranho perfil da traseira.

Ele deixou a BMW e o setor automobilístico em 2009 para montar seu próprio estúdio de design.

Design de automóveis: o controverso BMW Série 7 de 200
Design de automóveis: o controverso BMW Série 7 de 2002 (Foto BMW | Divulgação)

A turma mais conservadora da marca comemorou sua saída, desejada há anos e que ganhou até slogan: Bangle Muss Weg, (em alemão, Bangle tem que ir embora), numa brincadeira com as iniciais da própria marca.

Chris Bangle ainda deixou “sequelas” em lançamentos posteriores, um deles o SUV X6, lançado no ano em que deixou a empresa. O X6 tem um estilo típico de Bangle, que perfil traseiro fortes, agressivo e nada harmonioso.

Quem apoia Bangle tem um argumento em seu favor: o série 7 de 2002 (carroceria E65) foi campeão de vendas e o SUV X6, além de ir muito bem no mercado, ainda ganhou “meia cópia” da Mercedes, o GLC lançado em 2015.

Design de automóveis: controvérsia exige talento

Muito se discute sobre o design de automóveis. O conceito básico de que a forma deve contemplar função muitas vezes é negligenciado pelo projetista. A unanimidade se dá nas duas direções: automóveis de linhas extravagantes podem encantar ou desapontar. A dificuldade é fugir do lugar comum, criar algo diferente ou exótico que provoque controvérsia, mas ser bem sucedido, o que exige muito talento.

A imprensa não perde a oportunidade de relembrar Vinicius: “as feias que me perdoem, mas beleza é fundamental”. E adora destacar carros exóticos em suas listas dos mais feios. Entre os mais famosos nos EUA, o Pontiac Aztek e o Ford Edsel. Na Europa, o Aston Martin Lagonda e o Fiat Multipla. Na Coreia do Sul, o SsangYong Action.

No Brasil, alguns projetos locais também causaram estranheza. Na Renault, o Clio sedã e o Logan. O Doblò da Fiat e a picape Hoggar da Peugeot. Na GM, o designer Carlo Barba “caprichou” em três modelos: Agile, Montana e Spin (também conhecida como “capivara”). O primeiro foi desativado, os dois outros rapidamente reestilizados.

As controvérsias do design de automóveis voltam no Brasil com o recente lançamento do Hyundai HB20. As novas linhas agradam, principalmente a traseira do sedã. Mas “Calcanhar de Aquiles” é a nova grade, de grandes proporções e que divide opiniões.

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Novo HB20 (Foto Hyundai | Divulgação)

Exatamente como na Audi há 20 anos, ao adotar uma grade enorme, meio trapezoidal e chamada de single frame (moldura única). Alterada dez anos mais tarde para um formato hexagonal, dura até hoje. Quem estava na área de estilo da marca alemã, naquela época, era Peter Schreyer. Que foi depois (até recentemente) chefiar o setor de design da Kia-Hyundai. Se teve dedo de Schreyer em ambas, ninguém sabe. Seria coincidência?

O mercado acabou absorvendo o “estilão” frontal dos Audis. A “bota ortopédica da Fiat foi sucesso de mercado durante 30 anos.  Mas o Ford Edsel foi um tremendo fracasso de vendas…

Interrogação no ar sobre a reação do mercado ao novo design frontal do HB20: pega ou não pega?

Desenho do carro vai além da estética. Entenda:

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1 Comentário
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    André 12 de outubro de 2019

    Em resumo, o novo HB20 é horrível.

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