Diesel: esse combustível foi do céu direto para o inferno

Brasil é o único país do mundo a proibir o diesel nos automóveis e a decisão foi acertada, mas não pelas razões que se pensava

Por Boris Feldman 03/06/18 às 11h22

O diesel esteve na berlinda estes dias. E até aborreceu muitos motoristas que visitavam postos para abastecer com etanol ou gasolina e viam a placa “só temos diesel”. Não faltou deputado querendo conquistar plateia e votos defendendo o fim de sua proibição para os automóveis.

Brasil é o único país do mundo a proibir o diesel nos automóveis e a decisão foi acertada, mas não pelas razões que se pensava.

“É o único país do mundo” – disse um deles – “a proibir diesel nos automóveis. É preciso por um fim neste absurdo!” Ele protestou com alguns anos de atraso, pois está certo ao afirmar que só no Brasil o carro não pode ter motor diesel. Mas, por outro lado, o resto do mundo passou a questionar esse combustível.

Curiosamente, e ao contrário do que muitos pensam, não foi ecológico o motivo que levou o  Departamento Nacional de Combustívei (DNC) a restringí-lo a caminhões, ônibus, tratores e veículos 4×4.

Em 1994, o DNC (hoje ANP), limitou sua importação pois não tínhamos capacidade produtiva para suprir sua demanda, nem dólares sobrando. Seus impostos foram reduzidos para baratear o custo do transporte de carga (caminhões) e passageiros (ônibus). E carregaram a mão nos tributos incidentes sobre gasolina e etanol.

Naquela época, o diesel era ainda mais sujo e poluente que hoje. Emitia menos CO2 ( o gás-estufa) porém um grande volume de outros gases poluentes e os particulados, uma fuligem que vai direto nos pulmões.

Sua eficiência térmica era muito superior à dos outros motores: 40% do diesel contra 30% da gasolina/etanol. Sua evolução deixou-o menos fumacento, lerdo, barulhento e trepidando menos. Seu teor de enxofre foi drasticamente reduzido.

Carros a diesel na Europa

Na Europa, automóveis diesel foram crescendo sua participação no mercado e chegaram a 54% em 2014. Brasileiros alugavam carros na Europa sem perceber que o motor era a diesel. E os abastecia com gasolina, para desespero das locadoras. Entretanto, dois fenômenos provocaram uma completa alteração do panorama.

Em primeiro lugar, os motores a gasolina/etanol (Ciclo Otto) foram extraordinariamente aperfeiçoados e sua eficiência térmica cresceu significativamente. Hoje, o consumo de um automóvel híbrido é próximo ao de um diesel.

Em segundo lugar, países europeus estimularam o motor diesel devido à baixa emissão de CO2, sem pensar nos elevados custos para reduzir a emissão de outros gases. O resultado foi o Dieselgate: fábricas trapaceando os governos para terem seus motores diesel aprovados apesar de emitir muito além dos limites legais.

O resultado foi uma guinada de 180º na Europa. A demanda por carros a diesel está se reduzindo e os governos de vários países estabelecem datas para sua retirada de circulação. Várias fábricas, como a Volvo,  já anunciaram estar encerrando a oferta de automóveis com estes motores. O mercado norte-americano nunca foi muito adepto do diesel e hoje torce ainda mais o nariz para ele.

Brasil é o único país do mundo a proibir o diesel nos automóveis e a decisão foi acertada, mas não pelas razões que se pensava.
O Dieselgate foi um escândalo global que fraudou os níveis de emissões de poluentes em carros a diesel

Na verdade, o Brasil atirou no que viu e acertou no que não viu, pois o diesel está sendo demonizado em todo o mundo. É eficiente, mas muito poluidor. Por outro lado, nós desenvolvemos uma solução verde-amarela, o combustível derivado da cana. Mais limpo que o diesel e a gasolina. Renovável e fixa o homem no campo.

