Renault Logan e Sandero 2020 unem boas novidades a velhos vícios

Sem mudanças na motorização, mas com novo câmbio e reforço na segurança, preços do hatch partem de R$ 46.990; sedã custa a partir de R$ 50.490

Por Alexandre Carneiro24/07/19 às 17h27
De Campinas (SP); com AutoPapo

A Renault lançou o novo Sandero 2020 e o novo Logan 2020: os dois modelos passaram por reestilizações. Enquanto uma geração completamente nova não chega, a solução foi conciliar uma discreta reestilização a aperfeiçoamentos necessários.

O Sandero é o produto mais importante para a Renault no Brasil, por um motivo simples: trata-se do automóvel que a marca francesa mais vende por aqui. Desde o lançamento da primeira geração, em 2007, mais de 800 mil unidades foram fabricadas em São José dos Pinhais (PR)

Por fora, há nova grade, para-choque frontal e faróis tanto nos dois modelos. Só o Sandero, porém, ganhou novas lanternas, que se estendem pela tampa do porta-malas. No Logan, que vende menos, a traseira segue como estava.

Outras duas novidades importantes são a oferta de câmbio automático CVT e a inclusão dos airbags laterais em todas as versões do hatch e do sedã. Também em toda a gama estão cintos de três pontos e encostos de cabeça para os cinco ocupantes e ganchos isofix.

A nova opção de câmbio automático faz com que Sandero e Logan sigam uma tendência do mercado: esse tipo de transmissão virou “queridinha” do consumidor. A caixa CVT é unicamente aliada ao motor 1.6 SCe que estreou em 2017. É, praticamente, o mesmo conjunto que já equipava o Duster e o Captur.

Com essa nova opção de transmissão, a suspensão é sempre elevada em 40 mm. Trata-se da mesma altura do solo da versão Stepway, que ganhou status de modelo próprio e passa a ser vendido em três versões. Como diferenciais, elas trazem mais adereços estéticos que remetem ao off-road.

O resultado é uma profusão de opções com carroceria elevada, inclusive no Logan. Vale lembrar que sedã com apelo aventureiro ainda era algo inédito no mercado. Quem prefere a altura do solo mais baixa tem como opções apenas as versões 1.0 e 1.6 com câmbio manual. Ou, claro, o esportivo Sandero RS.

O Renault Sandero 2020 tem preços entre R$ 46.990 e R$ 69.690. Já o Logan 2020 tem preços de R$ 50.490 a R$ 71.090

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Foto Sandero 2020 CVT - Foto: Daniel Derevecki / La Imagem / Renault

Motorização do novo Sandero

O Sandero segue oferecendo opções 1.0, 1.6 e 2.0 de motorização, capazes de desenvolver, como potência máxima, 82 cv e torque de 10,5 kgfm; 118 cv e 16 kgfm; e 150 cv e 20,9 kgfm de torque.

Nas opções 1.6, há agora possibilidade de câmbio CVT. Nesse conjunto (Sandero 1.6 CVT), a carroceria tem design “Cross Light” com molduras plásticas nos para-lamas, suspensão elevada em 40 mm (mesma altura do Stepway) e controle de estabilidade.

Preços e versões do novo Sandero

Versão Motorização Câmbio Valor
Life 1.0 MT5 R$ 46.990
Zen 1.0 MT5 R$ 49.990
Zen 1.6 MT5 R$ 55.990
Zen 1.6 CVT R$ 62.990
Intense 1.6 CVT R$ 65.490
RS 2.0 MT6 R$ 69.690

Novo Renault Sandero RS

Por fim, a configuração RS soma modos de direção diferenciados.

Em relação ao antigo Sandero RS, além dos itens de segurança que passaram a equipar toda a linha, há apenas novidades estéticas, como os adesivos e rodas de 17 polegadas.

Por falar nas rodas, as adotadas no novo Sandero RS têm o mesmo desenho do Megane RS europeu, mas com outra medida (aro 17, ante aro 18 do “primo”).

