Jeep Compass: testamos funções de direção autônoma na pista da FCA

Dirigimos o SUV durante simulações na pista de testes de Goiana, testando o piloto automático, a frenagem de emergência, e outras funções de assistência

Por Bárbara Angelo11/10/18 às 08h00

Na terça-feira (9), a Jeep nos convidou para conhecer as tecnologias de direção autônoma do Jeep Compass e colocá-las à prova em sua área de testes durante o Technoday. Fomos até a fábrica da montadora em Goiana, Pernambuco, como parte do primeiro grupo de jornalistas a conhecer a pista Goiana Proving Ground, onde dirigimos o SUV para experimentar suas funções de assistência à direção em uma série de simulações.

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Começando o teste na pista Goiana Proving Ground, em Pernambuco (Foto Bárbara Angelo | AutoPapo)

Segundo a marca, em sua faixa de preço, o Jeep Compass é o veículo fabricado no Brasil com a maior quantidade de recursos de direção autônoma. O modelo se classifica no nível 1 da escala de autonomia, pois tem capacidade de se deslocar longitudinalmente sozinho. Isso quer dizer que ele consegue acelerar e frear automaticamente, graças ao Piloto Automático Adaptativo, ou ACC, também conhecido como Controle de Cruzeiro Adaptativo.

Entre as tecnologias que testamos, as que mais chamaram a atenção são o ACC e a Frenagem Automática de Emergência (AEB). Esses equipamentos, junto a outros que mencionamos abaixo, estão disponíveis como um pacote opcional para as versões Limited e Trailhawk. No Jeep Compass 2019, que chegará às lojas em poucos dias, o conjunto passará a custar R$ 7.700 para as motorizações a gasolina, e R$ 8.700 para as diesel. No modelo 2018, o valor era de R$ 11 mil.

Como o ACC do Jeep Compass funciona

O assessor técnico da FCA, Ricardo Dilser, está convencido de que os motoristas devem aprender a conviver com esse tipo de tecnologia. “Independente da fonte de energia utilizada pelo carro, uma coisa é unanimidade: os carros autônomos estão chegando”, assegurou ele, durante a apresentação do Technoday.

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Piloto Automático Adaptativo é acionado por um botão no volante (Foto Bárbara Angelo | AutoPapo)

Todos os equipamentos que foram testados no evento e estão no utilitário também aparecem – ou virão a aparecer – em outros modelos. Eles foram desenvolvidos pela Bosch, que também disponibiliza os recursos para outras montadoras. Assim, o que é demonstrado aqui também vale para outros automóveis com funções semelhantes, embora sempre ocorram diferenças específicas de acordo com o veículo.

Para que o ACC e os outros recursos de direção autônoma do Jeep Compass funcionem, o veículo é equipado com diversos tipos de sensores. O utilitário conta com 12 sensores ultrassônicos, dos quais seis estão na dianteira e seis na traseira; um radar frontal e dois traseiros; além de uma câmera dianteira e outra traseira. O conjunto trabalha simultaneamente, monitorando os entornos do veículo, para oferecer informações às centrais eletrônicas que controlam as tecnologias de assistência.

Veja, no vídeo abaixo, o Compass em que estávamos seguindo o veículo à frente:

Quando o ACC é ativado, o veículo acompanha o carro que está à sua frente na via, obedecendo à distância e velocidade escolhidos pelo motorista. Assim, o condutor não precisa controlar nenhum pedal do veículo, apenas o volante. O Piloto Automático Adaptativo do Jeep Compass opera a até 75 km/h. Se não houver carro à frente, o utilitário vai acelerar até atingir a velocidade definida pelo motorista, e voltar a frear quando detectar um veículo à frente, controlando as duas operações automaticamente.

