Mico de mercado: sete carros que podem valer a pena

Eles chegaram com muita expectativa, mas por diversos motivos foram rejeitados pelo mercado. Mas hoje, um carro mico pode se tornar uma boa compra

Por Fernando Miragaya20/08/18 às 12h42
Especial para o AutoPapo

Eles chegaram com muita expectativa, mas por diversos motivos foram rejeitados pelo mercado. Mas hoje, um carro mico pode se tornar uma boa compra. Listamos sete deles.

Chevrolet Sonic

O Chevrolet Sonic é um mico desejável
Foto Chevrolet | Divulgação
Anos 2012 a 2014
Preços R$ 29 mil a R$ 42 mil
Boa compra LTZ 1.6 automática 2014
Prós estabilidade, desempenho e equipamentos
Contras espaço, acabamento e nível de vibração

Um daqueles exemplos de carro incompreendido no mercado. O Sonic chegou com pompa de compacto premium em 2012, importado da Coreia do Sul, nas configurações hatch e sedã. Feito sobre a plataforma modular da GM (mesma de Onix, Cobalt, Spin…), destacava-se pelo comportamento dinâmico e pelo nível de equipamentos, que compensava o acabamento ruim e o pouco espaço na cabine.

A inicial LT já oferecia, em 2012, airbag duplo, ABS, Isofix, ar, direção hidráulica, trio, chave presencial e regulagens de altura e de profundidade do volante. O som com USB e Bluetooth chamava a atenção pela qualidade do áudio. Um ano depois, o modelo passou a ser importado do México como linha 2014 e a topo de linha LTZ, além do couro, sensor de ré e controle de cruzeiro, passava a vir com a central MyLink. O tempo curto permitiu até a série especial Effect, com adesivos, rodas diferenciadas e GPS.

O 1.6 16V de 120/116 cv com comando variável de válvulas na admissão e no escape empresta desempenho interessante ao Sonic, mas vibra muito e bebe bem – as médias com etanol na cidade dificilmente passam dos 7 km/l. Tem gente que prefere o conjunto com o câmbio manual de cinco marchas, mas a caixa automática de seis tem mais oferta e liquidez, especialmente no sedã que passou a ter só essa opção de transmissão a partir da era mexicana. Por isso ele está na nossa lista de carros que são micos que valem a pena.

Dodge Durango

O Durango é um mico que pode valer a pena
Foto Dodge | Divulgação
Anos 2013 a 2016
Preços R$ 89 mil a R$ 180 mil
Boa compra Limited 2015
Prós conforto, espaço e equipamentos
Contras consumo, liquidez e custo de manutenção

Esse muita gente até da Dodge deve ter esquecido que foi vendido por quatro anos. O Durango começou a ser importado dos EUA em março de 2013 em duas versões (Crew e Citadel) e com motor V6. Só que, meses depois, a marca já apresentava o SUV com leve reestilização lá fora. Em 2015, passa a vir na única versão Limited com as mudanças e com o câmbio automático de oito marchas no lugar da criticada caixa de cinco.

O grande destaque do jipão é seu espaço, o que reforça a proposta de utilitário esportivo familiar bem ao estilo ianque de ser. Sete lugares, toda a sorte de porta-objetos e modularidade dos bancos são as principais características. Alie a isso alguns itens de série bacanas. As crianças vão adorar as duas telas de 9” com entradas de áudio e vídeo e leitor de Blu-Ray – se você tem três filhos, aí vai sobrar para o do meio, tradicionalmente injustiçado. Para quem tem família grande e quer conforto, é um carro mico de mercado que vale a pena.

Tem mais. O ar-condicionado automático oferece regulagens independentes na frente e também para os passageiros da segunda fileira. O revestimento interno é de couro e o banco do motorista tem ajustes elétricos. O quadro de instrumentos consiste em uma tela de 7” configurável e a central multimídia fica em outra, de 8,4”.

No desempenho, o 3.6 de 286 cv tem bom entrosamento com a transmissão e consegue empurrar as mais de 2,2 toneladas e os 5,11 m sem trancos – só não espere uma performance esportiva. A calibragem da suspensão contribui para um SUV comportado nas curvas, que torce a carroceria dentro da normalidade e só mesmo em altas velocidades há aquele comportamento de banheirão. A direção eletro-hidráulica com bom ângulo de esterçamento facilita nas manobras.

