Eles aliviam o bolso e o ar: 8 alternativas ao combustível fóssil

Há diversas alternativas de propulsão que reduzem consumo e emissão de poluentes. As tecnologias passam pelo híbrido, elétrico e célula a combustível

Por Paulo Eduardo 21/01/20 às 16h30
Especial para o AutoPapo

A gasolina está cara? O carro elétrico ainda tem preço muito alto? Meu automóvel contribui para poluir o ambiente? Calma, existem várias opções para reduzir os gastos com os deslocamentos diários e, de quebra, contribuir para o meio-ambiente. Numa época em que o combustível fóssil virou vilão, há diversas alternativas de propulsão que reduzem consumo e emissão de poluentes.

Há muitas opções além de abastecer o veículos flex só com etanol: as tecnologias passam pelo híbrido, elétrico, GNV e célula a combustível. Conheça as alternativas energéticas disponíveis atualmente no mercado nacional e a que está por vir.

1. Carro híbrido

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  • Exemplo: Toyota Corolla

Combina motor elétrico com motor a combustão. Ambos tracionam o carro mas as baterias que acionam o motor elétrico são recarregadas durante as frenagens. É usado na arrancada para tirar o carro da inércia e em baixas velocidades para poupar combustível. Vantagem é rodar no modo puramente elétrico na cidade, onde as frenagens constantes recuperam e usam a energia que seria desperdiçada.

Para rodar somente no modo elétrico, deve-se acelerar o mínimo possível. Assim, consegue-se consumo muito baixo em relação aos motores somente a combustão. Porém, a autonomia para rodar no modo elétrico é muito baixo, geralmente inferior a 10 quilômetros. Sua principal vantagem é no uso urbano.

Boris Feldman ensina como um carro híbrido funciona: veja o vídeo

2. Carro Híbrido plug-in (recarregável)

Volvo S60 T8 R-Design foto Alexandre Carneiro

Neste caso o motor elétrico pode ser recarregado em uma tomada, e a autonomia do carro elétrico é muito maior e mais adequada à cidade. Cerca de 50 quilômetros. Ideal para reduzir consumo e emissão de poluentes em deslocamentos curtos: ir ao trabalho, compras, lazer, etc.

Vantagem é rodar somente no modo elétrico, deixando de consumir gasolina. Obviamente, consome-se energia para recarregar a bateria, mas compensa. Seu custo é muitas vezes inferior ao do combustível líquido.

Motorista que roda até 50 km por dia vai usar somente a energia elétrica até que tenha que aumentar o percurso numa viagem, por exemplo, quando utiliza o motor a combustão.

Volvo S60 T8 R-Design foto Alexandre Carneiro

Aceleração suave é imprescindível na obtenção de maior autonomia do motor elétrico. Na estrada, motor a combustão prevalece por que as frenagens ocorrem com menor frequência e a autonomia é limitada.

Vantagem do híbrido com motores a combustão e elétrico em eixos diferentes é ter um veículo de tração integral sem ligação entre os eixos dianteiro e traseiro. Dispensa portanto o eixo cardã que atravessa todo o carro e exige a presença do túnel central que prejudica o conforto.

3. Carro elétrico

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Um ou mais motores elétricos movimentam o carro. Ideal para rodar na cidade. Em grandes distâncias, a autonomia é um dos limitadores por causa dos poucos locais para recarga (“eletropostos”) assim como o tempo para carga total da bateria. Entretanto, a autonomia vem aumentando. O consumo de energia é maior em estrada do que na cidade por que requer acelerações mais fortes.

Tamanho e custo da bateria, autonomia limitada e poucos locais de recarga ainda são entraves que não demorarão a ter solução. Pode-se também ter um 4×4 sem interligação de eixos com motores elétricos nos dois eixos, também evitando o túnel no assoalho.

4. Carro elétrico com recarga à combustão

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O elétrico i3.
  • Exemplo: BMW i3

É um carro que só se movimenta eletricamente, porém dotado de um pequeno motor a combustão exclusivamente para acionar um gerador que recarrega as baterias. Sua autonomia é ilimitada, pois só depende de voltar a abastecer o tanque do motor a combustão até recarregar novamente as baterias na tomada.

Como é dirigir um BMW i3? Confira no vídeo!