Utilitário também conta com Frenagem Automática de Emergência

Além do ACC, o Compass também conta com um sistema de Aviso de Colisão Frontal (FCW), acompanhado de Frenagem Automática de Emergência (AEB). Juntos, os dois detectam se o automóvel estiver prestes a colidir contra outro carro à sua frente. Veja a simulação no vídeo abaixo:

Quando isso acontece, o motorista recebe um aviso da batida iminente. Se ele não frear, o veículo aplica uma frenagem pontual e abrupta, impedindo que a colisão ocorra. A função colabora, claramente, com a segurança no trânsito. Entretanto, o motorista que desfruta de um sistema de Frenagem Automática de Emergência deve estar ciente de alguns detalhes.

Em primeiro lugar, a tecnologia só opera dentro de um limite de velocidade. No caso do Jeep Compass, apenas até os 40 km/h. Em velocidades mais altas, ocorrerá apenas uma mitigação da colisão, ou seja, o carro não conseguirá evitar a batida, mas pode torná-la menos intensa, aplicando uma pequena frenagem.

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Veja a distância à qual o Compass parou do alvo durante a simulação com a Frenagem Automática de Emergência (Foto Bárbara Angelo | AutoPapo)

Outro detalhe importante sobre essa tecnologia é que os objetos detectados pelo sistema variam de acordo com o modelo. No caso do Jeep Compass, o veículo só para quando detecta outros carros à frente, e não vai frear para outros tipos de obstáculo, nem para pedestres.

Por fim, o AEB do Jeep Compass só reage em caso de batidas na traseira de veículos à frente, e não detecta carros que estejam trafegando na direção oposta, sendo inútil no caso de uma batida frontal entre dois veículos. Essa limitação ocorre na maioria dos automóveis equipados com a função.

Outras tecnologias de direção autônoma no Jeep Compass

Outra tecnologia que compõe o pacote de direção autônoma do Jeep Compass é o Aviso de Desvio de Faixa, (LDW ou LKS). Com o LDW, o carro consegue identificar a pintura das faixas de trânsito na via, e monitora seu alinhamento a elas. Se o motorista se desviar da faixa em que segue sem acionar a seta, o utilitário emite um aviso no painel de instrumentos.

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Painel de configuração das tecnologias de assistência à direção é acessado pela tela da central multimídia (Foto Bárbara Angelo | AutoPapo)

Nessa situação, se o condutor não reagir, o sistema interfere no controle do volante, fazendo uma pequena correção na direção do veículo. A intromissão, contudo, é bastante suave e não é capaz de controlar o carro completamente.

O pacote de condução autônoma do Jeep Compass também inclui um assistente de estacionamento que facilita a vida do motorista. O sistema é capaz de estacionar em vagas paralelas e perpendiculares, e também consegue sair de vagas paralelas.

Para usar o Park Assist, o condutor ativa a função por um botão no painel, e o carro começa a procurar por espaços para estacionar. Quando encontra, emite um som e exibe, no painel de instrumentos, a vaga identificada.

Então, o sistema assume o controle do volante enquanto o motorista comanda os pedais. É exibida uma série de instruções no painel, que o motorista deve seguir. Elas dizem quando ele deve tirar as mãos do volante, e quando deve acelerar ou frear.

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O Park Assist é ativado pelo botão do meio, (P ON) no painel central, abaixo da tela multimídia (Foto FCA | Divulgação)

O Jeep Compass também oferece um Sistema de Monitoramento de Ponto Cego (BLIS), que detecta quando há obstáculos próximos ao veículo, emitindo um aviso sonoro e visual. Em alguns casos, uma luz pisca nos retrovisores externos, indicando o lado em que está o obstáculo.

Esse obstáculo pode ser um veículo que se aproxima pela traseira, avançando na faixa de trânsito lateral, no momento em que o motorista do utilitário demonstra querer entrar nela.

Por fim, o SUV pode ser equipado com o controle automático dos faróis altos, que detecta a luminosidade ambiente e a proximidade a outros veículos, ativando e desativando as luzes altas.

Limitações da tecnologia exigem atenção do motorista

Todas as tecnologias de direção autônoma do Jeep Compass devem ser entendidas apenas como assistivas. O motorista deve estar em controle do veículo a todos os momentos, preparado para lidar com falhas no funcionamento do sistema e reagir a situações que ele é incapaz de detectar.