Mas ainda há um “argumento” contra o etanol: a tendência mundial para o carro elétrico. Mas para o Brasil é sopa no mel, pois temos a solução ideal para evitar a bateria, o pesadelo de quem pensa no elétrico.

É o carro que se move com eletricidade, mas com células a combustível fornecendo corrente elétrica no lugar de baterias. Esta célula (fuel cell) funciona com hidrogênio. Mas este pode ser obtido a partir do etanol, presente em todos os postos do país.

Então, no frigir dos ovos, o futuro do automóvel não está no diesel nem na gasolina, mas no carro elétrico. Que poderia, no Brasil, ser movimentado pelo derivado da cana.

Dizem que somos um país privilegiado por sua natureza. Mas que, em contra-partida, botaram aqui um povinho que elege uns políticos…

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6 Comentários
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    Rodolfo 4 de junho de 2018

    …. Belo texto… tomara que esse Fuel Cell venha logo para o Brasil. Com relação a carro movido a etanol (Ciclo Otto) poluir menos tenho uma observação:
    Para quem pensa que álcool (etanol) é limpo em relação a gasolina, veja este teste de um motor FLEX.

    …. Em todos os poluentes a gasolina (aliás gasool – 22% de álcool) só polui mais no CO2, isso porque o álcool polui 7,5% a menos de CO2 que a gasolina.

    …. O etanol em um motor flex só não produz o Material Particulado – MP, porém produz os gases poluentes descritos abaixo, que são em maiores teores que o motor flex usando somente gasolina. Mas também a gasolina pura não tem aldeíodo (RCHO) que é também um gás que polui o meio ambiente, e quanto maior o teor de etanol na gasolina maior é a emissão de aldeíodos (RCHO), ou seja, é uma faca de dois gumes… não tem MP mas tem aldeíodos.
    – monóxido de carbono – CO;
    – óxidos de nitrogênio – NOx;
    – aldeíodos – RCHO;
    – hidrocarbonetos não-metano – NMHC;
    – metano – CH4.

    …. Vale também lembrar que felizmente em 2014 foi lançada a gasolina S50 (50 ppm de enxofre), sendo que antes eram 800 ppm de enxofre, assim o meio ambiente agradece!

    …. No teste tem três combustíveis:
    – etanol – 100%;
    – A85 – 85% etanol e 15% gasolina;
    – A22 – gasool (22% etanol e 78% gasolina)

    …. Veja o artigo no link abaixo:
    …. E no site do Ministério do Meio Ambiente tem o Inventário Nacional de Emissões Atm. de Veículos 2013, nele também se observa que motor FLEX polui mais usando álcool. Veja as emissões na Tabela 6 na página 33:

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    Rodolfo 4 de junho de 2018

