Marca que se diz a Tesla brasileira teve a habilitação no Mover suspensa e enfrenta apuração por suposto esquema de pirâmide com carros
A Lecar segue na promessa de fabricar seu carro nacional, mas, enquanto, a empresa teve sua habilitação no programa federal Mover (Mobilidade Verde e Inovação) suspensa pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A sanção, aplicada de forma retroativa a 1º de maio de 2026, decorre da falta de comprovação dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) referentes ao ano-calendário de 2024.
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Sem o envio do relatório obrigatório, a marca comandada por Flávio Figueiredo Assis perde o acesso aos créditos financeiros do programa, usados para abater tributos federais. Pelas portarias publicadas em 3 de junho, outras empresas do setor, como Cummins Filtros, Simoldes Aço Brasil, Nione e 3Sat Tecnologia, sofreram o mesmo bloqueio por pendências documentais.

Além dos problemas fiscais, a empresa enfrenta uma crise jurídica. O Ministério Público Federal (MPF), acionado pelo Ministério da Fazenda, investiga a montadora por suspeita de operar um esquema de pirâmide financeira por meio do modelo “Compra Programada”. Pelo sistema, os modelos Lecar 459 e o Lecar Campo, anunciados a R$ 159,3 mil, são vendidos em até 72 parcelas sem juros, com promessa de entrega na metade do contrato.

O Ministério da Fazenda apontou irregularidades graves. entre elas, há a ausência de autorização legal para operar consórcios ou vendas antecipadas, a cobrança de taxa de adesão a novos representantes comerciais e a dependência declarada da entrada de novos consumidores para sustentar o fluxo de caixa.
Os veículos prometidos, porém, ainda não têm homologação e existem apenas como protótipos. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também foi acionada para avaliar a falta de lastro.
No campo industrial, a prometida fábrica da Lecar em Sooretama (ES), orçada em R$ 870 milhões, deveria ter iniciado a produção em março de 2026, mas as obras sequer começaram, à espera de licenças ambientais e alvarás municipais.
Para tentar viabilizar a linha de montagem, a marca migrou para um regime multimarcas no formato SKD (importação de conjuntos semimontados). Após romper um acordo de confidencialidade com a chinesa Neta, a Lecar tenta agora atrair as chinesas Shineray e XPeng para dividir os custos da planta capixaba.
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Sério que tem gente que está pagando por este carro que não existe?
O golpe está aí, cai quem quer…