Nissan Altima

Foto Nissan | Divulgação
Anos 2013 e 2014
Preços R$ 53 mil a R$ 79 mil
Boa compra SL 2014
Prós conforto, dirigibilidade e desempenho
Contras porta-malas e desvalorização

O sedã médio-grande Nissan Altima surgiu mais com a função de mostrar requinte em seu portfólio no Brasil. Em um segmento de nicho e dominado pelo Ford Fusion (além de rivais como Honda Accord e Toyota Camry), o Altima durou menos de um ano nas concessionárias, mas deixou de herança um sedã confortável e equipado, com preços bem atraentes. Por isso é um mico que vale a pena.

Com 2,78 m de entre-eixos, acomoda com facilidade três adultos no banco traseiro, porém o porta-malas de 436 litros decepciona. A dirigibilidade é garantida pelo acerto da suspensão (multibraço na traseira), carroceria com boa rigidez, direção eletro-hidráulica precisa e o motor 2.5 16V. As acelerações são até espertas para um modelo com esta proposta e só mesmo câmbio CVT lembra que se está em um sedã mais “executivo”.

Seis airbags, controles de estabilidade e de tração, alerta de mudança de faixa, câmera de ré, Isofix, assistente à partida em rampas, sensor de ponto cego, faróis com regulagem de altura, retrovisor eletrocrômico e monitoramento da pressão dos pneus são os principais itens de segurança. Na parte de conforto, ar bizona, couro, teto-solar, sensores de luminosidade e de chuva, banco do motorista com regulagem elétrica, chave presencial e GPS.

Peugeot 508

Foto Peugeot | Divulgação
Anos 2012 e 2014
Preços R$ 53 mil a R$ 64 mil
Boa compra 1.6 THP 2013
Prós espaço, acabamento e acerto da suspensão
Contras desvalorização e custo de manutenção

O Peugeot 508 é difícil de achar pelas poucas unidades vendidas ao longo de pouco mais de dois anos, porém poucos modelos oferecem tanto espaço e requinte por menos de R$ 60 mil. Substituto do 407 na Europa, exibe desenho classudo e instigante, e usa o conhecido motor THP que equipa outros modelos da marca por aqui.

Esse é o único porém – e talvez responsável pelo pífio desempenho comercial. O 1.6 turbo do sedã médio-grande é o mesmo que equipa versões de compactos da linha… Questões de mercado à parte, os 165 cv e o torque de 24,5 kgfm já a 1.400 rpm garantem respostas rápidas do motor e agilidade nas retomadas.

Os três adultos atrás desfrutam de bom vão para pernas (são 2,81 m de entre-eixos), facilitado pelo assoalho quase plano. A bordo, além do rodar macio, chamam a atenção o isolamento acústico perfeito e o acabamento – já primoroso da marca – alçado ao andar mais alto de requinte. Mas, como todo Peugeot, tem fama de manutenção complicada e liquidez difícil.

O recheio pode compensar, por isso está na nossa lista de micos que valem a pena. Seis airbags, controles de estabilidade e tração, faróis de xenônio com ajuste de altura automático, sensores de obstáculos 360 graus, assistente à partida em rampas, ar automático com quatro zonas, couro, ajuste elétrico do banco do motorista, retrovisor eletrocrômico, teto-solar e chave presencial são alguns dos muitos equipamentos. Só não dá para entender a ausência de câmera de ré no multimídia.

Volkswagen Eos

Foto Volkswagen | Divulgação
Anos 2009 e 2010
Preços R$ 72 mil a R$ 90 mil
Boa compra 2.0 FSI 2010
Prós desempenho, estabilidade e dirigibilidade
Contras peças, custo de manutenção e conforto

O charme do VW Eos é garantido pela capota rígida com teto de vidro panorâmico escamoteável e pelo perfil cupê, já que a frente é baseada na do Golf de quinta geração (de quem usava plataforma) e carece de ousadias estéticas – algo até normal na marca alemã. Mesmo assim, as poucas unidades vendidas do carro importado de Portugal chamam a atenção (onde quer que estejam).