Stepway

A Renault fez questão de diferenciar o Stepway do restante da linha suprimindo o nome Sandero da versão avenureira. Além disso, a marca francesa passou a categorizar o novo Stepway como SUV. Isso porque, segundo a marca, altura, ângulo de transposição e ângulo de saída atendem aos critérios de SUV do Inmetro.

Apesar dos números serem aceitos – apenas na configuração manual, já que o câmbio CVT diminui a altura mínima do solo – é impossível considerar o hatch compacto como utilitário esportivo: é o mesmo Sandero de sempre, apenas só que com suspensão elevada. Em outras palavras, trata-se apenas de um hatch compacto aventureiro.

Preços da linha Stepway

Versão Motorização Câmbio Valor
Zen 1.6 MT5 R$ 61.190
Intense 1.6 CVT R$ 70.990
Iconic 1.6 CVT R$ 73.090
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Equipamentos

Stepway Zen

Sensor de estacionamento, direção eletro-hidráulica, faróis de neblina, Stop&Start e rodas de 16 polegadas.

Stepway Intense

Todos os equipamentos da versão Zen mais multimídia, controle eletrônico de estabilidade, assistente de partida em rampas, ar-condicionado automático, câmera de ré, vidros traseiros elétricos, retrovisores elétricos, piloto automático (controlador e limitador de velocidade) e rodas de liga leve 16 polegadas bíton diamantadas.

Stepway Iconic

São somados bancos em couro, sensor de chuva e de luminosidade.

Novo Renault Logan

Assim como no Sandero, o único opcional no Logan 2020 é a pintura branca ou metálica.

Entre as opções de cores para o sedã estão a nova cinza cassiopée, além de branco glacier, prata étoile, preto nacré e vermelho vivo.

Confira abaixo os preços e principais itens de série de cada versão do Logan.

Versão Valor
Life 1.0  R$ 50.490
Zen 1.0 R$ 53.490
Zen 1.6 R$ 59.490
Zen 1.6 CVT R$ 66.490
Intense 1.6 CVT R$ 68.990
Iconic 1.6 CVT R$ 71.090
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Logan Life 1.0

Direção eletro-hidráulica, ar-condicionado, vidros dianteiros elétricos, travas elétricas, chave canivete e rodas de 16 polegadas.

Logan Zen 1.0 e Zen 1.6

Todos da versão Life mais Media Evolution, comando satélite no volante, sensor de estacionamento, ajustes de altura do banco e volante, computador de bordo, alarme, vidros elétricos com “one touch” e Stop&Start (exclusivo motor 1.6 SCe manual).

Logan Zen 1.6 CVT X-Tronic

Adiciona câmbio automático CVT X-Tronic, controle eletrônico de estabilidade, assistente de partida em rampas , rodas de 16 polegadas Flexwheel e molduras nas caixas de roda.

Logan Intense 1.6 CVT X-Tronic

Todos os itens da versão Zen CVT mais ar-condicionado automático, câmera de ré, faróis de neblina, vidros traseiros elétricos, retrovisores elétricos, piloto automático (controlador e limitador de velocidade) e rodas de liga leve de 16 polegadas diamantadas.

Logan Iconic 1.6 CVT X-Tronic

Adiciona bancos em couro, sensor de chuva e sensor de luminosidade.

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Impressões sobre os novos Sandero e Logan

Ao vivo, as mudanças estéticas parecem ter feito bem ao Sandero e ao Logan. As novas lanternas traseiras do hatch, que dividiram opiniões antes do lançamento, não fazem feio pessoalmente. O sedã com suspensão elevada, contudo, transmite certa estranheza. Talvez seja pela falta de costume com veículos desse tipo, mas as versões com câmbio manual, mais baixas, têm melhor figura.

