[Avaliação] VW T-Cross Highline: nem parece que é um SUV

O T-Cross Highline agrada pela dirigibilidade, mas abusa dos plásticos no acabamento e tem preço elevado. Vale a pena investir no SUV compacto da VW?

Por Paulo Eduardo03/04/19 às 15h29
Especial para o AutoPapo

A Volkswagen demorou a entrar no segmento dos utilitários-esportivos (SUVs) compactos, apesar de marcar presença no grande (Touareg) e médio (Tiguan). Linhas do T-Cross seguem o estilo germânico sem rebuscamento. Vincos marcam toda a carroceria e a coluna C (traseira) larga lembra a do Golf. Capô quase paralelo ao solo para machucar menos pedestre, em caso de atropelamento.

VW T-Cross Highline: preço elevado é ponto fraco

Veja também o vídeo com avaliação do T-Cross Highline

Lanternas traseiras são unidas por uma barra em toda a extensão lateral da tampa de mesmo desenho e material. T-Cross é o SUV do Polo e do Virtus e usa a arquitetura MQB, a mais moderna do grupo VW no mundo, com materiais de alta resistência em toda a carroceria que proporciona segurança aos ocupantes. O SUV obteve pontuação máxima no teste de impacto do instituto Latin NCAP na proteção a adultos e crianças.

VW T-Cross Highline: espaço interno é ponto forte

Acabamento

Acesso ao interior sem chave e partida por meio de comando no painel no T-Cross Highline. Acabamento convincente em que pese ausência de material emborrachado no painel central e nos forros de porta. Arremates e encaixes seguem padrão atual da marca: muito benfeitos.

O plástico bicolor nas portas e painel quebra a sisudez e dá ares de jovialidade. Materiais brilhantes estão na moda, mas têm o inconveniente de incomodar com a incidência do sol. É o caso do aplique na cor prata no lado direito que incrementa o visual do painel do T-Cross Highline, mas provoca ofuscamento.

Volante tem boa empunhadura, agrupa comandos de som, telefone, computador de bordo e controle de velocidade. É revestido em material rugoso que evita deslize acidental. Comandos elétricos dos vidros recuados, principalmente os traseiros, destoam da boa ergonomia assim como abaixar para entrar no banco traseiro. E o acionamento dos comandos dos vidros não é bom.

VW T-Cross Highline: acabamento abusa do plástico

A tampa traseira, que é pesada, tem local de fechamento nos lados direito e esquerdo, facilitando para destro e canhoto. Ponto em ergonomia. Porta-malas de bom tamanho tem capacidade variável conforme posição do encosto traseiro.

A grande tela multimídia de oito polegadas  fica em posição mais elevada na parte central do painel acima das saídas de ar e dos controles do ar-condicionado. Quatro entradas USB, suporte para celular, além do GPS neste T-Cross Highline. Interior arejado, silencioso e bem iluminado, incluindo porta-luvas.

Assentos poderiam ter um pouco mais de comprimento para apoiar melhor as pernas. Há apoio lombar no banco do motorista, que evita postura indevida. Forração em couro dos bancos peca pelo pouco capricho na costura.

Visibilidade ¾ lateral traseira é limitada pela largura da coluna C, e compensada pelos retrovisores bem dimensionados e câmera de ré com ótima definição. Espaço de sobra para pernas no banco traseiro se deve à grande distância entre-eixos (2,65 m). A mesma do sedã Virtus. Apesar da largura, conforto é para dois adultos e uma criança no assento central. Há saídas de ar-condicionado atrás, além de duas entradas USB.

Segurança em alta com seis airbags, controles eletrônicos de tração, estabilidade e assistente de partida em rampa. Cintos de três pontos retráteis e apoios de cabeça para todos no banco traseiro. Freios a disco nos dois eixos imobilizam o carro em espaço reduzido e com segurança. Limpadores e lavadores cumprem bem a função.

Desempenho de hatch

Em movimento, a primeira percepção é a de que o T-Cross tem muito mais a ver com automóvel (hatch) do que com utilitário-esportivo, mesmo com a grande altura em relação ao solo. Carroceria inclina pouco nas curvas. Suspensão bem calibrada entre conforto e estabilidade.

Sobre piso irregular, sente-se um pouco a aspereza por causa dos pneus de perfil baixo (55). Entretanto, não é desconfortável. Altura de borracha de 11,3 centímetros está no limite do conforto. Pneus de perfil mais alto tornam rodar menos duro. A moda é roda grande e pneu de perfil baixo. Direção leve em manobra e firme em alta não tem a sensibilidade para transmitir sensação de aderência.

O T-Cross Highline acelerações e retomadas convincentes do motor 1.4 turbo de 150 cv e 25,5 kgfm de torque com gasolina ou álcool. Respostas rápidas na aceleração. Relação peso/potência é de 8,6 kg/cv. Trocas de marchas do câmbio automático de seis marchas são rápidas, sem trancos e reduções ocorrem com diminuição da velocidade.

São quatro os modos de condução: normal, ecológico (marchas trocadas em rotação mais baixa), esportivo (trocas em rotação mais alta) e individual.

VW T-Cross Highline utiliza a mesma plataforma MQB do Virtus

T-Cross Highline tem preço elevado

Em que pese todas as qualidades, construção sólida e muito conteúdo de segurança, conforto e conveniência de série, o preço sugerido do T-Cross Highline é elevado: R$ 124.940 com todos opcionais. São eles: teto solar (R$ 4.800); assistente de estacionamento, faróis de LED, som Beats (R$ 6.050); quadro de instrumentos digital, som com navegação, comando de voz, entrada USB no console central e seletor do modo de condução (R$ 4.000).