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Aviso de que o Piloto Automático Adaptativo (ACC) foi ativado aparece no painel de instrumentos (Foto FCA | Divulgação)

É possível, por exemplo, que sistemas de frenagem de emergência interpretem obstáculos erroneamente, freando o veículo na hora errada. Da mesma forma, o Aviso de Desvio de Faixa depende da pintura da estrada para funcionar corretamente. “A evolução do veículo autônomo depende também de uma infraestrutura adequada”, pontuou Alexandre Pagotto, gerente de marketing da Bosch, em apresentação do Technoday.

Ainda assim, empresas de desenvolvimento têm tentado superar, cada vez mais, essa dependência. Como ilustrou Pagotto, já estão sendo estudados, mundialmente, sistemas que detectam as bordas da pista por diferenciar as texturas do asfalto e da terra, grama, ou outra superfície nas margens da pista.

Outro recurso em desenvolvimento é o mapeamento em quatro dimensões, ou 4D, que seria formado por um banco de dados coletados por todos os veículos que passassem pelos locais, operando em rede. A comunicação entre carros, uma espécie de internet das coisas, é outra tendência no avanço da direção autônoma.

No estágio atual de desenvolvimento, as tecnologias de direção autônoma do Jeep Compass operam com redundância para evitar erros. Ou seja, a mesma informação – como a detecção de obstáculos – é coletada por mais de um sensor, simultaneamente. Assim, diminui-se a possibilidade de erro.  Se o sistema estiver em dúvida quanto ao que está detectando, ele não vai entrar em ação.

Fábrica de Goiana é orgulho da FCA

A Goiana Proving Ground demorou dois anos para ser construída dentro das especificações técnicas que a Jeep aplica a nível global. A pista é equipada com monitoramento meteorológico, e fica próxima a um centro de desenvolvimento dentro do enorme complexo fabril, que tem área total de 11 mil metros quadrados.

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Quatro unidades do Jeep Compass participaram dos testes na pista Goiana Proving Ground, seguindo um guia, à frente da fila (Foto FCA | Divulgação)

Como ficou claro durante o evento, a fábrica de Goiana é um orgulho para a marca, que a considera seu primeiro SUV Center – ou seja, é uma planta dedicada exclusivamente à produção de utilitários esportivos. O complexo foi inaugurado em 2015 e, além do Brasil, abastece outros mercados da América do Sul.

Ali, são fabricados os modelos Jeep Compass, Renegade e Fiat Toro. Durante nossa visita, pudemos ver os enormes pátios de armazenagem, onde centenas de unidades dos três modelos ficam estacionadas, lado a lado, protegidos do tempo por pequenas coberturas brancas, deitadas sobre os capôs e tetos. Ao lado delas, diversas cegonhas, vazias e carregadas, se preparam para uma longa jornada, a partir do nordeste até as outras regiões do país – ou do continente.

Conforme nos contou a marca, 13.600 funcionários trabalham na planta de Goiana, a 60 quilômetros de Recife, Pernambuco. Este mês, a fábrica alcançará a marca de 500 mil unidades produzidas em seus 40 meses de operação.

Jeep Compass Limited usado para simulações na pista de testes (Foto FCA | Divulgação)

Um de seus frutos, o Jeep Compass foi o utilitário esportivo mais vendido no Brasil em 2017, e continua sendo o campeão em 2018. Apenas no mês de setembro, foram emplacadas 5.006 unidades do modelo, de acordo com dados da Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No acumulado do ano, esse número foi de 44.357, contra 35.585 do segundo colocado, Honda HR-V.

O sucesso de vendas foi uma surpresa para a montadora, comentou Flávia Campelo, do setor de produtos da Jeep, durante o Technoday. O utilitário foi lançado em novembro de 2016, e já no ano seguinte se tornou o modelo mais vendido da Jeep no Brasil. O resultado é inesperado se considerarmos que a marca também oferece o Renegade no país, uma opção mais conta.

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