Depois do design, a diversão é assegurada pelo conjunto mecânico. O motor 2.0 de 200 cv desperta o turbo em baixos giros e traduz isso em acelerações espertas – daquelas que jogam o corpo contra o encosto do banco. O câmbio automatizado de dupla embreagem e seis marchas, a tração integral 4Motion e o diferencial autoblocante corroboram o desempenho.

O nível de conforto é apenas normal para um modelo desta categoria. O banco traseiro é cenográfico (mal cabem duas crianças ali) e, com a capota fechada, é um festival de rangidos. Pelo menos, entrega equipamentos. Seis airbags, faróis de xenônio autodirecionais, colunas escamoteáveis para proteção dos ocupantes em caso de capotamento, controles de estabilidade e tração, sensor de ré, bancos dianteiros aquecidos e revestimento de couro são alguns deles. Se você quer algum charme, o Eos pode ser um mico que vale a pena.

Ford Edge (primeira geração)

Foto Ford | Divulgação
Anos 2008 a 2015
Preços R$ 36 mil a R$ 125 mil
Boa compra Limited AWD 2012
Prós acerto do câmbio, conforto e calibragem da suspensão
Contras custo de manutenção, consumo e acabamento

O Ford Edge não chega a ser um mico por assim dizer, mas o melhor ano comercial do SUV canadense foi 2009, quando vendeu cerca de 100 unidades/mês. Longe de ser um sucesso nas vendas, entrega robustez com boa dose de conforto.

A linha passou a ficar mais interessante a partir de 2011, no embalo da reestilização de meia vida. O motor 3.5 V6 ganhou variação no comando de válvulas na admissão e escape, teve a potência aumentada em 20 cv (289 cv) e o torque máximo de 35 kgfm passou a aparecer mais cedo, em 4.000 rpm.

O comportamento lembra o de um sedã, com arrancadas até surpreendentes para um veículo com mais de 2 toneladas. As trocas da transmissão automática de seis marchas são suaves e ágeis ao mesmo tempo – o modo sequencial por tecla na alavanca desagrada. A tração integral é sob demanda e o acerto da suspensão multibraço deixam o SUV na mão na maior parte do tempo – mas tem um ranço de banheira americana em velocidades mais altas.

Para a época já trazia itens interessantes. A Limited, a partir de 2011, oferecia chave presencial com acionamento remoto do motor, tampa do porta-malas com abertura automática, sensor de ponto cego e alerta de tráfego cruzado com a câmera de ré. Seis airbags, controles de estabilidade e tração, Isofix, assistente à partida em rampas, teto panorâmico, banco do motorista com ajustes elétricos completam o recheio. Vale uma ressalva para o ótimo sistema de som da Sony.

Renault Symbol

Foto Renault | Divulgação
Anos 2009 e 2013
Preços R$ 16 mil a R$ 28 mil
Boa compra Privilège 2013
Prós custo-benefício, desempenho e acerto da suspensão
Contras acabamento, conforto e estabilidade

O Renault Symbol está longe de ser um mico desejável, mas é um modelo com apelo racional como poucos. Foi feito na Argentina sobre a mesma plataforma do Cio de segunda geração – cuja variante sedã nunca foi poupada das críticas. O Symbol também não saiu ileso.

O espaço é dos projetos de compactos mais antigos, e tinha versão que custava mais que o Logan – bem mais espaçoso. Por isso, se valia mesmo do motor 1.6 16V e da lista de equipamentos.

Airbags frontais, ar, direção hidráulica, vidros dianteiros e travas elétricos, computador de bordo e volante e banco do motorista com regulagens de altura e chave com controle remoto fazem parte da versão de entrada Expression. Na Privilège, ar automático, trio elétrico, faróis de neblina, som, rodas de liga leve aro 15”, bancos de veludo e volante revestido de couro. ABS era opcional.

Já o conjunto mecânico entrega desempenho bastante competente ao sedã de até 1.045 kg. Os 115/110 cv emprestam desenvoltura ao Symbol, mas o câmbio tem engates pouco precisos e é preciso reduzir bastante nas retomadas. A suspensão filtra bem os buracos e garante o sossego à coluna dos ocupantes.

1 Comentário

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  • Anderson 20 de agosto de 2018

    Deveriam colocar fotos do interior do carro para caprichar mais na matéria.

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