Salão de Frankfurt: o futuro é elétrico, mas a realidade brasileira é um SUV do leste europeu

Enquanto Europa vislumbra uma profusão de carros elétricos e híbridos para os próximos anos, o que virá para o Brasil são utilitários esportivos projetados em países do leste europeu

Por Daniel Camargos12/09/17 às 16h29

O gnomo em posição de flor de lótus que enfeita o painel do carro conceito I.D BUZZ, da Volkswagen, é uma boa representação para o que a indústria automotiva se propõe no 67° Salão do Automóvel de Frankfurt, na Alemanha, que abriu as portas para imprensa nesta terça-feira (12). A posição zen melhora respiração, postura e explicita que o duende (useiro e vezeiro em substâncias deletérias para o organismo no passado) agora quer entrar no prumo.

O detalhe do gnomo pode parecer bobo, mas a analogia se ancora em cifras vultuosas. No primeiro dia da mostra foi anunciado que somente as montadoras alemãs irão investir 40 bilhões de euros (R$ 150 bilhões) em motores híbridos e elétricos, aumentando a gama de 30 para 100 modelos disponíveis.

Salão de Frankfurt
Momento de reflexão: depois de erros no passado, VW quer eletrificar a frota até 2030 (Daniel Camargos / AutoPapo)

É assim com a Volkswagen, pega no pulo pela lambança que provocou ao mentir sobre emissões, no escândalo que ficou conhecido como Dieselgate. A marca quer limpar a barra e promete eletrificar toda a sua gama de produtos até 2030. A promessa da VW, uma das anfitriãs do Salão, está baseada na família I.D. A marca apresentou uma versão repaginada do conceito I.D. CROZZ, que servirá de base para o primeiro SUV elétrico da marca.

A ideia da VW é equipar o utilitário esportivo com dois motores elétricos, que geram uma potência combinada de 306 cv e chegam a uma autonomia de 500 km. O conceito já havia sido revelado em abril, durante o Salão de Xangai, na China, mas ressurge com novo desenho. As mudanças aproximam o conceito do SUV da realidade. Os faróis deixaram a utopia típica dos conceituais de lado e aderiram um contorno em LED integrado a uma luz que faz a função da grade dianteira.

Salão de Frankfurt
Conceito I.D. CROZZ recebeu atualizações e se aproximou mais do que deve ser o modelo de produção

Os outros dois integrantes da família I.D são figurinhas carimbadas nos salões mundo afora: o hatch e a van – esta última que servirá de base para a nova Kombi. A previsão é que o modelo chegue ao mercado em 2022, em uma versão compacta, de quatro portas. Os mercados potenciais são América do Norte, Europa e China. O AutoPapo, aliás, já até dirigiu a Kombi do futuro (abaixo).

Se a Europa vislumbra o futuro elétrico para os próximos anos, o que os capitães da indústria pretendem vender no país presidido por Michel Temer são basicamente SUVs. SUVs e mais SUVs, essa sigla repetida a exaustão, mas que tanto encanta os consumidores brasileiros, por mais anódino que o design desse tipo de veículo seja.

O CEO da VW no Brasil, David Powels, detalhou os planos da marca e informou novos elementos da estratégia para o Tharu, baseado em projeto da subsidiária tcheca da VW, a Skoda, conforme o AutoPapo revelou com exclusividade. “Nós estamos estudando a produção de um novo SUV construído sobre a plataforma MQB, na Argentina”, afirmou o executivo. Ainda segundo Powels, “Tharu” não é o nome oficial do utilitário, mas sim como o projeto é tratado internamente.

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Não entendeu ainda o que a VW pretende? O Boris explica para você:

Made in Romênia

Deixando o gnomo zen do painel da Kombi do futuro de lado e caminhando pela imensidão do Salão de Frankfurt (são 230 mil metros quadrados divididos em um sem número de pavilhões) está lá outro SUV que diz respeito ao mercado brasileiro: o Duster. Por aqui, ele é fabricado pela Dacia, a subsidiária romena da Renault. Oficialmente, os franceses não têm planos imediatos de renovarem a geração do Duster no Brasil. Pensam em mudança para depois de 2019. Por enquanto, o foco da marca é emplacar bem o Captur, o SUV com a alma do Duster, mas com charme e design refinados.

Salão de Frankfurt
Linha de cintura do novo Duster ficou mais alta, deixando o SUV mais encorpado


VEJA OS DETALHES DO NOVO DUSTER AQUI

O que não passou batido foi a cópia que a Dacia fez das lanternas do Jeep Renegade ao desenhar as lanternas do Duster (abaixo). Capaz até de deixar os chineses envergonhados. Apesar da falta de criatividade, o Duster é um sucesso. Há oito anos no mercado já foram emplacadas mais de 1 milhão de unidades.

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Momentos do Salão de Frankfurt

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