    …. Bela reportagem, mas tenho algumas observações:
    …. Para quem pensa que álcool (etanol) é limpo em relação a gasolina, veja este teste de um motor FLEX.
    …. Em todos os poluentes a gasolina (aliás gasool – 22% de álcool) só polui mais no CO2, isso porque o álcool polui 7,5% a menos de CO2 que a gasolina.
    …. O etanol em um motor flex só não produz o Material Particulado – MP, porém produz os gases poluentes descritos abaixo, que são em maiores teores que o motor flex usando somente gasolina. Mas também a gasolina pura não tem aldeíodo (RCHO) que é também um gás que polui o meio ambiente, e quanto maior o teor de etanol na gasolina maior é a emissão de aldeíodos (RCHO), ou seja, é uma faca de dois gumes… não tem MP mas tem aldeíodos.
    – monóxido de carbono – CO;
    – óxidos de nitrogênio – NOx;
    – aldeíodos – RCHO;
    – hidrocarbonetos não-metano – NMHC;
    – metano – CH4.
    …. Vale também lembrar que felizmente em 2014 foi lançada a gasolina S50 (50 ppm de enxofre), sendo que antes eram 800 ppm de enxofre, assim o meio ambiente agradece!
    ….. No teste tem três combustíveis:
    – etanol – 100%;
    – A85 – 85% etanol e 15% gasolina;
    – A22 – gasool (22% etanol e 78% gasolina)
    …. Veja o artigo:
    …. E no site do Ministério do Meio Ambiente tem o Inventário Nacional de Emissões Atm. de Veículos 2013, nele também se observa que motor FLEX polui mais usando álcool. Veja as emissões na Tabela 6 na página 33:
    …. Outra coisa que digo aqui é que é uma hipocrisia dizer que álcool é ecológico… e o povo vai na valsa. Já imaginaram quantas florestas são derrubadas para se plantar cana de açúcar? Cadê o ecologicamente correto nisso? Já imaginaram se o Brasil fosse o maior exportador do mundo de álcool para veículos automotores?… Além de acabar com as florestas, os produtores rurais iriam parar de produzir por exemplo arroz e feijão para produzir cana, então iria faltar feijão e arroz no mercado interno, então a gente teria que importá-los!
    ….. Tenho um Gol ano 1990, a gasolina, e na Inspeção Ambiental de São Paulo-SP de 2010 a 2013, os carros movidos a álcool tinham tolerâncias maiores de poluição de HC. E não dizem que carro a álcool polui menos?
    ….. Dizem que “Só após a tal compensação pelo que a planta do etanol, a cana de açúcar no caso, tira de poluentes durante sua vida.” Mas as florestas que foram derrubadas e as plantações de verduras e grãos e etc também tiram esse CO2… e a cana-de-açúcar tira as florestas.
    ….. E a propósito… CO2 quem mais produz são os seres humanos… respiram 24 horas por dia… somos mais de 7 bilhões no mundo… já carros ficam em funcionamento em média uns minutos por dia para ir e voltar do trabalho e olhe lá…, exceto nas grandes metrópolis como São Paulo/SP… que o trânsito é caótico no horário de pico.
    ….. E também o gado produz muito CO2… então é conversa fiada desse efeito estufa ser só por conta dos motores de combustão interna…
    ….. Carro elétrico polui indiretamente… as Usinas Hidrelétricas desmatam florestas para fazer represas para as turbinas, veja o caso Belo Monte. E quando a represa está baixa se tem que usar as Usinas Térmicas que poluem muito ou Nuclear que tem o lixo radioativo e risco de acidente nuclear como o de Chernobyl e o do Fukushima/Japão.
    ….. E o descarte das baterias dos carros elétricos ou reciclagem será que vinga? Pois não vejo ninguém reciclar bateria de celulares que é o mesmo princípio… ions de lítio, nem mesmo pilhas AAA Duracel, Rayovac, etc, de relógio, lanterna, etc. Comprar celular, pilha é fácil, vai você querer descartar isso em algum lugar de coleta… se achar ótimo nas metrópolis, mas nas cidades do interior duvido que a maioria delas tenha pontos de coleta.
    ….. E ainda reciclar tem seu custo, lembro que li uma vez uma revista do ramo marítimo que a Polícia Federal uma vez apreendeu no Porto de Santos lixo doméstico e lixo reciclável vindo da Europa… Vejam uma reportagem do tipo no link:Contêiner com lixo doméstico europeu chega a porto no RS – 17/ago/2010:
    ….. Assim se lixo reciclável alguns não reciclam… mandam para os países de terceiro mundo… então será que os jogos de baterias de lítio de um carro elétrico serão de fato reciclados?
    ….. Se temos que diminuir o uso de combustíveis fósseis a solução seria o governo investir melhor em transporte público, pois o metrô e os trens estão num ritmo de crescimento insatisfatório com relação ao da população. No ônibus, metrô ou trem a gente parece dentro de uma lata de sardinha. Pois se um dia o transporte público for no nível de Londres, Nova York etc, aí sim muita gente vai deixar o carro na garagem e então o meio ambiente vai agradecer.
    …… Por fim, a pessoa ecologicamente correta que mora nas grandes metrôpoles como por exemplo São Paulo/SP, ao invés de ir trabalhar de carro, poria ir de transporte coletivo ou alugar a própria casa e alugar outra próxima ao trabalho, podedo assim ir trabalhar a pé. Assim unido o útil e o agradável e ganhando qualidade de vida fugindo desse trânsito caótico que é aqui em São Paulo/SP, onde para se andar 15 km se leva mais de 1 hora no horário de pico (7:00 às 10:00 hs e 16:00 às 20:00 hs).
    ….. Eu por exemplo vou trabalhar de ônibus, pois não suporto o trânsito caótico de São Paulo/SP, trabalho a uns 5 km de casa… em torno de 30 minutos chego no meu trabalho. Ganhei qualidade de vida deixando o carro na garagem para ir trabalhar…

