Acidentes fatais aumentam em dezembro – saiba se precaver

Órgãos de trânsito registram um aumento no número de acidentes e mortes nas estradas no mês de dezembro, relembrando importância da direção segura

Por Bárbara Angelo12/12/18 às 18h00

Dados de órgãos de segurança no trânsito apontam para um aumento no número de acidentes fatais durante o mês de dezembro, no Brasil. Em período de férias e viagens, com um número maior de veículos nas estradas, é importante estar atento ao perigo e saber se manter em segurança.

De acordo com o Datasus, parte do Sistema Único de Saúde (SUS), são registradas mais de 3,5 mil mortes no trânsito, a cada mês, no país. Em dezembro, também segundo o órgão, esse número pode aumentar até 12%, especialmente nos últimos dias do ano.

Órgãos de trânsito registram um aumento no número de acidentes fatais nas estradas no mês de dezembro, relembrando importância da direção segura.

Dados da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para o ano passado corroboram essas informações. Segundo a instituição, os meses em que mais foram registrados acidentes fatais nas rodovias federais foram julho (595), dezembro (565) e janeiro (538). O número total de acidentes, contudo, foi maior em dezembro, quando foram registradas 8.566 ocorrências.

Erro humano é principal causa de acidentes fatais

Por trás destes números, como indicam estatísticas do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), está a principal causa de acidentes de trânsito no Brasil. De acordo com o órgão, 90% das ocorrências são causadas por falha humana.

Entre elas, o uso do celular é um dos mais preocupantes. Dados da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), apontam que esta é a terceira causa mais comum. Ela é responsável por cerca de 150 acidentes fatais por dia.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) fez uma extensa análise do trânsito ao redor do mundo em 2015, e concluiu que um motorista falando ao telefone tem uma chance quatro vezes maior de se envolver em um acidente, e essas chances não mudam se ele utilizar fones de ouvido. A prática, além de perigosa, pode ser facilmente evitada.

Órgãos de trânsito registram um aumento no número de acidentes fatais nas estradas no mês de dezembro, relembrando importância da direção segura.

Outro fator que compromete a segurança dos ocupantes e pode levar a acidentes fatais é o descuido com o transporte de crianças. A utilização de cadeirinhas infantis, obrigatória por lei, reduz o risco de morte entre 70% e 80%, de acordo com a OMS.

Além disso, o excesso de velocidade, principal infração nas estradas em 2017, também está entre as principais causas de acidentes fatais. De acordo com a PRF, entre 6.200 mortes e 83 mil feridos registrados, cerca de mil óbitos e 9.600 feridos ocorreram devido a essa imprudência.

Atitude do motorista faz a diferença

Considerando o alto risco de acidentes fatais e outras ocorrências no mês de dezembro, especialistas dão dicas para que o motorista se mantenha seguro. Segundo a especialista em simuladores de direção e diretora da ProSimulador, Sheila Borges, o uso de celular ao volante deve ser abandonado.

“A segurança das pessoas deve ser tratada como prioridade. Bastam quatro segundos com o carro a 80 km/h para acontecer um acidente grave. Esperar até a próxima parada em algum posto ou encostar o veículo em área permitida para responder mensagens e fazer ligações é uma ação simples que pode fazer toda a diferença e ajudar a preservar vidas”, orienta ela.

Órgãos de trânsito registram um aumento no número de acidentes fatais nas estradas no mês de dezembro, relembrando importância da direção segura.

Outra recomendação é o uso do cinto de segurança para todos os ocupantes, inclusive no banco traseiro. O superintendente técnico do Centro de Experimentação e Segurança Viária (Cesvi), Emerson Feliciano, relembra a importância do componente para a prevenção de acidentes fatais.

“Esse item de segurança é essencial para todo veículo, principalmente por reter melhor os ocupantes em sua posição e propiciar uma distância maior dos ocupantes das partes rígidas do veículo”, diz ele.

É importante considerar, também, que um passageiro no banco traseiro sem cinto de segurança não está apenas arriscando a própria vida, mas também a dos ocupantes na dianteira.

