Fiat já fabricou caminhão, mas seria melhor ter focado só nos carros

O início dos caminhões da Fiat no Brasil foi, na verdade, a continuação da FNM, história que já não tinha terminado bem

FIAT 130
Fiat 130 chegou ao mercado nos anos 1970 quase que paralelamente à inaguração da planta de Betim (MG) (Foto: Fiat | Divulgação, com aumento de resolução por IA)
Por Érico Pimenta
Publicado em 08/08/2026 às 13h00

Celebrando 50 anos como fabricante no Brasil, a Fiat coleciona boas histórias construídas por seus automóveis. Mas por mais que seja consagrada como uma fabricante de carros de passeio, a marca italiana já se aventurou a produzir caminhão por aqui. No entanto, essa trajetória não foi tão próspera quanto a dos seus carros.

AutoPapo
NÃO FIQUE DE FORA do que acontece de mais importante no mundo sobre rodas!
Incluir como fonte preferida no Google
+
Seguir AutoPapo no Google Discover

VEJA TAMBÉM:

Como em toda boa história, o início dessa empreitada não foi nada fácil, principalmente por ter sido uma continuidade da antiga Fábrica Nacional de Motores, ou para os mais íntimos, a lendária “Fenemê”.

De forma resumida, a história da FNM teve início em 13 de junho de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, para a fabricação de motores de aviões em Duque de Caxias (RJ). Com o fim do conflito em 1945, a empresa passou a fabricar caminhões pesados, em 1949, tornando-se simultaneamente a primeira indústria automobilística do Brasil.

FNM D 7300
O FNM D-7300 foi o primeiro caminhão fabricado no Brasil (Foto: Paulo Roberto Steindoff, com aumento de resolução por IA)

O primeiro grande marco da FNM no setor automotivo foi a parceria com a italiana Isotta Fraschini. Dessa colaboração surgiu o FNM D-7300, lançado em 1949. Baseado no Isotta Fraschini D.80, ele foi o primeiro caminhão produzido em série no país, equipado com um motor diesel de 7,3 litros de 100 cv e capacidade de carga de 8 toneladas.

Porém, para colocar mais drama nessa história, anos depois a Isotta Fraschini faliu. Com isso, a FNM estabeleceu uma aliança com a, então estatal italiana, Alfa Romeo, dando início à era dos icônicos caminhões “Fenemê”. O primeiro modelo dessa fase foi o FNM D-9500, lançado em 1952, com motor diesel de 130 cv e capacidade para 8,1 toneladas de carga (ou 14 toneladas quando atrelado a uma carreta). A partir de 1953, a FNM iniciou um programa de nacionalização de componentes, incluindo cabines, pneus e baterias, buscando atingir 45% de conteúdo local.

A trajetória da FNM como empresa estatal chegou ao fim em 1968, quando foi privatizada e adquirida pela Alfa Romeo. Em 1973, a Fiat assumiu o controle da Alfa Romeo e, consequentemente, da FNM.

O início da Fiat no segmento de caminhão

Quatro anos antes de aposentar a marca FNM, em 1973, a Fiat tinha planos sólidos para ampliar sua presença no Brasil. Enquanto construía sua unidade fabril em Betim (MG), a empresa adquiriu 43% da Alfa Romeo do Brasil (então controladora da FNM). O objetivo era claro: utilizar a fábrica de Duque de Caxias para produzir uma linha inédita de caminhões.

Três anos depois, em 1976, era apresentado o Fiat 130, um modelo médio equipado com motor de seis cilindros e cabine avançada (“cara chata”), representando um grande salto de modernidade frente aos antigos FNM dos anos 1960. No mesmo período, o pesado FNM 190 começou a incorporar a influência do grupo italiano.

Fiat 190 anuncio
O caminhão Fiat 190 ainda tinha uma cara de FNM, mas era bem mais avançado (Foto: Fiat | Reprodução)

Ainda em 1976, a Fiat assumiu o controle total da operação e extinguiu a marca FNM. Em 1977 surgia a Fiat Diesel Brasil S.A., momento em que a marca finalmente passou a carregar apenas o nome Fiat no portfólio de pesados.

Com a nova razão social, a montadora promoveu uma renovação na gama: os modelos 70 e 130 deram lugar aos novos Fiat 80, 120 e 140. Já o pesado 190 ganhou uma nova versão, batizada de 190H, que trouxe uma cabine monobloco mais confortável e atualizada. Além disso, a marca passou a oferecer chassis para ônibus urbanos e opções com terceiro eixo de fábrica, aumentando a capacidade de carga.

Começam os problemas com o caminhão Fiat

Não demorou para a Fiat enfrentar desafios logísticos e operacionais que muitas montadoras enfrentam até hoje ao operar em um país de dimensões continentais. Os gargalos eram evidentes:

  • Rede de concessionárias reduzida
  • Dificuldade no fornecimento e obtenção de peças
  • Baixa confiança do mercado na durabilidade dos produtos
  • Constantes conflitos trabalhistas na fábrica de Xerém (RJ)

Mesmo diante desses entraves, a Fiat seguiu atualizando sua linha. Em 1982, apresentou o Fiat 190 Turbo, equipado com motor turbinado de 306 cv, alinhando o modelo ao nível tecnológico dos concorrentes da época, como Mercedes-Benz, Scania e Volvo. Além da nova motorização, a Fiat apostou em itens de conforto inéditos para a categoria naquele período.

Screenshot
Caminhão Fiat tinha o suporte de grandes marcas do grupo, mas não convenceu o dono da boleia (Foto: Fiat | Reprodução)

Contudo, a novidade não foi suficiente para reverter o cenário. Além da baixa aceitação dos caminhões Fiat no mercado, as sucessivas greves e embates no chão de fábrica geraram demissões e protestos. De forma inesperada, em junho de 1985, a Fiat interrompeu definitivamente a produção de caminhões. Parte do maquinário foi vendida a outras fabricantes, enquanto a fábrica de Xerém foi adquirida pela Ciferal.

No total, a Fiat Diesel operou no Brasil por apenas 9 anos (1976 a 1985). Apesar da vida curta, seus caminhões ainda são lembrados pelas estradas como modelos valentes e raros.

Newsletter
Receba diretamente em seu e-mail notícias, dicas e conteúdos exclusivos que foram destaque no AutoPapo

👍  Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.

TikTok TikTok YouTube YouTube Facebook Facebook X X Instagram Instagram
Siga no

Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:

Podcast - Ouviu na Rádio Podcast - Ouviu na Rádio AutoPapo Podcast AutoPapo Podcast
SOBRE
2 Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Comentários com palavrões e ofensas não serão publicados. Se identificar algo que viole os termos de uso, denuncie.
Avatar
Manoel Maxwell Marmom 11 de agosto de 2026

Não podemos deixar de falar também dos tratores Fiat que na época já tinha lá na Europa e poderiam ter vindo e ter feito muito sucesso no Brasil pois vejo vídeos deles lá ainda na ativa em perfeito estado de conservação e muitos rodam até em rodovias transportando cargas

Avatar
Manoel Maxwell Marmom 11 de agosto de 2026

O que fez esses caminhões fracassarem foi eles não terem cabina basculante, coisa que na Europa já tinha e eles não lançaram aq,