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    Donizete Rabelo 3 de junho de 2018

    Prezaria que fizessem mais uma consideração:
    Ao meu ver, o diesel S-10 seria mais vantajoso para a economia do País em razão do consumo menor e potência superior com relação aos demais combustíveis.
    Para a saúde e natureza também seria menos prejudicial e poluente, já que a gasolina comercializada no Brasil é S-50 e até mesmo a Podiun da Petrobrás é S-30.

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    Donizete Rabelo 3 de junho de 2018

    Acho interessante mais uma análise e prezaria por seus pareceres:
    Se de todos os gases resultantes da queima dos combustíveis, incluindo os aldeidos, o SO2 é um dos mais poluentes e prejudiciais, o diesel S-10 levaria vantagem sobre a gasolina brasileira, que é S-50. Até mesmo a famosa e cara gasolina Podiun da Petrobrás é S-30.
    Assim sendo, além da maior potência e menor consumo, os veículos novos a diesel poderiam ser mais vantajosos à economia, à natureza e à saúde do que os movidos a gasolina.

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    Hednilson gasparetto 3 de junho de 2018

    Acredito que esse comentário inválido para os países de primeiro.mundo e muito desenvolvidos, mais sempre que vejo um comentário desses me deixa indignado em comparação, nosso país e só roubo, ladrões e tudo mais, aliás enquanto os países do primeiro.mundo não estão nem aí para poluição e agora que poderíamos usufruir dos benefícios de ter algo, somos impedidos pelos por pessoas qua roubam e só pensam em seu próprio benefício, não somos um país de primeiro mundo e ainda temos 80% das estradas sem asfalto, sem saneamento básico e ainda querem exigir e comparar, vamos fazer o seguinte vamos olhar para nosso umbigo pra depois olhar para o dos outros….

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    paulo e.f. diehl 3 de junho de 2018

    Caro Boris, o Brasil continua na contra mão de todo o progresso, pois só um país míope [ ou que não quer ver ou perder sua fonte inesgotável de tributos 58% s/litro do combustível enquanto puder manter este atraso chamado de Petrobrás] , pois continua desconhecendo o futuro ”ad doc”, que são os veículos movidos a eletricidade , com suas baterias de íon lítio de grande capacidade acumulativa e rapidez de carga, sendo que a toyota já está desenvolvendo uma bateria de magnésio, como também , tem outro país estudando o grafeno para esta finalidade. Mas enquanto isto acontece , neste país habitado por 47% de analfabetos funcionais, continuamos taxando em 30% IPI a importação deste tipo de veículos , e sem qualquer interesse em produzí-los por aqui.[parece que uma montadora chinesa vai fazê-lo] . Conforme estudos que tive a oportunidade de ler , se trocássemos toda a frota nacional , isto implicaria num aumento de 1% no consumo de eletricidade. Então O PETRÓLEO NÃO É NOSSO,MAS DELES, contumazes espertalhões e notório corruptos. abrçs

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