Por dentro, há boas novidades, entre as quais um volante com melhor empunhadura e teclas dos vidros elétricos em posição mais ergonômica: agora, elas vêm sempre nas portas. O painel ganhou termômetro do fluido de arrefecimento e central multimídia atualizada. O sistema de infotainment incorporou tela capacitiva e integração com os aplicativos Waze e Google Maps.

Melhorou, mas continua com problemas antigos

Porém, a Renault pouco melhorou um dos maiores pontos fracos do Logan e do Sandero: o acabamento continua simplório. Os plásticos de revestimento, além de rígidos, são um tanto ásperos e sensíveis a riscos.

É verdade que as portas dianteiras passaram a vir com apoios de braço estofados em courvin ou tecido, dependendo da versão. Essa área macia, todavia, além, de ser pequena, não foi incluída nas portas traseiras. E os bancos, apesar de exibirem novos formatos e revestimentos, na prática ainda não apoiam bem o corpo.

Por fim, a Renault perdeu a oportunidade de adotar um sistema de partida a frio mais atual. Isso porque o ultrapassado tanquinho auxiliar de gasolina foi mantido em todas as motorizações.

Ao volante

Como não há outras alterações mecânicas, as únicas versões que apresentam mudanças em termos de dirigibilidade são as equipadas com o câmbio CVT. O AutoPapo experimentou a nova opção de transmissão em um Logan Iconic e em um Sandero… Aliás, Stepway Iconic. A impressão foi boa, com caixa de marchas e motor aparentemente bem-casados.

A experiência é bastante diferente de conduzir um Sandero ou Logan com o extinto câmbio Easy’R, automatizado de uma embreagem. Enquanto a antiga transmissão dava trancos ao trocar as marchas, a nova é suave e responde rápido às acelerações. O problema agora é oposto: o funcionamento é monótono, típico dos sistemas CVT. Vale ressaltar, todavia, que isso é característica desse tipo de transmissão.

Para tentar quebrar um pouco a monotonia, o câmbio simula seis marchas. É até possível trocá-las sequencialmente, mas apenas por meio de toques na alavanca, pois não há borboletas (paddle-shifts) no volante. De qualquer modo, a gama evoluiu bastante no quesito transmissão. É pouco provável que alguém sinta saudade do velho câmbio Easy’R.

De quebra, durante o test-drive, foi possível avaliar o comportamento da suspensão elevada, atrelada ao câmbio CVT. O sistema filtra bem as imperfeições do solo e mantém os veículos livres de choques contra o solo. Mesmo valetas mais profundas ou quebra-molas sem sinalização não são suficientes para causar esbarrões.

Por outro lado, a grande altura livre faz com que a carroceria oscile em curvas. No Logan, provavelmente por causa do maior balanço traseiro, essa característica é até mais notada que no Sandero… Digo, Stepway.

E com câmbio e suspensão “à moda antiga”?

Também pudemos dirigir um Sandero Zen com motor 1.6 e câmbio manual. Nessa versão, vale lembrar, não houve elevação da suspensão. Por isso mesmo, ela se mostrou mais agradável: não há tanta disposição para encarar obstáculos urbanos, mas, em compensação, o hatch tem comportamento mais afiado na estrada. A estabilidade direcional é bem melhor e até o volante é mais leve em manobras, graças aos pneus mais estreitos.

Além do mais, o câmbio manual faz o novo Sandero ficar mais esperto. O hatch apresenta mais disposição em arrancadas e em retomadas, permitindo que o motorista tire melhor proveito do motor. Para quem não se incomoda em pisar na embreagem ou em reduzir para passar em quebra-molas, ainda trata-se de uma opção a se considerar.

Fotos Renault | Divulgação

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3 Comentários
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    WILSON FERNANDO DIAS 29 de julho de 2019

    82cv, na verdade.

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    José Ricardo 25 de julho de 2019

    O sandero Rs , consegue pegar o desconto nao condutor?

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    Douglas Charles Cunha 24 de julho de 2019

    Está correta a informação que o 1.0 tem só 32 cavalos de potência?

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