Levando gato por lebre…

Num país em que se falsifica Ferrari e Lamborghini, não faltam maracutaias as mais diversas, muitas colocando em risco a sua vida

Por Boris Feldman 07/09/19 às 09h00
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Num país em que se falsifica Ferrari e Lamborghini, não faltam maracutaias as mais diversas, muitas colocando em risco a sua vida. Aditivos desnecessários, óleo de motor com especificação atrasada, pneus sem aderência… Veja as mais comuns.

Óleo do motor

Na troca do óleo do motor, alguns motoristas se preocupam com a viscosidade recomendada (padrão SAE, Society of American Engineers). Mas poucos com a classificação API (American Petroleum Institute), que define sua aditivação com duas letras:  “S” (de service) e outra que começa em “A” e vai subindo o abecedário: nos motores mais modernos, já estão em SM ou SN. Mas ainda se oferecem óleos ultrapassados como SL (de 2001) ou SJ (1996), teoricamente para motores de carros mais antigos. Mas à venda no Brasil e até nos EUA, sem maiores explicações.

Uma empresa norte-americana (Dollar General) foi multada pela procuradoria geral de Nova York por vender, sem deixar claro (apesar de estar no rótulo), óleos SA (para carros de 1920!) e SF (1979). Já pensou colocar no motor de seu carro novo, cheio de tecnologia, um óleo projetado para o Fusca?

Pneus

1. Etiqueta

Obrigatória desde o ano passado, a etiqueta classifica o pneu com três índices. O primeiro define o nível de ruído.  O segundo – vai de A a G – seu atrito com o asfalto, que implica no consumo de combustível. Quanto mais próximo de A, menor o consumo.

O terceiro é importante para a segurança e define a aderência no piso molhado. Também de A até G, quanto mais próximo de “G”, tanto pior: maior a probabilidade de o carro escorregar na chuva. Poucos percebem que pneus baratos têm índices de atrito e aderência próximos de “G”.

Explico no vídeo!

2. Reformados

Recauchutado pode ter mesma qualidade que um novo. São usados até por aviões. Mas os pneus remold são perigosos no Brasil, pois o Inmetro, ao homologá-los, se “esqueceu” de exigir que sejam registradas na lateral as características originais da carcaça. Então, dois remolds com exatamente a mesma aparência podem ter comportamento diametralmente opostos.

3. Frisado

Outra picaretagem é o pneu frisado. Nos veículos pesados, está previsto aprofundar o sulco e vem escrito regroovable (ressulcável). Nos pneus de automóveis a operação é condenada pois interfere em sua estrutura.

Aditivos

1. Gasolina

Recomendado para a gasolina comum, aditivos dispersantes e detergentes evitam a formação de depósitos na câmara de combustão. Mas existe também o aditivo do tipo “booster” para aumentar a performance. Só que, no caso da nossa gasolina, com quase 30% de etanol, seu efeito é nulo.

2. Óleo

Os homologados pelas fábricas contêm todos os aditivos necessários. Mas existem outros que anunciam aumentar a durabilidade do motor, reduzir consumo e outras lorotas. Alguns chegam a ser prejudiciais pois não combinam com os aditivos originais do motor.

Isofix

Existem dois tipos de cadeirinhas infantis: o mais antigo se prende aos cintos de segurança, o mais moderno, chamado Isofix, é preso ao chassis do carro através de ganchos metálicos, com proteção muito mais efetiva. No sistema antigo, a fixação não é rígida e os cintos não prendem firmemente as cadeirinhas.

Desde o ano passado o Isofix tornou-se obrigatório no Brasil, mas ainda se pode usar  os antigos. Alguns fabricantes, percebendo a grande procura pelo novo sistema, estão classificando as cadeiras de retenção antigas como isofix. Como o assunto nunca foi bem explicada e ninguém fiscaliza nada, o dono do carro leva o equipamento antigo na certeza de estar garantindo máxima proteção para seu filho. Pode?

Reposição

Peças de reposição com garantia de qualidade, só na concessionária. No “paralelo” (casas de peças) o produto pode ter a mesma qualidade, e até fabricado pela mesma fornecedora da fábrica, empresas nacionais ou internacionais de alto padrão, como a Bosch, Marelli, Fras-Le, Valeo e outras.

No caso de marca desconhecida, deve-se consultar um mecânico ou técnico que entenda do assunto. Como não existe fiscalização, as chances de se levar gato por lebre são enormes: peças produzidas por verdadeiros “fundos de quintal”, ou falsificadas, ou remanufaturadas sem respeito aos padrões mínimos de qualidade. No caso de componentes envolvidos em segurança veicular, o risco é grande.

peças falsas para motor
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