Mercedes brasileira desobedece matriz e nega garantia estendida
Carros com motores 2.0 nos modelos A, CLA, GLA e GLB entre 2019 e 2022 receberam extensão de garantia no mundo inteiro, menos no Brasil
Publicado em 21/08/2026 às 12h00
Problema da gasolina. Ou adulterada ou com muito etanol. Era assim que as concessionárias Mercedes no Brasil explicavam o desgaste prematuro da sede e no guia da válvula de escapamento nos cabeçotes dos motores M260 ou M264 aplicados nos modelos A, CLA, GLA ou GLB produzidos entre 2019 e 2022. Ou seja, nem elas, nem a fábrica se responsabilizavam pelo problema. Oficinas especializadas em São Paulo (rede High Torque) e em Minas (Autocentro Bosch Confiar, em Contagem) receberam carros com este defeito no cabeçote e resolveram investigar. A verdade veio logo à tona, pois a matriz da marca na Alemanha já tinha instruído concessionários a estender a garantia destes motores para 15 anos ou 150 mil milhas (241 mil km).
VEJA TAMBÉM:
- Mais motoristas usando etanol: planejamento ou ‘goela abaixo’?
- Por que o carro elétrico é inevitável? (ou o ‘triste fim da máquina de fazer calor’)
- No Ceará, a primeira montadora de automóveis do Brasil
E no Brasil? A fábrica, consultada, negou responder a questão levantada por nossa redação. Concessionárias, consultadas, explicaram que, quando o carro chega com este problema, “a solução é examinada uma a uma”. Que pode ser uma garantia estendida e o dono do carro não paga o reparo, ou uma “cortesia” de 50% do valor, ou a Mercedes não cobra pelo novo cabeçote mas o cliente paga a mão de obra da troca para a concessionária.
Chega a ser uma hipocrisia cobrar um tostão que seja pelo reparo de um defeito provocado por um erro de manufatura confessado pela matriz na Alemanha. Por não se tratar de um problema de segurança, não foi realizado um recall dos veículos envolvidos. Mas, ao reconhecer o problema e a possibilidade de aumento do nível de emissões pelo escapamento devido ao funcionamento irregular do motor, a fábrica recomenda o reparo sem custo para o dono do carro, através de um Boletim Técnico.
O que provocou todo este problema? O cabeçote tem válvulas de admissão e de escapamento. A sede (onde se apoia a válvula de escape) apresentou um desgaste prematuro. Entretanto, geralmente numa quilometragem mais elevada a partir de 50 mil km, quando o carro – teoricamente – não está mais no período de garantia. Os sintomas são um funcionamento irregular, falha na marcha lenta, perda de desempenho, etc. Numa situação ainda mais grave, a peça que se solta pode provocar danos nos pistões e cilindros. A combustão irregular provoca também um aumento no nível de emissões de gases pelo escapamento.

A Mercedes-Benz no Brasil é especialmente atenta aos seus veículos pesados (caminhões e ônibus), mas não com os automóveis. Até porque já tentou produzi-los aqui duas vezes, sem sucesso: o Classe A em Juiz de Fora (entre 1999 e 2005) e o SUV GLA e a classe C em Iracemápolis de 2016 até 2020 quando desativou a fábrica. Aliás, vendida depois para a chinesa GWM. Atualmente, a marca alemã não passa de um terceiro lugar no segmento de carros de luxo no Brasil, atrás da BMW em primeiro e Volvo em segundo.
A desatenção da filial brasileira se estende até aos manuais de proprietário: ela aproveita aqui a edição para Portugal que não recomenda o abastecimento de gasolina com teor de etanol acima de 10%. Quando a nossa já era de 27% (E27).
O NHTSA (órgão de segurança do governo norte-americano) recebeu reclamações sobre esta falha e emitiu este comunicado:
Warranty Extension: Mercedes-Benz has acknowledged this defect and issued an extended warranty covering the [cylinder head](index:0.6.2, 0.6.3) for up to 15 years/150,000 miles in affected vehicles (such as the A-Class, CLA, GLA, and GLB). Contact a local dealership with your VIN to check your specific coverage.
Numa tradução direta, a entidade norte-americana diz que:
Extensão de Garantia: A Mercedes-Benz reconheceu este defeito e concedeu uma extensão de garantia cobrindo o cabeçote do motor por até 15 anos ou 150.000 milhas nos veículos afetados (como Classe A, CLA, GLA e GLB). Entre em contato com uma concessionária local informando o número do chassi (VIN) para verificar a cobertura específica do seu veículo.
👍 Curtiu? Apoie nosso trabalho seguindo nossas redes sociais e tenha acesso a conteúdos exclusivos. Não esqueça de comentar e compartilhar.
|
|
|
|
X
|
|
|
Siga no
|
||||
Ah, e se você é fã dos áudios do Boris, acompanhe o AutoPapo no YouTube Podcasts:
Podcast - Ouviu na Rádio
|
AutoPapo Podcast
|