5. GNV

  • Exemplo: Fiat Grand Siena

Gás natural veicular polui menos que combustível fóssil. Autonomia é limitada, mas muitos postos já fornecem GNV. A adaptação do gás não elimina o tanque de combustível liquido e o carro pode voltar a rodar com ele.

A geração mais moderna do GNV até exige uma parcela de gasolina a ser injetada no motor simultaneamente com o gás.

Emite poluente em menor quantidade do que a gasolina.

O investimento inicial no equipamento para permitir o GNV praticamente inviabiliza seu uso em carros particulares. Por isso sua preferência pelos taxistas e motoristas de aplicativos pois o custo do quilômetro rodado chega a ser metade do combustível líquido.

Fiat Grand Siena e Toyota Etios sedã saem de fábrica preparados para receber o kit GNV, que pode ser instalado sem perda de garantia em postos credenciados pelas fábricas.

6. Etanol

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Combustível derivado da cana-de-açúcar teve incentivos do governo federal na década de 1980 e marcou o início da produção nacional de carros movidos somente a álcool. Em 1990, a crise de abastecimento, com longas filas nos postos de combustíveis, representou o fim do etanol como combustível de motor a explosão no país.

Em 2003, o advento da eletrônica permitiu o lançamento do carro com motor flex, que usa tanto gasolina quanto etanol ou a mistura de ambos, o álcool vingou novamente no Brasil.

O primeiro nacional flex foi o VW Gol. Ótima alternativa porque na falta dele o motor pode ser abastecido com gasolina. Em outros países existe o E85, que tem 15% de gasolina na composição do álcool derivado da beterraba ou do milho, para evitar tanquinho de partida a frio ou outros recursos para acionar o motor em temperatura ambiente abaixo de 15°C.  Atualmente, cogita-se a fabricação de motores a etanol no Brasil, como no passado.

A Fiat desenvolve motor específico para o álcool, mas que poderá queimar também gasolina, ao contrário dos nossos flex atuais. Por outro lado, flex continua imbatível pela versatilidade mesmo sem ser tão eficiente quanto um motor monocombustível, seja movido a álcool ou gasolina.

7. Carro elétrico a hidrogênio/fuel cell

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  • Exemplo: Hyundai Nexo

Energia elétrica é gerada no próprio carro pela pilha (ou célula) a hidrogênio, dispensando as baterias, maior problema do carro elétrico. Não emite poluente, mas o custo de produção do hidrogênio ainda é elevado. E há problemas de distribuição e transporte do hidrogênio a serem resolvidos.

Mas é uma tecnologia “limpa”, pois a energia elétrica é gerada por uma reação química na célula com a combinação de hidrogênio (H2) com oxigênio (O). E sai água (H2O) pelo escapamento.

Ainda leva algum tempo para se tornar viável economicamente, mas já existem carros (produzidos pela Honda, Toyota e Hyundai) rodando com essa tecnologia no Japão, Alemanha e Coreia do Sul.

Entretanto, existe a possibilidade de se extrair o hidrogênio do próprio etanol, e nesse caso os carros com fuel cell poderiam ser abastecidos na rede de postos já existente no Brasil.

Nissan desenvolve projeto com a Universidade de São Paulo (USP) para que o hidrogênio extraído do etanol vá para a célula a combustível e numa reação química com oxigênio produza eletricidade e água. Com 30 litros de etanol, a autonomia foi de 600 quilômetros.

8. Biodiesel

É um combustível biodegradável produzido a partir de fontes renováveis, como gordura animal e alguns vegetais com soja, babaçu, mamona, girassol. A soja é a matéria-prima mais utilizada no Brasil. É adicionado ao diesel de petróleo para reduzir as emissões de poluentes.

O produto final denominado biodiesel B100 deve cumprir especificações físico-químicas para que possa substituir parcial ou totalmente o diesel de petróleo em motores de veículos (caminhões, tratores, picapes). Atualmente, o percentual de biodiesel no diesel deverá ser de no máximo 15%. O mínimo aceitável é de 11%.

1 Comentário
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    Geraldo Domingues 22 de janeiro de 2020

    Então, Boris,
    Destes carros apresentados qual deles vc considera a melhor opção para nós brasileiros?

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