Sem opcionais, preço sugerido é de R$ 109.990. Garantia de três anos e três primeiras revisões gratuitas.

Pontos fortes

  • Desempenho
  • Dirigibilidade
  • Espaço interno

Pontos fracos

  • Acabamento
  • Preço
Ficha técnica T Cross Highline 250 TSI
Motor quatro cilindros em linha, 1.499cm³ de cilindrada, turbo, flex, de 150 cv (gasolina/etanol) de potências máximas a 5.000 rpm (gasolina) e de 4.500 rpm a 6.000 rpm (etanol) e torque máximo de 25,5  kgfm a 1.500 – 3.500 rpm (g) e a 1.500 – 4.000 rpm (e)
Transmissão tração dianteira e câmbio automático de seis marchas
Direção tipo pinhão e cremalheira com assistência eletromecânica; diâmetro de giro, 10,9 metros
Freios disco ventilado na dianteira, e sólido na traseira
Suspensão dianteira, independente, do tipo McPherson, barra estabilizadora; traseira, eixo de torção; altura do solo, 18,8 a 19,1 cm
Rodas/pneus 6,5×17”de liga leve/205/50R17
Peso 1.292 kg (modelo básico sem opcionais)
Carga útil (passageiros + bagagem) 448 kg
Dimensões (metro) comprimento, 4,199; largura, 1,76; altura, 1,60; distância entre-eixos, 2,65
Capacidades (litro) Porta-malas, 373 a 420 (depende da posição do encosto do banco traseiro); tanque, 52
Desempenho velocidades máximas, 198 km/h (g/e); aceleração até 100 km/h, 8,7 segundos (g/e)
Consumo (km/l)   cidade, 11 (g)/7,7 (e); estrada, 13,2 (g)/9,3 (e)

Fotos Alexandre Carneiro | AutoPapo

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10 Comentários
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    Heloisa 13 de maio de 2019

    Comprei um T Cross. O consumo na cidade deixa muito a desejar. Muito abaixo desses 11km/l. E o meu é 200 tsi. Fora o consumo que me decepcionou, o desempenho do motor me surpreendeu. E olha que eu tinha antes uma Tiguan 200 CV. Ele é esperto mas não é econômico nem no modo ECO e usando Think Blue.
    O multimídia está sendo uma decepção. Ele trava ao usar o car Play. Talvez seja problema do meu em particular.
    O design do carro me agrada, o tamanho mais compacto também. Claro que algumas economias irritam: ar condicionado não é digital nem dual zone, sem cobrar que não existe opções de controle dessas ventilações.
    O acabamento interno, embora seja bem cheio de plástico, o que acho pior é o banco, podia ser melhor, mais confortável, mais robusto.
    Embora a porta não seja grande, preciso bater com mais força do que estava acostumada no meu antigo carro.
    Gostei do sistema de abertura / fechamento das portas por aproximação sem precisar acionar a chave.
    Não testei no álcool ainda.

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      Marilia 22 de maio de 2019

      Oi Heloisa, estou ensaiando muito para comprar um, estou numa dúvida sem fim. Achei bom ler seu comentário, vc realmente tem sofrido com multimídia travando?
      Obrigada

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    josé Lima 10 de maio de 2019

    Comprei o T Cross Highline 250 TSI na pré-venda, de fato comungo com as avaliações negativas acima, notadamente quanto ao acabamento interno e preço altíssimo. A qualidade dos tapetes é vexatória. Mudanças dos controles internos incomoda na operacionalidade, tal qual o das luzes e também o local onde se posiciona o botão de ignição, com três semanas de uso ainda não me acostumei. Agora, um item que achei fora de regra diz respeito à buzina do T-cross, que soa incrivelmente muito forte, a tal ponto que inibe a gente fazer aquele leve toque quando se quer advertir algum condutor distraído na pista, pois corre-se o risco de assustá-lo. Por enquanto é o tinha a dizer.

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    Imbert 5 de maio de 2019

    Esse T-Cross deveria ter o acabamento interno e suspensão traseira do Golf GTI 2019, aí o preço seria condizente.

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    Cassio 2 de maio de 2019

    Por que a variação na altura do solo “18,8 a 19,1”? 250 e 200 tsi respectivamente?

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    Luke 9 de abril de 2019

    Parece um tanto acanhado, principalmente em altura. Suas dimensões são próximas de hatches aventureiros como o Sandero Stepway ou JAC T40. Ao lado de SUVs mais altos e imponentes como Hyundai Creta ou Jeep Renegade vai parecer meio baixinho.

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    Ricardo 8 de abril de 2019

    Fui ver o carro hoje, pensando em trocar meu Golf por esse T-cross.

    Fiquei profundamente decepcionado com o acabamento interno.

    Pelo preço está devendo muito.

    Não tem refinamento algum. Um exagero de plásticos de baixa qualidade numa combinação de mau gosto.

    O design da carroceria está bonito, motor turbo bom, econômico, itens de tecnologia bacanas, mas o acabamento, ridículo.

    Perdi o interesse.

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      Leonardo César Souza de 29 de maio de 2019

      Temho um
      golf tb – alemao – percebo aue qualquer carro hoje nessa faixa de preço está abaixo em
      Qualidade.

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    Jonstas 8 de abril de 2019

    Nossa!!! Mais suv’s?

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    Ralfo Penteado 3 de abril de 2019

    Vendo as outras carrocinhas não deve passar de R$70.000 que já é muito.

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