Para a especialista em educação digital e diretora da Procondutor, Claudia de Moraes, a conduta imprudente está inserida na cultura do motorista brasileiro.

“Infelizmente, quando dirigem com a velocidade acima do permitido, os condutores acreditam que nada pode acontecer e que ultrapassar o limite é normal. Porém, em um simples desvio de atenção no percurso ou até mesmo por conta da pressa, ele não enxerga um motociclista no ponto cego, um pedestre ou animal nas vias e isso pode trazer consequências irreparáveis”, alerta ela.

Órgãos de trânsito registram um aumento no número de acidentes fatais nas estradas no mês de dezembro, relembrando importância da direção segura.

No caso de crianças, é fundamental que sejam transportadas em cadeirinhas. “O ideal é transportar as crianças nos assentos infantis adequados para cada idade, instalar da maneira correta as cadeirinhas e evitar que objetos sejam transportados soltos no banco de trás, para que não sejam arremessados na direção da criança na eventualidade de uma colisão ou freada brusca”, esclarece Feliciano, do Cesvi.

Manutenção do carro também é importante

Além de adotar a atitude correta no trânsito, há outras precauções para evitar circunstâncias perigosas e acidentes fatais. Emerson Feliciano, do Cesvi, chama atenção para as condições do veículo.

“É essencial que todo motorista veja como está o funcionamento das luzes de sinalização, o nível de óleos, fluidos, combustível e a calibragem dos pneus. Vale lembrar que é importante ter em mãos o caminho e até rotas alternativas para chegar ao seu destino no final da viagem”, afirma ele.

Assim, existem sete componentes do carro que devem ser analisados:

  1. Luzes de sinalização: confira o funcionamento dos faróis, lanternas, luzes de freio, luz de marcha à ré, luzes de seta e as luzes da placa. Veja se no painel do veículo todas as luzes indicadoras estão funcionando corretamente;
  2. Óleos e fluidos: verifique o nível e o prazo de troca do óleo de motor, de direção hidráulica, fluido de freio e o fluido da transmissão automática. Vale conferir também o nível do reservatório de água;
  3. Mecânica e elétrica: cheque o sistema de freio (discos e pastilhas), o conjunto de suspenção e de direção, velas, cabos, correias e teste a bateria e também o estado das correias do motor;
  4. Na chuva: a fim de evitar problemas de visibilidade na estrada é importante conferir as condições das palhetas do limpador de para-brisas e também o funcionamento do desembaçador dianteiro e traseiro; mantenha o reservatório do lavador de para-brisa com água e detergente neutro;
  5. Atenção ao combustível: evite rodar com o veículo próximo da reserva, mantenha pelo menos a metade da capacidade do tanque e, sempre que possível, abasteça para misturar o combustível novo com o antigo;
  6. Pneus: confira a pressão dos pneus e o nível de desgaste de cada um, não se esquecendo do estepe;
  7. Última checagem: veja com antecedência se está no porta-malas o triângulo de sinalização, as ferramentas de roda e o macaco.

Má condição das vias aumenta riscos de acidentes fatais

Por fim, outro fator que colabora para a ocorrência de colisões, acidentes fatais e situações perigosas ao volante é a condição das vias. Estradas mal mantidas levam ao aparecimento de buracos, ausência de sinalização e infraestruturas inadequadas. Quanto a isso, cabe ao motorista manter a atenção e, ao governo, a tomada de atitudes.

Órgãos de trânsito registram um aumento no número de acidentes fatais nas estradas no mês de dezembro, relembrando importância da direção segura.

Segundo a especialista em mobilidade humana e gerente do Instituto Mobih, Viviane Chaves, departamentos e órgãos de trânsito podem contribuir com a diminuição desses índices. “Debater medidas que tragam segurança e chamar a atenção da sociedade para o número de acidentes e mortes no trânsito por meio de mais campanhas de conscientização e ações educativas seriam fundamentais para mudar esse cenário”, declara ela.

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